Candidato do PT ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad relatou nesta quarta-feira 12 uma suposta tentativa de intimidação por agentes da Polícia Militar e afirmou que pedirá providências à Secretaria Estadual de Segurança Pública, subordinada ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em outubro.
Segundo a versão de Haddad, o episódio ocorreu na noite de terça-feira, quando ele retornava para casa após participar de um evento na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, no centro da capital, por volta das 22h30. O carro em que estava teria sido abordado por uma viatura da PM “de forma um pouco ostensiva, mas rápida”.
“Achei um episódio relativamente normal, acontece de você estar fazendo uma ronda. Mas o meu carro, depois que me deixou em casa, foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo, de forma um pouco ostensiva e intimidadora”, afirmou Haddad, em coletiva de imprensa após sabatina na sede da Ordem dos Advogados do Brasil.
O advogado de Haddad, Hélio Silveira, afirmou que o motorista do candidato estava “muito abalado” e relatou que os policiais portavam três fuzis. O motorista teria se dirigido à viatura e ouvido uma resposta ríspida: “vaza daqui”. Haddad afirmou que levará o caso à Secretaria Estadual de Segurança Pública e que não vê razão para que o episódio não seja esclarecido: “Estou cumprindo a minha obrigação de levar ao conhecimento do governo do estado um episódio que não foi agradável e pode ter sido apenas um mal entendido”.
O governo de São Paulo rebateu a acusação por meio do secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. Segundo ele, a PM estava em uma operação contra quatro suspeitos de roubarem celulares na Avenida 9 de Julho, conhecida como “gangue do quebra-vidro”. Os policiais seguiram o carro do motorista de Haddad por considerá-lo suspeito, mas, ao verificar que não tinha relação com o crime, a viatura se afastou. A versão foi confirmada por um boletim de ocorrência, que não menciona o episódio com Haddad.
A Secretaria de Segurança Pública afirmou, em nota, que determinou à PM a identificação das equipes que estavam na região naquele horário para apurar as circunstâncias e que qualquer desvio de conduta será investigado.
Cidadãos que se sentirem vítimas de abuso de autoridade ou abordagem policial irregular podem registrar denúncia na Ouvidoria da Polícia Militar (0800-284-1000), na Corregedoria da PM ou no Ministério Público Estadual. Boletins de ocorrência podem ser registrados presencialmente em qualquer distrito policial. Para casos de abuso de poder, a Defensoria Pública oferece orientação jurídica.
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