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Eleição 2026: Tic-tac para o fim

Coluna de Domingos ketelby


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 19/09/2026 - 10:03

Eleição 2026 Tic-tac para o fim
(Foto: Reprodução)

A exatamente duas semanas do primeiro turno da eleição, a campanha ao Governo de Goiás entra na fase em que discurso bonito começa a valer menos que escolha estratégica. Não há mais tempo para testar personagem, trocar pauta ou explicar demais. A partir de agora, cada candidatura precisa apostar no que acredita ser seu caminho mais curto até a urna.

A própria oposição reconhece que o governador Daniel Vilela (MDB) joga com a vantagem. A missão do emedebista é evitar erro, manter a base mobilizada, preservar a imagem de continuidade e impedir que a oposição transforme a reta final em plebiscito sobre problemas específicos do governo. Quem lidera costuma preferir campanha controlada. O risco é parecer acomodado antes do voto.

Na campanha governista, a reta final será marcada por corpo a corpo, carreatas e caminhadas. Um integrante da equipe diz que a última semana terá ações concentradas na Região Metropolitana. “É o corpo a corpo mesmo. Então, intensificar isso e manter o ritmo que a gente já está tendo nas redes sociais”, afirma. A campanha também mira os debates dos dias 24 e 29.

Wilder Morais aposta em outra lógica. Estrategista da campanha do senador, Marcelo Vitorino diz que a prioridade da reta final será fortemente focada na mídia e redes sociais, não na rua. O argumento é direto: contra a máquina, tentar disputar volume de rua seria jogar no campo em que o adversário é mais forte. “É uma bobagem você tentar disputar com a máquina no campo que ela domina. Você tem que disputar nos outros lugares. É na mídia mesmo”, afirmou Vitorino a este colunista.

A leitura ajuda a explicar a campanha do PL. Wilder não tem a capilaridade governista, nem o mesmo tempo de televisão, nem a mesma rede de prefeitos. Por isso, a estratégia passa por comunicação digital, peças de contraste e tentativa de fixar uma identidade ideológica mais clara.

Na avaliação de Vitorino, a reta final servirá para marcar posições. O eleitor, segundo ele, já começou a olhar para Wilder, mas ainda precisa reconhecer melhor “o que ele é contra e o que ele é a favor”. A campanha quer apresentar o senador como “resolvedor” e como representante legítimo da direita em Goiás.

É o caminho mais previsível e também o mais arriscado. Ao se afirmar como a candidatura de direita, Wilder tenta consolidar o campo bolsonarista e reduzir espaço de Marconi Perillo como alternativa de oposição. Mas também estreita a margem para buscar voto em campos mais moderados.

Vitorino também descarta qualquer aceno à esquerda em eventual segundo turno. Diz que Wilder não pretende “perverter ideais” para vencer eleição e afirma que Goiás pode ser vencido com direita e centro-direita. A aposta é que o eleitor conservador seja suficiente para sustentar a candidatura, especialmente no agro, no Entorno, em Goiânia e no Sudoeste. Exatamente por esses ingredientes, ele rejeita teses de um repeteco de 2024, quando Fred Rodrigues foi derrotado por Sandro Mabel no segundo turno da eleição, quando o empresário foi eleito com apoio massivo de votos petistas. 

Luis Cesar Bueno corre em uma pista própria. Coordenador de marketing da campanha petista, o jornalista Cláudio Curado diz que a reta final terá redirecionamento dos poucos recursos para o digital. De acordo com ele, Luis Cesar também decidiu socorrer candidatos que não receberam recursos do PT, com material bancado pela própria campanha.

Curado afirma que a campanha manterá foco em propostas e aposta no nome de Lula para tentar crescer. “A gente está bem no Entorno e espera uma arrancada agora com o nome do Lula para buscar ir para o segundo turno”, diz. A estratégia mostra o tamanho do desafio: transformar Lula em presença eleitoral concreta sem depender apenas da militância.

Marconi entra nessa reta final com outro problema. Precisa provar que ainda é capaz de converter lembrança em voto novo. O tucano tem recall, conhece o Estado e tenta se apresentar como opção a Daniel. Mas disputa, ao mesmo tempo, com Wilder o lugar de principal adversário do governador.

Esquerdovan

Cresce um movimento no eleitor que se considera de esquerda moderada para descarregar votos no candidato ao Senado Vanderlan Cardoso (PSD). São intensos os debates em grupos de WhatsApp. O intuito seria evitar uma possível eleição do liberal Gustavo Gayer. A pauta radical do gajo bolsonarista, um candidato anti-sistema, aterroriza os progressistas.

