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Empresa que treina militares americanos busca professor de português a menos de duas semanas da eleição

Empresa que presta serviços ao Departamento de Defesa e à comunidade de inteligência dos EUA abre vaga para professor de português brasileiro a menos de duas semanas do primeiro turno


Fábio Prado Por Fábio Prado em 23/09/2026 - 14:01

Empresa que treina militares americanos busca professor de português a menos de duas semanas da eleição
Empresa que treina militares americanos busca professor de português a menos de duas semanas da eleição - Foto: Reprodução/Internet

Ascensus Global, que presta serviços ao Departamento de Defesa e à comunidade de inteligência dos Estados Unidos, busca instrutor para treinamento de três semanas em Montgomery, no Alabama. A empresa não informa quais órgãos participarão nem a finalidade específica do curso.

A empresa norte-americana Ascensus Global abriu uma vaga para professor de português brasileiro com experiência no treinamento de militares e profissionais do governo. O anúncio foi publicado a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro.

O programa está previsto para outubro e novembro de 2026, com duração de três semanas. A primeira será virtual, e as duas seguintes ocorrerão presencialmente em Montgomery, no Alabama, com despesas de viagem pagas pela empresa.

A vaga exige português nativo, domínio avançado do inglês e experiência comprovada em tradução e interpretação entre os dois idiomas. A familiaridade com ambientes militares dos Estados Unidos aparece como qualificação preferencial.

As funções incluem preparar materiais didáticos, ministrar aulas sobre temas definidos pelo programa, realizar exercícios de interpretação, organizar simulações presenciais e participar das avaliações dos alunos antes e depois do treinamento.

Empresa atua com Defesa e Inteligência dos EUA

A Ascensus Global, fundada em 2001 como MultiLingual Solutions, é uma empresa pertencente a veteranos com deficiência dos Estados Unidos. A companhia afirma prestar serviços de treinamento em idiomas e cultura para mais de 40 clientes militares e de inteligência dos EUA, além de mais de 2.000 organizações civis governamentais e comerciais.

Segundo o site da empresa, sua divisão de soluções governamentais possui autorização de instalação no nível Top Secret e atua em programas do Departamento de Defesa e da comunidade de inteligência. Entre os serviços oferecidos estão inteligência de fontes abertas, inteligência de sinais, inteligência geoespacial, inteligência humana e contrainteligência.

Entre os clientes listados pela empresa estão a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA), o Comando de Inteligência e Segurança do Exército americano, o Comando de Operações Especiais dos EUA, a Força Aérea, o Exército, a Marinha e o Corpo de Fuzileiros Navais, além dos departamentos de Estado, Justiça e Comércio e da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial.

Em fevereiro deste ano, a Ascensus recebeu um contrato para treinamento linguístico do Army Forces Command, do Exército americano. A empresa também mantém contratos para programas ligados ao Defense Language and National Security Education Office, órgão do Pentágono responsável pelo desenvolvimento de capacidades linguísticas e culturais para necessidades de segurança nacional.

Alerta da Abin sobre interferência externa

A abertura da vaga ocorre em meio a um alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre o risco de influência externa nas eleições brasileiras. Um relatório reservado, encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça, classificou como crítico o risco de influência e interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral de 2026.

Segundo o documento, há uma tendência de escalada da pressão de Washington sobre o Brasil e de reorientação da política dos EUA para a América Latina. O objetivo seria ampliar a influência regional e conter adversários estratégicos, como a China.

O relatório foi divulgado pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, em 19 de setembro, três dias após a abertura da vaga. A TV Brasil confirmou as informações.

Até o momento, não há evidência pública de que a contratação da Ascensus esteja ligada diretamente a qualquer operação de interferência eleitoral. O ponto de atenção está na coincidência de timing e no contexto mais amplo já monitorado pela inteligência brasileira.

É importante lembrar que no Brasil já existe um sistema próprio de apuração eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral que é o órgão responsável por garantir a segurança e a auditabilidade das urnas eletrônicas, permite que os cidadãos identifiquem a divulgação de informações falsas sobre o sistema eleitoral e façam denuncias ao TSE por meio do Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral ou pelo aplicativo Pardal. O Ministério Público Eleitoral também recebe denúncias de irregularidades. Informações oficiais sobre o processo eleitoral estão disponíveis também no site do TSE, sem a necessidade de apuração ou validação externa.

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