Duas decisões judiciais envolvendo Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão, provocaram uma mobilização de apoiadores nas redes sociais. Uma hashtag citando o fundador do MBL entrou na lista de assuntos mais comentados do X após o presidenciável ter a previdência privada bloqueada e sofrer restrições em sua campanha eleitoral.
Os casos são independentes. O bloqueio dos planos de previdência foi determinado pela Justiça do Trabalho de Minas Gerais em uma ação que cobra uma dívida de R$ 61,8 mil. Já as restrições eleitorais foram impostas cautelarmente pelo ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), devido ao registro fora do prazo de perfis utilizados pela campanha.
De acordo com a CNN Brasil, a ordem de bloqueio foi expedida pelo juiz Ordenisio Cesar dos Santos. A ação foi apresentada por um pintor que trabalhou em 2013 na empresa Farbenplas Automotiva.
O trabalhador afirma que Renan teria adquirido a empresa por meio de um contrato particular, sem registrar a alteração societária na Junta Comercial de Minas Gerais. Segundo o processo, o funcionário foi dispensado sem receber verbas rescisórias, salários referentes a abril e maio daquele ano e adicional pelo trabalho em condições consideradas insalubres.
A ação foi protocolada em 2014 e teve decisão favorável ao pintor em 2016. Como o débito permanece sem pagamento, a Justiça determinou agora o bloqueio dos planos de previdência atribuídos ao candidato.
A assessoria de Renan Santos negou que ele tenha integrado o quadro societário da Farbenplas Automotiva ou possua responsabilidade pelas dívidas trabalhistas. A defesa classificou a inclusão do presidenciável no processo como indevida e informou que recorrerá da decisão.
Campanha digital e debates foram suspensos
Em outra frente, o ministro Dias Toffoli determinou a suspensão de parte da campanha digital de Renan Santos. A decisão impede a realização de propaganda eleitoral em páginas e perfis que não foram informados dentro do prazo à Justiça Eleitoral.
O candidato também ficou temporariamente impedido de participar de debates e entrevistas em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. A medida suspendeu ainda novos repasses do Fundo Eleitoral e proibiu o partido de realizar gastos com recursos públicos já recebidos.
A decisão não representa, até o momento, o cancelamento definitivo da candidatura. Trata-se de uma medida cautelar que restringe atividades da campanha enquanto o caso é analisado pelo TSE.
Segundo a decisão, Renan informou inicialmente ao tribunal apenas um site e uma conta no X. Posteriormente, 16 perfis teriam sido acrescentados, 12 dias depois do pedido de registro da candidatura. Uma das contas possuía aproximadamente 2,4 milhões de seguidores.
Para Toffoli, o atraso não seria apenas uma falha formal, pois poderia ter dado vantagem à campanha nos sistemas de recomendação das plataformas. Desde 2024, as redes sociais devem impedir que os perfis eleitorais oficialmente registrados sejam recomendados automaticamente aos usuários. A falta de registro poderia, portanto, ter permitido que as páginas continuassem recebendo divulgação algorítmica.
Renan atribuiu o problema a uma falha no sistema de registro da Justiça Eleitoral. A defesa considera a punição desproporcional e anunciou que recorrerá ao TSE para tentar restabelecer a participação em debates e as atividades digitais.
Hashtag entra nos assuntos mais comentados
Após a divulgação das decisões, apoiadores começaram a publicar mensagens com uma hashtag específica e a expressão entrou nos assuntos mais comentados do X e reuniu postagens de solidariedade ao candidato, críticas ao Judiciário e pedidos para que as restrições fossem derrubadas.
Renan também alterou suas imagens nas redes sociais e passou a utilizar uma fotografia com a palavra “censurado” sobre os olhos. Durante entrevista coletiva, classificou a decisão eleitoral como injusta e afirmou que a suspensão prejudica principalmente candidatos com pouco tempo de propaganda na televisão.
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) também se manifestou publicamente em apoio a Renan e afirmou esperar que a situação eleitoral do adversário seja restabelecida. A mobilização ampliou a repercussão do caso, mas o volume de publicações na plataforma não permite, isoladamente, concluir que houve crescimento nas intenções de voto.
A defesa de Renan tenta agora reverter tanto o bloqueio determinado pela Justiça do Trabalho quanto as restrições impostas pelo TSE. Enquanto os recursos não forem analisados, permanecem válidas as limitações à propaganda digital, ao uso do Fundo Eleitoral e à participação do candidato em debates e entrevistas.