Sabatina OAB

Candidatos a governador serão sabatinados na OAB-GO nesta semana. Os advogados querem conhecer as propostas dos candidatos sobre temas como prerrogativas, dativos e RPVs. Começa com Marconi Perillo e Wilder Morais na quarta-feira. Daniel Vilela vai na quinta e Luis Cesar Bueno na sexta. 

Precatórios

A OAB-GO pretende lançar uma proposta e questionar os governadoriáveis a respeito. Trata-se da utilização de precatórios em compensações tributárias. Uma espécie de encontro de contas.

Trivela

Uma empresa de Rio Verde está produzindo um material de campanha inusitado. São tênis personalizados com os rostos e números de candidatos. Paulo e Lucas do Vale aderiram à novidade. Os exemplares precisam ser adquiridos pelos interessados já que a legislação eleitoral veda a distribuição de mimos aos eleitores. 

Processando…

A militância emedebista não perdoou e compartilhou à exaustão um vídeo em que Wilder Morais fica por intermináveis 10 segundos procurando constrangidamente palavras para responder a uma pergunta feita na sabatina da TV Anhanguera. Ao fim, o vídeo mostra o marqueteiro Marcelo Vitorino confirmando em entrevista que Wilder “não é uma pessoa versada pra fala”.

Entre os 4

O governador e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), vê vereador e candidato à deputado estadual Lucas Kitão entre os favoritos da chapa do Mobiliza para Alego. Discurso foi feito pelo emedebista durante “Grande Evento” realizado pelo vereador, em Goiânia. Daniel vê o partido com condições de fazer entre 3 e 4 cadeiras na Alego.

Blindagem eleitoral

A partir deste sábado (19), candidatos registrados não podem ser presos ou detidos, salvo em flagrante. A regra vale até 48 horas depois da votação. A reta final começa, também, com escudo jurídico previsto no calendário eleitoral.

Urna fechada

O TRE-GO fechou o sistema com 858 candidaturas aptas em Goiás. A campanha entrou na fase em que a lista da urna vale mais que promessa de partido. Quem ficou fora já não volta mais pelo grito.

47 fora

Foram 47 candidaturas inaptas no Estado. A maioria das baixas está na disputa proporcional. Para eleitor comum, parece detalhe de sistema. Para partido, é candidato a menos pedindo voto, e quociente eleitoral comprometido.

Alego lotada

A disputa pela Assembleia terá 561 candidatos para 41 vagas. A conta dá 13,6 nomes por cadeira. Na prática, a renovação terá de passar por cima de mandato, base municipal, prefeito e dinheiro de campanha.

Federal apertada

A Câmara dos Deputados terá 252 candidatos em Goiás para 17 vagas. A disputa federal virou um funil: muita celebridade local, muito ex-prefeito, muito vereador e pouca cadeira para acomodar tanta ambição.

Canedo em dose dupla

A eleição voltou a colocar Fernando Pellozo e Vanderlan Cardoso lado a lado. Os dois são os únicos prefeitos reeleitos nos 37 anos de Senador Canedo. Vanderlan deixou o segundo mandato em 2010 para buscar projeção estadual. Pellozo ficará até o fim.

Daniel no município

Pellozo e Vanderlan recebem Daniel Vilela na quinta-feira (24), às 17h, para o principal ato da campanha em Senador Canedo. O evento será após o expediente da Prefeitura e reunirá lideranças municipais da base.

Chapa local

Além de Daniel e Vanderlan, o grupo de Pellozo trabalha por Adriano do Baldy, candidato à reeleição para a Câmara Federal, e Misael Oliveira, que tenta voltar à Assembleia Legislativa.

Misael de volta

Misael Oliveira já foi vereador em Goiânia, deputado estadual e prefeito de Senador Canedo. Na Alego, deu suporte ao mandato de Vanderlan no fim dos anos 2000. Agora tenta retornar à Assembleia pelo Novo.

Marconi com Divino

Também em Senador Canedo, Marconi Perillo busca voto ao lado do ex-prefeito Divino Lemes. A agenda tucana prevê carreata na segunda-feira (21), em mais um movimento para disputar espaço em território governista.

Canedo digital

Pellozo segue tentando marcar a gestão com a digitalização dos serviços. Nesta semana, foi a Brasília para falar, na Câmara dos Deputados, sobre comunicação pública e a opção de Senador Canedo por aposentar o telefone.

WhatsApp no balcão

Desde 2024, Senador Canedo passou de 1 milhão de atendimentos digitais. Mais de 90% ocorreram pelo Conecta Canedo, plataforma que atende o cidadão via WhatsApp. Para Pellozo, serviço digital também virou cartão de visita político.

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