O PL oficializou neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Sem apresentar um nome para a vice e ainda distante de uma coligação nacional, o partido recorreu à imagem de Jair Bolsonaro produzida por inteligência artificial e ao presidente da Argentina, Javier Milei, para dar peso político ao lançamento.
A convenção foi realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, participaram do evento. As presenças, contudo, não representaram adesão formal de Republicanos ou MDB à candidatura. O PL encerrou o encontro sem resolver a composição da chapa e sem anunciar uma aliança com partidos do Centrão.
Michelle Bolsonaro não compareceu. A ex-primeira-dama enviou uma gravação de quatro minutos, justificou que permaneceu em Brasília para cuidar do marido e mencionou Flávio apenas uma vez. Foi sua primeira manifestação pública de apoio ao enteado após uma sequência de atritos entre os dois.
“Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura, que Ele te dê sabedoria, coragem e força para cumprir esta missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece”, afirmou Michelle.
A participação a distância amenizou o desgaste familiar, mas não definiu qual será o papel da ex-primeira-dama na campanha. Michelle deixou recentemente a presidência do PL Mulher e alegou que pretende se dedicar aos cuidados de Jair Bolsonaro.
Bolsonaro digital
Impedido de participar presencialmente, Jair Bolsonaro apareceu em um vídeo produzido com inteligência artificial. A representação digital usou a imagem e a voz do ex-presidente para apresentar Flávio como seu sucessor político.
“Peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir. Sangue do meu sangue, meu filho Flávio”, afirmou a versão digital de Bolsonaro exibida no telão.
O material reforçou o caráter familiar da candidatura. Jingles, discursos e vídeos repetiram referências ao sobrenome Bolsonaro e apresentaram o senador como responsável por preservar o projeto político do pai. Flávio chorou ao falar do ex-presidente e prometeu recebê-lo novamente no Palácio do Planalto.
“Pai, eu vou te honrar. E você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem”, disse.
A convenção também exibiu mensagens dos irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro, do deputado federal Nikolas Ferreira e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O conjunto mostrou uma campanha concentrada na mobilização da base bolsonarista, sem sinais concretos de expansão para fora desse campo.
Milei assume protagonismo
Principal presença internacional, Javier Milei fez um discurso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Supremo Tribunal Federal e setores da esquerda. O argentino também criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes que o impediu de visitar Jair Bolsonaro.
“Lula se vê ameaçado porque será derrotado por essa maioria que sofreu abusos. Falo de Flávio Bolsonaro e de meu melhor amigo, Jair Bolsonaro”, declarou Milei.
A participação do presidente argentino criou o principal fato político da convenção e ocupou o espaço deixado pela ausência de aliados partidários nacionais. Antes do evento, Milei foi recebido por Tarcísio, Flávio e Ricardo Nunes no Palácio dos Bandeirantes.
Tarcísio também fez um apoio enfático. O governador afirmou que Flávio poderá ser maior que o próprio pai e disse que Jair Bolsonaro voltará ao Planalto para visitar o filho.
Ataques a Lula e ao STF
Em seu primeiro discurso como candidato oficial, Flávio concentrou os ataques no governo federal e no Judiciário. O senador associou a gestão petista à inflação, à corrupção e à perda do poder de compra da população.
“Quem teve três mandatos para fazer e não fez não merece o quarto. Não vai fazer de novo”, afirmou, em referência ao presidente Lula.
O candidato também criticou a possibilidade de Lula indicar mais quatro ministros para o Supremo em um eventual novo mandato. “Imagine ele indicando mais quatro Alexandres de Moraes. Para onde esse país vai? A democracia está esculhambada”, disse.
Na apresentação das primeiras propostas, Flávio defendeu redução de impostos, incentivo ao empreendedorismo, endurecimento das penas criminais e castração química para condenados por estupro de crianças. O programa, no entanto, apareceu de forma secundária diante das referências ao pai, dos ataques ao PT e da participação de Milei.
A convenção confirmou uma candidatura que permanece competitiva eleitoralmente, mas ainda isolada na composição partidária. O Datafolha divulgado na sexta-feira (24) mostrou Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio. Na simulação de segundo turno, o presidente marcou 48%, e o senador, 43%.














