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Daniel e Caiado ensaiam uma nova divisão de poder

A parceria entre Daniel Vilela e Ronaldo Caiado sobreviveu às urnas, mas começa a entrar numa fase diferente


Por em 26/10/2026 - 08:45

Daniel e Caiado ensaiam uma nova divisão de poder
Daniel e Caiado ensaiam uma nova divisão de poder

A parceria entre Daniel Vilela e Ronaldo Caiado sobreviveu às urnas, mas começa a entrar numa fase diferente. O governador reeleito e o ex-governador agora trabalham para reorganizar os partidos que sustentam seus respectivos projetos políticos. No centro das conversas, está uma possível federação entre MDB e PSD. Nos bastidores, uma questão mais imediata: para onde irão os prefeitos que cresceram politicamente sob o comando de Caiado?

Daniel revelou nesta semana que já discute a federação com Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, enquanto Caiado ficou encarregado de levar a proposta ao PSD. Os dois se reuniram na quarta-feira (21), em Goiânia, para tratar da articulação. A iniciativa tenta dar forma partidária à aliança que governa Goiás desde 2019.

O movimento acontece num momento de redistribuição de forças. Caiado deixou o União Brasil, partido que comandou durante boa parte de seus dois mandatos, e se filiou ao PSD. Daniel, por sua vez, fortaleceu o MDB e saiu das urnas com mandato próprio, conquistado ainda no primeiro turno. A parceria permanece, mas ambos precisam organizar suas estruturas políticas.

O União Brasil chegou a reunir prefeitos em 104 dos 246 municípios goianos. O PSD, atual partido de Caiado, conta com apenas duas prefeituras. Já o MDB se aproxima de 70 gestores municipais e trabalha com a meta de eleger 100 em 2028.

É nesse mapa que começa a disputa mais concreta. Aliados de Caiado articulam a transferência de prefeitos do União Brasil para o PSD. Ao mesmo tempo, o MDB recebe manifestações de interesse de gestores que pretendem se aproximar do partido do governador.

Daniel minimiza qualquer possibilidade de conflito. Afirma que não pretende concentrar todos os aliados no MDB e considera o PSD um partido irmão. Também nega que a movimentação esteja relacionada às eleições municipais de 2028.

A explicação, porém, não elimina o peso político das filiações. Prefeito não muda de partido apenas por afinidade pessoal. Calcula estrutura, interlocução com o Estado, alianças municipais e perspectivas eleitorais.

Há ainda um terceiro personagem nessa reorganização: Bruno Peixoto. Eleito deputado federal com a maior votação de Goiás, o presidente da Assembleia assumiu o comando estadual do União Brasil justamente quando Caiado deixou a legenda.

Bruno herdou uma estrutura construída durante os anos de governo, com prefeitos, deputados e lideranças regionais. Uma eventual saída expressiva de gestores para MDB e PSD mudaria o tamanho dessa estrutura antes mesmo da próxima eleição municipal.

A proposta de federação poderia acomodar parte dessas disputas, mas enfrenta obstáculos nacionais. Dirigentes das duas siglas demonstram resistência à união. Diferentemente de uma coligação, uma federação obriga os partidos a atuar juntos em todo o país por pelo menos quatro anos. É uma negociação que ultrapassa a vontade de Daniel e Caiado.

Por enquanto, a federação é uma proposta. A movimentação dos prefeitos, embora ainda sem adesões em massa confirmadas, já mobiliza dirigentes estaduais.

Daniel terá de consolidar sua liderança como governador. Caiado pretende preservar a influência que construiu no interior. Bruno buscará manter o espaço do União Brasil. A aliança continua de pé. O próximo desafio será definir como seus integrantes vão dividir o poder sem transformar a reorganização partidária em disputa dentro da própria base.

COLUNA DA ESQUERDA

O resultado entra na conta

Daniel Vilela vinculou o planejamento do próximo governo ao resultado presidencial. Incluiu nessa conta o mandato de Gracinha Caiado e o futuro político de Ronaldo Caiado. A declaração, feita no domingo em Nova Crixás, mostra que a reorganização da base não se encerra na discussão sobre prefeitos e partidos. Também depende do espaço que cada integrante poderá ocupar na relação com Brasília.

Gayer à mesa

Gustavo Gayer encerrou a campanha como anfitrião de Daniel, Caiado e Gracinha em Goiânia. Organizou o ato de sábado e reuniu lideranças que disputaram a eleição estadual em campos diferentes. A aproximação não constitui uma aliança para 2028, mas impede que a reorganização da direita goiana seja discutida apenas entre MDB, PSD e União Brasil. O senador eleito pelo PL também terá de ser considerado.

Bandeira compartilhada

Gracinha Caiado escolheu a segurança pública para sua manifestação no dia da votação. Defendeu a experiência goiana como referência nacional, aproximando a futura atuação no Senado da principal bandeira do marido. O movimento permite ao caiadismo manter esse discurso em Brasília enquanto Daniel passa a responder pelos resultados da administração estadual. Os três compartilham a pauta, mas ocuparão posições diferentes para defendê-la.

