Os partidos goianos decidiram transformar as convenções, que começam a acontecer a partir desta segunda-feira (20), em mais do que atos formais para homologar candidaturas. A maior parte das decisões relevantes em relação aos cargos que ocuparão os espaços na chapa majoritária foi empurrada para os últimos dias do prazo eleitoral. Vice, candidatos ao Senado e composição das alianças continuam submetidos a negociações que só devem terminar quando já não houver mais calendário para gastar.
A concentração dos principais encontros em 4 e 5 de agosto não é coincidência. O prazo adicional mantém disponíveis os poucos espaços que ainda servem para atrair partidos, acomodar aliados e evitar dissidências. Antecipar uma escolha, neste momento, significa entregar poder de negociação.
Na base governista, a principal pendência é a vice de Daniel Vilela. O MDB marcou sua convenção para 5 de agosto, no Centro de Convenções de Goiânia, onde o União Brasil também pretende reunir seus convencionais. Até lá, Adriano da Rocha Lima, Luiz do Carmo e José Mário Schreiner seguem no tabuleiro. Todos estão no PSD, partido do ex-governador Ronaldo Caiado, a quem é atribuída influência decisiva sobre a indicação.
A demora não revela apenas dificuldade para escolher um nome. A vice tornou-se peça da sucessão de 2030. Caso Daniel seja reeleito, ficará impedido de disputar novamente o governo quatro anos depois. Quem ocupar o posto estará perto do centro do poder e poderá assumir o Estado em uma eventual desincompatibilização do titular. A escolha, portanto, vale mais do que uma composição para outubro.
Também falta organizar os rumos ao Senado. Gracinha Caiado, Gustavo Mendanha, Vanderlan Cardoso e Zacharias Calil circulam dentro do mesmo campo político, mas quatro candidaturas precisam disputar duas vagas. As manifestações públicas de unidade convivem com uma conta que ainda não fechou. A convenção poderá confirmar uma aliança ou apenas oficializar uma disputa interna transferida para as urnas.
O ex-governador Marconi Perillo segue caminho semelhante. O PSDB reservou 5 de agosto para definir uma chapa que ainda não tem vice e mantém alternativas abertas para o Senado. Iure de Castro aparece como nome mais encaminhado, enquanto Benedito Torres, Jalles Fontoura e Ernesto Roller, que até pouco tempo atrás era aliado de primeira hora de Caiado, circulam nas conversas tucanas. Nesse caso, esperar também significa observar quais nomes serão descartados pelos outros grupos.
Na esquerda, a chamada frente ampla chega às convenções sem resolver sequer quem comandará a chapa. A direção estadual do PT sustenta Luis Cesar Bueno como candidato ao governo, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prefere Adriana Accorsi, que insiste na reeleição para a Câmara.
A coalizão formada por PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB, PV e Rede ainda precisa definir as vagas ao Senado e transformar a extensa lista de siglas em unidade política. Por enquanto, a frente é mais ampla no papel do que no palanque. Há quem diga que o PSOL deve desembarcar numa candidatura própria encabeçada por Cíntia Dias, repetindo 2026, e o PSB vai investir num plano avulso lançando a ex-deputada estadual Isaura Lemos ao Senado.
O PL é a exceção parcial. Wilder Morais apresentou Ana Paula Rezende como vice ainda em fevereiro e chega à convenção com o topo da chapa encaminhado. Mesmo assim, as candidaturas ao Senado e a formação definitiva do palanque ainda dependem do encontro marcado para o último dia do prazo. Atualmente, a legenda trabalha com os nomes do deputado federal Gustavo Gayer e do vereador Oséias Varão.
Fora da convenção
Enquanto os partidos voltam os olhos para as convenções, a vereadora Aava Santiago, que deixou o PSDB para assumir a presidência estadual do PSB, tem outra preocupação. O TRE-GO julga, na quarta-feira (22), a ação que pode lhe tirar o mandato. Os tucanos a acusam de infidelidade partidária por deixar a sigla fora da janela e sem carta de anuência.
