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Esquerda vai chegar às eleições dividida em Goiás


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 26/07/2026 - 09:00

Na semana decisiva em que as convenções partidárias começam a definir os rumos das eleições de outubro, a chamada frente ampla democrática, criada para sustentar um palanque único ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás, parece entrar em combustão. Depois de inúmeras reuniões, os partidos ainda não chegaram a um consenso sobre a chapa majoritária.

O encontro da última quinta-feira (23) terminou, mais uma vez, sem solução. A vice foi encaminhada ao PDT, mas as duas vagas ao Senado continuam disputadas por PSOL, PSB e PCdoB. Como há três interessados para apenas dois lugares, a unidade passou a depender de quem aceitará ficar de fora. Até agora, ninguém demonstrou disposição para o sacrifício.

O PT já ocupa a cabeça de chapa com Luis Cesar Bueno. O PDT avançou sobre a vice. Restou aos demais partidos medir forças por duas candidaturas ao Senado. O PSOL apresenta Cíntia Dias. O PSB defende Isaura Lemos. O PCdoB trabalha com Aldo Arantes. O PV também tem interesse no posto.

O PSOL sustenta que ajudou a ampliar a aliança, inclusive na aproximação com o PDT, e agora cobra reconhecimento na composição da majoritária. A presidente estadual da legenda, Cíntia Dias, resumiu o desconforto: “A única certeza é que trabalhamos pela frente. Agora, a frente também precisa trabalhar pela unidade”.

A declaração deixa a responsabilidade por um eventual rompimento no colo dos demais partidos. O PSOL afirma que ainda trabalha pela frente, mas avisa que não aceitará ser tratado apenas como figurante. Depois da reunião, dirigentes da legenda voltaram a conversar com o PSB. Nos bastidores, cresce a possibilidade de palanques diferentes de apoio a Lula no Estado.

A divisão não começará quando uma sigla anunciar candidatura própria. Ela já existe quando aliados passam a negociar alternativas enquanto repetem publicamente que a prioridade é a unidade. O esforço parece ser menos para impedir a separação e mais para definir quem será responsabilizado por ela.

O impasse expõe uma dificuldade antiga da esquerda goiana. Os partidos conseguem se reunir contra um adversário comum, mas encontram obstáculos quando precisam dividir poder, candidaturas e tempo de campanha. A frente ampliou o número de siglas à mesa sem ampliar o número de vagas.

Ainda pode haver acordo formal até as convenções. Um nome pode recuar, outro pode ser compensado na proporcional e os dirigentes poderão aparecer juntos em uma fotografia de unidade. Isso, porém, não elimina as feridas abertas durante a negociação.

O mais provável é que Lula tenha mais de um grupo pedindo votos em seu nome em Goiás. A frente que nasceu para evitar a fragmentação caminha para chegar às urnas dividida. Não por divergência sobre o presidente, mas porque seus aliados não conseguiram decidir quem deveria abrir mão do próprio projeto.

Marconi troca o motor
Depois da saída de Marcelo Vitorino para a campanha de Wilder Morais, Marconi Perillo entregou o marketing ao publicitário Lula Guimarães. A troca mostra que a primeira crise da pré-campanha tucana foi respondida com mudança de comando, mas também dá munição aos adversários para explorar a instabilidade da equipe.

Câmara em marcha lenta
Sandro Mabel e Wellington Bessa decidiram manter a liderança do governo mesmo com o vereador candidato a deputado estadual. O argumento do prefeito é revelador: com tantos parlamentares envolvidos na campanha, a Câmara deverá reduzir o ritmo e trabalhar por meio de esforços concentrados. A eleição ainda não começou oficialmente, mas já alterou o calendário político do Paço.

Fila para Gracinha
Como já mostrado nesta coluna, o senador Vanderlan Cardoso, o ex-prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, e o deputado federal Zacharias Calil procuram construir dobradinhas com Gracinha Caiado. A ex-primeira-dama virou o ponto aparentemente pacífico de uma chapa ao Senado que ainda abriga mais candidatos do que vagas. Todos querem aparecer ao lado de Gracinha.

