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Caiado vai para o tudo ou nada

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) chegou à semana do 7 de Setembro pressionado por um problema simples: respeito político não virou intenção de voto


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 05/09/2026 - 10:49

Caiado vai para o tudo ou nada
Caiado vai para o tudo ou nada

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) chegou à semana do 7 de Setembro pressionado por um problema simples: respeito político não virou intenção de voto. Reconhecido como gestor, dono de uma marca forte na segurança pública e lançado pelo PSD ao Planalto, ele segue travado na largada presidencial e de acordo com a última Quaest, ele não passa de 1%. A campanha parece ter entendido que gestão, sozinha, não bastou. 

Na última sexta-feira (4), Caiado levou ao horário eleitoral a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A peça fala em “banda podre” comandando o país, cobra explicações de Lula e também mira Flávio Bolsonaro. É a entrada mais clara do ex-governador no terreno da crise institucional.

A leitura também foi feita pelo cientista político Guilherme Carvalho, a esta coluna. Para ele, Caiado precisa radicalizar o discurso à direita para disputar espaço com Flávio Bolsonaro. “Ele precisa mostrar ao eleitorado da direita que pode ser mais radical que Bolsonaro”, afirmou.

A direita chega ao 7 de Setembro tentando transformar a rua em demonstração de força. Flávio aposta no desgaste do STF para mobilizar o eleitorado bolsonarista. Caiado não poderia assistir de fora.

O problema é que ele precisa fazer mais do que engrossar o coro contra o Supremo. Se apenas repetir a plataforma de Flávio, continuará menor que Flávio dentro da própria direita. Para crescer, precisa convencer o eleitor conservador de que representa algo diferente: não só indignação, mas comando.

É aí que Goiás entra na estratégia. Caiado governou o Estado, construiu uma marca de segurança pública e saiu do Palácio das Esmeraldas com aprovação alta. Pode dizer que enfrentou facções, reorganizou presídios e deu respaldo à polícia. Mas ainda não transformou esse case em mensagem nacional.

O eleitor não quer apenas ouvir que Goiás ficou mais seguro. Quer entender o que ele fez, contra quem brigou e como repetiria a fórmula no país. A candidatura presidencial só cresce se a experiência goiana virar promessa nacional. Mas há outro cálculo possível.

Se perceber que a candidatura presidencial não decola, Caiado pode redirecionar parte da força política para Goiás. Nesse cenário, entraria de vez na campanha de Gracinha Caiado ao Senado, com o objetivo de garantir uma das duas vagas à ex-primeira-dama. Seria uma operação defensiva: preservar o capital acumulado no Estado onde deixou o governo com alta aprovação.

Não seria desistência formal, até porque Caiado continuaria falando ao país, mas com os pés mais fincados em Goiás. A eleição presidencial serviria também como palanque para proteger seu grupo, reforçar Daniel Vilela e consolidar Gracinha como herdeira direta do caiadismo.

A crise do STF abriu uma janela, mas não sem risco. O caso Vorcaro também encostou na própria chapa de Caiado. Em proposta de delação rejeitada pela PF e pelo Ministério Público, o ex-banqueiro citou Gilberto Kassab, presidente do PSD e vice do ex-governador, em suposta articulação envolvendo doações eleitorais em 2022. Kassab negou qualquer relação com Vorcaro e disse estar tranquilo.

Isso obriga Caiado a calibrar o ataque. Se mirar apenas Moraes, Lula e Flávio, adversários podem lembrar que o caso também ronda seu vice. A crise permite falar de autoridade, enfrentamento, ordem e sistema. Mas cobra cuidado de quem tenta usar o escândalo como arma eleitoral.

Wilder no encalço
A AtlasIntel mexeu no humor da oposição ao colocar Wilder Morais numericamente à frente de Marconi Perillo. O senador ainda está longe de Daniel Vilela, mas ganhou argumento para vender a tese de que a disputa contra o governo passa pelo PL, não pelo PSDB.

