O que leva um eleitor a escolher um candidato em vez de outro? Na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as respostas apontam para prioridades distintas. Para parte dos apoiadores do senador, o voto representa a expectativa de mudança no comando do país. Entre os eleitores do presidente, pesam mais a proteção social e a identificação de classe. É o que mostra uma pesquisa Datafolha realizada em outubro.
A alternância de poder foi citada por 41% dos entrevistados que pretendem votar em Flávio Bolsonaro. Já a proteção social e a identificação de classe apareceram entre as principais motivações de 48% dos eleitores de Lula. Os participantes puderam mencionar mais de uma razão para a escolha.
Os dados ajudam a observar como a disputa vai além da preferência por nomes ou partidos. As respostas revelam diferentes expectativas em relação à Presidência: enquanto parte do eleitorado do PL associa o voto à possibilidade de mudança, os apoiadores do PT destacam a dimensão social e a avaliação da trajetória política do atual presidente.
Voto também expressa rejeição
A escolha eleitoral não se resume à identificação com um candidato. A rejeição ao adversário também aparece entre os fatores considerados pelos entrevistados. Entre aqueles que pretendem votar em branco ou anular o voto, 37% afirmaram rejeitar os dois candidatos.
Esse dado mostra que a insatisfação com as opções disponíveis também faz parte do cenário eleitoral. A pesquisa, no entanto, registra as justificativas declaradas pelos participantes e não permite concluir, isoladamente, como cada motivação se traduzirá no resultado das urnas.
Disputa segue apertada
A diferença nas motivações ocorre em um cenário de equilíbrio na intenção de voto. Na pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro, Flávio Bolsonaro aparece com 47% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Brancos, nulos e nenhum candidato somam 6%, enquanto 2% dos entrevistados não sabem em quem votar.
Na contagem dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, o senador registra 51%, e o presidente, 49%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que configura empate técnico.
O levantamento também aponta diferenças entre grupos sociais e regiões do país. Lula aparece à frente entre os eleitores de menor renda, católicos e moradores do Nordeste. Flávio tem vantagem entre evangélicos e na Região Sul, conforme os resultados divulgados.
Metodologia
O Datafolha entrevistou 2.520 pessoas com 16 anos ou mais, em 153 municípios brasileiros, nos dias 13 e 14 de outubro. A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é BR-00466/2026.