Faltou entregar
A Secretaria Municipal de Saúde aplicou até agora R$ 45 mil em multas a três fornecedores por falhas na entrega de materiais e vai continuar multando. Nos despachos, a própria pasta fala em “flagrante negligência” e diz que a falta dos produtos poderia colocar em risco a qualidade e a eficiência da rede. A Dental Bonsucesso recebeu duas multas e ficou impedida de licitar com a administração pública por dois anos.

Sete de uma vez
O secretário municipal de Saúde, Luiz Gaspar Machado Pellizzer, abriu sete sindicâncias em uma única edição do Diário Oficial. As portarias mencionam “eventuais irregularidades administrativas”, mas não revelam os fatos investigados. Parte dos processos tramita desde 2025, incluindo um aberto em maio daquele ano. O prazo para conclusão é de 60 dias, prorrogável por mais 60.

Contas em espera
Atas do Conselho Fiscal do Imas mostram que a análise do balancete de dezembro de 2025 foi suspensa para priorizar a elaboração de um novo regimento interno. Em outro trecho, o colegiado cita a necessidade de dar baixa em registros prescritos até dezembro de 2020 para evitar risco de pagamentos em duplicidade.

Quase metade do programa

Daniel deve começar a campanha com 4 minutos e 56 segundos em cada bloco de dez minutos do horário eleitoral, apoiado por pelo menos dez partidos. É quase o dobro do tempo projetado para Luis Cesar Bueno e mais de oito vezes o reservado a Marconi. A desigualdade não aparece apenas nas pesquisas ou no número de prefeitos. Também estará na televisão.

O PDT vale 24 segundos
A disputa pelo PDT não envolve apenas a vice. Sem o partido, Daniel Vilela terá estimados 4 minutos e 56 segundos em cada bloco do horário eleitoral. Com a legenda, sobe para 5 minutos e 20 segundos. Luis Cesar Bueno passaria de 2 minutos e 8 segundos para 2 minutos e 27 segundos. Marconi Perillo sairia de 34 para 52 segundos. Na reta final, o partido de Kowalsky Ribeiro virou uma pequena fortuna medida no relógio.


Último dia congestionado
Como a Tribuna Política tratou na última semana. Partidos deixaram as decisões para a última hora. MDB, União Brasil e a parcela significativa da chamada “base aliada”, marcaram suas convenções para 5 de agosto, no Centro de Convenções de Goiânia. O PSDB ocupará a Assembleia Legislativa na mesma data. PL e PSD também reservou o último dia permitido.. A concentração mantém abertas até o limite as negociações sobre vice, Senado e alianças.

Efeito rebote
Estrategistas de partidos aliados avaliam que a ofensiva jurídica do PSDB contra Aava Santiago pode produzir um efeito político contrário ao pretendido. Em vez de enfraquecer a vereadora, a ação pode entregar ao campo governista um símbolo local de perseguição política.

A conferir
O julgamento foi suspenso após pedido de vista no TRE-GO. Caso o tribunal acolha os argumentos tucanos e determine a perda do mandato, Aava, mulher mais votada para a Câmara de Goiânia em 2024, com 10.482 votos, poderá sair politicamente maior do processo.

Nos braços de Lula
Nos bastidores, a avaliação é de que uma decisão desfavorável empurraria Aava definitivamente para o campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio também poderia antecipar uma candidatura da vereadora à Câmara dos Deputados, sustentada pelo discurso de vítima de uma perseguição partidária. A tentativa de recuperar uma cadeira para o PSDB acabaria oferecendo à esquerda uma candidatura de maior apelo eleitoral.

Brasília em silêncio
A poucos dias da convenção, a pré-candidatura de Luis Cesar Bueno ao governo de Goiás ainda não recebeu o aval público da direção nacional do PT. O silêncio do comando presidido pelo ex-prefeito de Araraquara Edinho Silva mantém aliados desconfiados sobre a permanência do petista na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.

Coluna avisou

A Tribuna Política já registrou que, em algum momento, Luis Cesar poderia recuar. Quanto mais a direção estadual avança sem o sinal verde de Brasília, mais a pré-candidatura parece cumprir uma função provisória: manter o PT na mesa enquanto Lula decide qual palanque considera mais competitivo em Goiás.

 

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