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Empresários lançam campanha nacional contra votação do fim da escala 6×1 antes das eleições

CNC lança campanha nacional contra votação do fim da escala 6x1 antes das eleições; entidade alerta para riscos de inflação e desemprego


Fábio Prado Por Fábio Prado em 01/09/2026 - 14:42

Empresários lançam campanha nacional contra votação do fim da escala 6x1 antes das eleições
Empresários lançam campanha nacional contra votação do fim da escala 6x1 antes das eleições - Foto: Edilson Rodrigues/ Agência Senado

Sob o lema “Agora não”, CNC reúne 34 entidades para pressionar Senado e adiar decisão sobre PEC que reduz jornada de 44 para 40 horas semanais.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lançou uma campanha nacional para barrar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 durante o período eleitoral. A mobilização reúne 34 federações e sindicatos aliados e tem como lema: “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”.

A PEC 221/2019, que tramita no Senado, prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da garantia de duas folgas remuneradas por semana. O texto aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, marcada para quarta-feira (2), e a expectativa é que a votação ocorra em plenário em um momento de esforço concentrado no Congresso.

Argumentos do empresariado

O setor empresarial argumenta que a mudança no regime de jornada em um setor com mais de 90% da mão de obra no regime 6×1 elevaria os custos operacionais, o que seria repassado ao consumidor na forma de inflação, podendo causar redução de vagas e aumento da informalidade. A CNC afirma que o país vive um cenário de “juros altos, crédito caro e restritivo, endividamento recorde das famílias, inadimplência sem precedentes entre as empresas, desinvestimento e saída de empresas estrangeiras”.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que “o setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade”. A entidade defende que a discussão sobre a jornada seja feita com estudos técnicos e participação de trabalhadores, empregadores e especialistas, e que uma eventual votação ocorra após as eleições.

Em diferentes regiões do país, lideranças empresariais reforçaram o pedido de adiamento. Na Bahia, presidentes da Fecomércio, da Fieb e da Faeb alertaram para impactos como aumento de custos na indústria, no transporte e no agronegócio. No Rio de Janeiro, Fecomércio, Firjan e ACRJ enviaram posicionamento conjunto ao Congresso, afirmando que uma mudança estrutural como essa “não deve ser aprovada de forma acelerada durante o período eleitoral”.

Reações e contraposições

O empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, classificou a medida como “estelionato eleitoral” em um vídeo direcionado aos funcionários. Ele argumentou que o fim da escala 6×1 impactaria o preço dos produtos e diminuiria o poder de compra dos trabalhadores. “A liberdade do trabalho é de vocês e não do Congresso Nacional”, disse.

A declaração gerou reação contrária. A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) anunciou que acionará o Ministério Público do Trabalho contra o empresário. A campanha contra o fim da escala 6×1 também tem sido associada a um movimento mais amplo do empresariado para evitar que pautas consideradas sensíveis avancem em ano eleitoral.

De acordo com uma pesquisa Datafolha divulgada em março, 71% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1. A proposta tem apoio do governo Lula e é considerada prioritária para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A votação na CCJ do Senado é vista como a última janela para apreciação da matéria antes do início do período eleitoral.

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