Confiança
Wilder se mostra confiante e já fala em vitória no 1º turno, por isso, rejeita falar sobre alianças futuras ao ser questionado sobre apoio de Marconi Perillo em eventual 2º turno. “Eu não trabalho com se”, crava.

Marconi pressionado
Marconi entra na próxima semana com um incômodo novo: deixou de brigar só contra Daniel e passou a ter de responder a Wilder. Para quem apostava no recall como caminho natural ao segundo turno, ser ultrapassado pelo bolsonarismo acende alerta.

Boulos no palanque
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, passou por Goiânia e tentou dar choque de ânimo na campanha de Luis Cesar Bueno. “Ele é o mais preparado para enfrentar a máquina liderada por Ronaldo Caiado. O PT escolheu bem o seu candidato”, afirmou à este colunista.

Sem debate
O problema é que, com a propaganda eleitoral em curso e após dois debates, Luis Cesar Bueno parece apostar mais em um legado das obras federais em Goiás do que no enfrentamento ao Governo Estadual.

Sem Lula
A campanha de Luis Cesar segue esperando Lula em Goiás. E deve ficar nisso. A este colunista, o ministro joga balde de água fria em quem espera a maior liderança da esquerda do Brasil. “Agenda dele é construída semana a semana e ele tem compromisso como presidente a maior parte da semana. Por enquanto, isso não está no radar”, afirma.

Mabel escondido
A campanha de Daniel tem evitado associar demais a imagem do governador à de Sandro Mabel nas redes. O prefeito é aliado importante, mas Goiânia ainda cobra serviços básicos, obras, trânsito e zeladoria. Na capital, abraço político também tem custo.

Base municipal
Mabel, por outro lado, precisa de Daniel tanto quanto Daniel precisa administrar Mabel. A Prefeitura depende da parceria com o governo estadual para entregar obras e reduzir desgaste. A relação é necessária, mas a campanha sabe que nem toda necessidade precisa virar postagem.

“Estrorvantes”
A deputada estadual Rosângela Rezende subiu o tom contra adversários da região de Mineiros. Em entrevista a este colunista, chamou o grupo de “estrorvantes”. O adjetivo não está no dicionário, mas remete a estorvo. A fala mira especialmente Ana Paula Rezende, primeira-dama do município e mulher de seu primo, Aleomar Rezende.

Rompimento
Rosângela também detalhou o rompimento com Aleomar Rezende. Disse que a relação política se desgastou depois que o primo chegou à Prefeitura de Mineiros e passou a construir outro grupo. A deputada tenta mostrar que a divergência não é apenas familiar. É disputa direta por comando político no município.

PL dividido
O 7 de Setembro vai expor uma divisão prática no PL goiano. Parte do grupo estará em São Paulo, no ato nacional com Flávio Bolsonaro. Outra parte tenta sustentar mobilização em Goiânia. A direita fala em unidade, mas a geografia mostra disputa de prioridade.

Gayer nacional
Gustavo Gayer tem mais a ganhar no ato da Paulista do que em evento local. Ao lado de Flávio, Nikolas e Valdemar Costa Neto, reforça o personagem nacional. O problema para Wilder é simples: quanto mais Gayer nacionaliza a própria imagem, menos depende da campanha estadual do PL.

Nikolas no radar
As conversas de Nikolas Ferreira com Daniel Vorcaro entraram no debate nacional e respingam na direita goiana. Gayer construiu parte de sua força orbitando o mesmo campo político. A oposição vai tentar transformar o caso em desgaste coletivo do bolsonarismo.

Luis Cesar animado
Depois da AtlasIntel, Luis Cesar Bueno passou a falar em segundo turno. É otimismo de campanha, mas tem função política. Ele já havia destacado à este colunista que passaria a aparecer competitivo nas pesquisas em setembro.

Campanha em teste
A próxima semana será de comparação. Daniel tentará transformar vantagem em inevitabilidade. Wilder tentará provar que virou o adversário principal. Marconi terá de reagir. Luís César também vai tentar mostrar Boulos não foi só visita de ministro. A campanha começou a cobrar entrega.

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