O Ministério das Relações Exteriores ampliou a reação diplomática às ofensas feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a convenção nacional do PL.
O Itamaraty chamou para consultas em Brasília o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. A decisão foi tomada depois de o chanceler Mauro Vieira conversar com Lula e representa uma manifestação formal de descontentamento do governo brasileiro.
Na sequência, o ministério convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos. Segundo relatos publicados nesta segunda-feira (27), o diplomata foi informado de que o governo considera inaceitáveis as declarações contra autoridades e instituições brasileiras.
Milei participou, no sábado (25), em São Paulo, da convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Ao discursar, chamou Lula de “presidiário”, acusou o governo brasileiro de ser formado por “socialistas ladrões” e pediu a derrota do presidente nas eleições de outubro.
O argentino também atacou Alexandre de Moraes, a quem chamou de “lixo careca”. A declaração ocorreu após o ministro negar autorização para que Milei visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A retirada temporária de um embaixador para consultas é um instrumento diplomático utilizado para demonstrar insatisfação e avaliar os próximos passos da relação entre dois países. A medida não representa rompimento, mas sinaliza um agravamento das tensões entre Brasília e Buenos Aires.
Fachin fala em falta de civilidade
O presidente do STF, Edson Fachin, também reagiu às declarações. Em nota oficial, classificou a manifestação de Milei como uma “referência desrespeitosa” e defendeu a autonomia do Judiciário brasileiro.
“Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, afirmou Fachin.
As declarações aprofundam o desgaste entre Lula e Milei, que mantêm uma relação marcada por divergências políticas e pela ausência de encontros bilaterais desde a posse do presidente argentino.