Quem assume é…
Se o pedido dos tucanos for acolhido, o primeiro suplente Michel Magul assume a cadeira na Câmara de Goiânia. Diretor de Relações Institucionais da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Magul trabalha ao lado do presidente da casa, Bruno Peixoto, mas também é um dos braços direitos do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) na sua campanha.
“Serenidade”
Aava Santiago afirma receber com serenidade o julgamento e confia que o TRE-GO reconhecerá a legitimidade de seu mandato. A vereadora diz acreditar na estratégia de sua defesa e garante que seguirá dedicada à fiscalização da Prefeitura e à atuação na Câmara de Goiânia enquanto o processo tramita. No off, porém, aliados da parlamentar já trabalham nas alternativas pós-cassação.
Banco de reservas
Marconi Perillo também deixará para a convenção a escolha do vice. O ex-deputado estadual Hélio de Sousa, os empresários Jalles Fontoura e Otavinho Lage, além de Eliane Pinheiro, uma das principais articuladoras da campanha tucana, aparecem entre os cotados, mas o tucano prefere atrair um nome de outra legenda que amplie sua aliança. “Vamos esperar até a última hora. Há muito espaço até as convenções acontecerem”, salienta.
Nome do Sudoeste
O ex-prefeito de Santa Helena de Goiás João Alberto Vieira Rodrigues (PRD) também passou a ser citado nos bastidores para a vice de Marconi Perillo. Filho do ex-governador Alcides Rodrigues, ele é médico e estava colocado como pré-candidato a deputado estadual. O movimento daria à chapa tucana presença no Sudoeste e abriria espaço para uma composição com a federação PRD-Solidariedade.
Descartado
Presidente da Federação PRD-Solidariedade, Gustavo Mendanha descarta a indicação de João Alberto Vieira Rodrigues para vice de Marconi Perillo. “Não há qualquer condição de fazermos algum tipo de composição com o PSDB. Eu já rejeitei essa tese em momentos anteriores e isso não vai mudar agora”, afirma. Vale lembrar: tanto João Rodrigues como o pai, ex-governador Alcides Rodrigues, já declararam apoio a Mendanha.
Sem margem
Mendanha aponta que a convenção da federação foi marcada para o mesmo dia e local do encontro do MDB como demonstração de permanência na base de Daniel Vilela. A estratégia é afastar especulações sobre eventuais fissuras no grupo governista.
Mais caro até morrer
A Prefeitura reajustou em 7,63% as tarifas dos serviços funerários de Goiânia. Uma urna especial pode chegar a R$ 29,1 mil, enquanto a zincada passa a custar R$ 11,9 mil. O decreto afirma que os preços estavam sem atualização desde 2022.
R$ 6,3 milhões em AR
Mabel abriu crédito suplementar de R$ 6,3 milhões para a Secretaria da Fazenda pagar serviços dos Correios. O valor será destinado exclusivamente a postagens com Aviso de Recebimento, mecanismo utilizado para notificações oficiais.
Emendas destravadas
Outro decreto remaneja R$ 28,2 milhões para a Secretaria de Articulação Institucional executar emendas impositivas dos vereadores. A Prefeitura admite que a dotação disponível era insuficiente e alerta que a falta do reforço poderia impedir repasses a organizações da sociedade civil.
Nome na placa
Lei promulgada pelo presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), obriga placas de obras financiadas por emendas a informar o nome do parlamentar responsável pelo recurso. A norma exige padronização e proíbe destaque visual, mas entrega aos vereadores uma identificação política permanente nas obras.
Mabel veta pauta conservadora
O prefeito vetou integralmente o projeto que estabelecia o sexo biológico como único critério para participação em competições esportivas oficiais de Goiânia. A Procuradoria apontou invasão de competência da União, discriminação contra pessoas trans e risco de violação de direitos fundamentais. O projeto era do vereador Coronel Urzeda (PL).
Todos por Gracinha
Os outros três candidatos da base ao Senado apostam em dobradinhas com Gracinha Caiado. Na última semana, Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha dividiram agendas com a ex-primeira-dama. Nos próximos dias, será a vez de Zacharias Calil aparecer ao lado dela. Entre quatro nomes para duas vagas, Gracinha tornou-se o ponto comum das campanhas.
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