Bruno fica

Bruno Peixoto adiou uma viagem pessoal para assumir o governo durante o afastamento de Daniel, previsto entre 29 de outubro e 3 de novembro. A substituição é constitucional, mas ocorre num momento politicamente conveniente ao presidente do União Brasil. Enquanto os aliados discutem o destino dos prefeitos de seu partido, Bruno terá uma passagem pelo Executivo antes de trocar a Assembleia pela Câmara dos Deputados.

A conta dos suplentes

Bruno sinalizou apoio à permanência de Lincoln Tejota na Assembleia na próxima legislatura. Como o deputado ficou na suplência, o retorno dependeria da abertura de espaço entre os eleitos. Uma das possibilidades discutidas é a ida de um parlamentar da Federação União-PP para o secretariado. A montagem da equipe de Daniel terá, portanto, uma pressão adicional: acomodar aliados que não conseguiram renovar o mandato.

Aparecida se rearranja

O vereador Felipe Cortez, do Mobiliza, tem sinalizado a colegas que pretende deixar a oposição a Leandro Vilela e assumir uma posição independente. Não há adesão formal ao prefeito. Ainda assim, o movimento merece atenção: a ampliação da base dos Vilela pode ocorrer primeiro pela mudança de comportamento dos parlamentares e só depois chegar às fichas de filiação.

Apoio com dono

A aproximação de Cortez com a Assembleia de Deus Vila Nova encontrou um compromisso eleitoral já firmado. Rafael Gouveia afirmou que o grupo mantém Hanleryo Arantes, secretário de Defesa do Consumidor de Aparecida, como sua opção para vereador em 2028. A igreja está aberta à participação de Cortez, mas sua representação política não foi colocada em negociação. É um limite concreto à tentativa de ampliar a base do vereador.


COLUNA DA DIREITA


Espaço depois das urnas

Felipe Mabel, do Podemos, descartou, neste momento, disputar uma cadeira de vereador em Aparecida, mas afirmou que buscará espaço para continuar na vida pública. Ficou na suplência para deputado estadual e pretende preservar o grupo que o acompanhou. Não anunciou convite nem cargo. Sua situação ilustra outra negociação do pós-eleição: o destino dos candidatos que mobilizaram apoios, mas ficaram fora da distribuição de mandatos.

As contas de Mabel

Sandro Mabel confirmou ida à Câmara para prestar contas do segundo quadrimestre, em audiência marcada para segunda-feira (26). O encontro foi agendado depois da decisão judicial sobre a taxa do lixo e oferece aos vereadores a oportunidade de confrontar as alegações de dificuldade financeira com os dados do próprio Paço. Para o prefeito, a discussão sobre arrecadação precisa avançar além do embate político com os adversários da cobrança.

Dinheiro e relação política

O orçamento de Goiânia para 2027 prevê R$ 11,7 bilhões e abre uma negociação imediata entre Mabel e a Câmara. Relator da proposta, Ronilson Reis avisou que não pretende prorrogar o prazo das emendas, previsto para terminar em 6 de novembro. É nessa distribuição que os vereadores poderão mostrar capacidade de atender suas bases. A composição da nova Mesa não encerrou as negociações entre Legislativo e Prefeitura.

Divergência próxima

A cardiologista Ludhmila Hajjar, que atende Caiado, declarou apoio ao presidente Lula na reta final e colocou a defesa do SUS no centro de sua escolha. A relação profissional com o ex-governador não se converteu em alinhamento eleitoral. O episódio também impede uma leitura automática dos apoios: proximidade pessoal com uma liderança não significa adesão ao conjunto de suas posições políticas.

Tucanos na rua

Ex-secretária da Educação nos governos de Marconi Perillo, Raquel Teixeira participou do ato pró-Lula na Praça Universitária e foi saudada por Adriana Accorsi. A presença da ex-secretária de Educação acrescentou à mobilização um nome ligado aos governos tucanos em Goiás. Encerrada a disputa presidencial, fica uma questão concreta para esse grupo: manter alguma articulação conjunta ou limitar a aproximação à escolha feita no segundo turno.

Aava amplia interlocução

Aava Santiago participou da transmissão nacional organizada pelo deputado federal André Janones (Rede) diretamente da manifestação em Goiânia, no último sábado (24). A vereadora do PSB associou sua presença nas ruas à rede de comunicação da campanha presidencial. A relação com lideranças de fora do estado amplia suas possibilidades de atuação na oposição goiana, num campo em que o PT continua central, mas não reúne sozinho todos os personagens.

O desafio de Adriana

Adriana Accorsi anunciou que faria um balanço público depois do resultado presidencial. A tarefa política, porém, ultrapassa a avaliação da votação. A campanha reuniu petistas, socialistas e dissidentes de outros partidos. Caberá à direção do PT demonstrar se consegue preservar alguma cooperação entre esses grupos para a oposição em Goiás. Apoiar o mesmo candidato a presidente foi o ponto de encontro; a agenda estadual exige novos entendimentos.

O apoio que financiou

Duas pessoas ligadas a empresas de Catalão destinaram R$ 1 milhão à campanha de Flávio Bolsonaro, de acordo registros do TSE. Felipe Eleutério Alvares Vaz contribuiu com R$ 800 mil e Vaney Rosa de Oliveira, com R$ 200 mil. As doações, feitas pelos CPFs, mostram uma participação goiana que foi além dos palanques. O levantamento é parcial e não representa toda a arrecadação vinculada ao estado.

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