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Eleição na Alego esquenta o bastidor político


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 10/10/2026 - 16:52

Foto: Reprodução

A eleição para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa já virou o primeiro grande movimento de bastidor depois das urnas. Antes mesmo da posse da nova legislatura, deputados reeleitos, novatos, partidos e aliados do Palácio começaram a se mexer para definir quem comandará a Casa no biênio 2027/2028.

O tema interessa diretamente a Daniel Vilela. O governador terá base ampla na Alego, assim como Ronaldo Caiado teve, mas a escolha do sucessor de Bruno Peixoto será o primeiro teste concreto de comando político sobre a nova bancada.

Bruno deixa a presidência da Assembleia para assumir mandato de deputado federal, mas não sai pequeno do jogo. Foi eleito com peso próprio, conduziu a Casa por dois mandatos e ainda mantém influência sobre parte expressiva dos parlamentares. Sua movimentação na sucessão mostra que pretende preservar espaço no tabuleiro.

O primeiro gesto organizado partiu dos reeleitos. Um grupo de 21 deputados se reuniu na casa de Jamil Calife para discutir a sucessão. A mensagem foi clara: o próximo presidente deve sair de quem já está na Casa. A tese cria uma barreira política contra novatos e contra nomes que voltam à Assembleia com força própria.

Nesse grupo aparecem Jamil Calife, Issy Quinan, Virmondes Cruvinel e Wilde Cambão. Issy, atual primeiro vice-presidente da Casa e deputado do MDB, é tratado como um dos nomes mais competitivos. Tem partido, experiência e trânsito no governo. Mas a disputa não está fechada.

Paulo Cezar Martins entrou no jogo ao anunciar disposição de concorrer. Ele chega ao sétimo mandato, voltou ao MDB a convite de Daniel e tenta vender experiência como credencial para comandar a Assembleia. Sua entrada embaralha a conta dentro do próprio partido do governador.

Do outro lado, há nomes que chegam de fora da atual legislatura, mas não chegam pequenos. Lissauer Vieira volta à Alego pelo PL com o peso de ex-presidente da Casa. Paulo do Vale estreia como deputado estadual depois de comandar Rio Verde e sair das urnas com votação expressiva. Os dois representam o incômodo dos novatos: não participaram da legislatura atual, mas carregam capital político. 

A nova Alego terá MDB como maior bancada, PL em segundo lugar e União Brasil ainda tentando preservar influência pela herança de Bruno. O PT terá bancada relevante, mas deve ocupar mais espaço na oposição do que na articulação da Mesa. Fabrício Rosa, segundo deputado estadual com mais votos na eleição, defende inclusive que o partido lance candidatura. O centro da disputa está dentro da própria base.

Daniel não precisa apenas de maioria, mas também de coordenação. Uma base ampla pode aprovar projetos, mas também pode produzir ruído se começar dividida na primeira escolha relevante da legislatura.

A sucessão de Bruno, portanto, será mais do que a escolha de um presidente. Será a medição inicial de força entre governo, Assembleia, reeleitos, novatos e partidos. Daniel começa o mandato com vantagem numérica. A eleição da Mesa vai mostrar se essa vantagem já se converteu em comando político.

MDB em movimento
O MDB nacional marcou para terça-feira (13), em São Paulo, o anúncio do apoio majoritário de diretórios estaduais a Flávio Bolsonaro. Daniel Vilela entra nessa articulação como um dos governadores do partido mais alinhados ao candidato do PL.

Goiás na vitrine
A adesão rápida de Daniel e Caiado a Flávio colocou Goiás no centro da largada do segundo turno. O ato em Goiânia foi a primeira agenda pública do presidenciável depois do primeiro turno e serviu para mostrar recomposição da direita.

Cicatriz rápida
Caiado e Flávio trocaram críticas duras no primeiro turno. Dois dias depois da urna, dividiram palanque, elogios e discurso contra Lula. Política tem memória curta quando o segundo turno aperta.

Mabel pragmático
O prefeito de Goiânia Sandro Mabel declarou apoio a Flávio e disse ter conversado com Gustavo Gayer sobre recursos para Goiânia. O prefeito troca a disputa ideológica por uma conta objetiva: quem pode ajudar a capital a partir de 2027.

2028 no radar
O aceno visa um projeto a longo prazo. É que o PL foi o seu principal adversário nas eleições de 2024. Com a aproximação, Mabel tenta neutralizar um partido expressivo na corrida ao Paço. Circula nos bastidores que o chefe do executivo vai voltar a oferecer a posição de vice aos liberais.

Aparecida junto
O prefeito de Aparecida, Leandro Vilela, também sinalizou apoio a Flávio e disse que seguirá Daniel e Caiado. Na Região Metropolitana, Goiânia e Aparecida entram alinhadas ao mesmo campo no segundo turno presidencial.

Anápolis como base
Anápolis deu 63,08% dos votos válidos a Flávio no primeiro turno. A cidade administrada por Márcio Corrêa, do PL, vira uma das principais plataformas para o partido tentar esticar a votação no segundo turno.

PT mira ausentes
O PT em Goiás aposta na mobilização de quem não votou no primeiro turno. A conta é simples: com mais de 1 milhão de abstenções no Estado, buscar eleitor ausente pode render mais do que tentar converter bolsonarista.

Luis Cesar no radar
Depois de quase 10% de votos ao governo, Luis Cesar Bueno passa a ser observado como possível articulador do palanque de Lula em Goiás. O desafio é transformar voto estadual petista em presença real no segundo turno presidencial.

Vice discreto
Luiz do Carmo evita cobrar secretaria ou espaço público no novo governo. Diz que aguarda decisão de Daniel. Depois de uma campanha em que rodou o interior, o vice eleito tenta começar sem criar ruído interno.

Secretariado só depois
Daniel sinalizou que mudanças mais amplas na equipe devem ficar para 2027. A leitura é de cautela: venceu a eleição, entrou no segundo turno nacional e não precisa abrir guerra por cargos antes da hora.

Fátima agora
Entretanto, Daniel decidiu nomear Fátima Gavioli de volta à Secretaria de Educação. À coluna, ela garante ter perspectivas de permanecer no cargo no segundo governo danielista. “Sou uma mulher de missão”, afirmou.

Desconto em pauta
Candidato a conselheiro federal de Administração pela Chapa 1, o administrador Samuel Albernaz chega à eleição de quarta-feira (14) com a redução da anuidade entre as propostas. À coluna, diz ter apresentado ao conselho federal descontos para 2027 de 30% em janeiro, 20% em fevereiro e 10% em março. “O que queremos com isto é que a anuidade seja mais justa, acessível e previsível para a categoria.” Segundo Albernaz, sua chapa não tem concorrente à vaga federal.

Piso e prova
Albernaz também defende piso salarial de R$ 8.500 para administradores e um exame nacional de suficiência profissional, nos moldes da prova da OAB. Segundo ele, a proposta salarial foi encaminhada à deputada federal Flávia Morais e, em Goiás, ao deputado estadual Virmondes Cruvinel. Já o exame foi levado ao deputado federal Célio Silveira. A ideia prevê implantação gradual em três anos, inicialmente sem impedir o exercício profissional. As medidas dependem de aprovação legislativa.

 

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