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Saiba quais famosos estão candidatos e por que, mesmo não eleitos, podem render mais cadeiras aos partidos

Atores, apresentadores, influenciadores e ex-jogadores disputam cargos legislativos em uma eleição na qual os votos também fortalecem as legendas


Por Carlos Nathan Sampaio em 25/09/2026 - 11:57

Saiba quais famosos estão candidatos e por que, mesmo não eleitos, podem render mais cadeiras aos partidos
(Fotos: Divulgação)

A presença de famosos, atores, apresentadores, cantores, influenciadores e ex-jogadores entre os candidatos das eleições de 2026 vai além da curiosidade provocada por nomes conhecidos do entretenimento. Como a maioria disputa uma vaga de deputado federal ou estadual, a popularidade também pode ser usada pelos partidos para aumentar a votação total da legenda e conquistar mais cadeiras.

Entre os nomes destacados em um vídeo publicado pelo criador de conteúdo Daniel Neblina estão o ator Humberto Martins, a apresentadora Antonia Fontenelle, a influenciadora Inês Brasil, a empresária Val Marchiori, a apresentadora Silvia Abravanel, a jornalista Rachel Sheherazade, o apresentador José Luiz Datena, o cantor MC Gui, Manoel Gomes, conhecido pelo sucesso “Caneta Azul”, e o ex-deputado e vencedor do Big Brother Brasil Jean Wyllys.

Humberto Martins e Antonia Fontenelle disputam vagas de deputado federal pelo Rio de Janeiro, respectivamente pelo DC e pelo PSDB. Inês Brasil é candidata a deputada estadual pelo PSB fluminense. Em São Paulo, Val Marchiori concorre pelo Republicanos; Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade e MC Gui estão na disputa pelo PSD; Datena concorre pelo PSB; Manoel Gomes, pelo Avante; e Jean Wyllys, pelo PT. Todos, com exceção de Inês, concorrem à Câmara dos Deputados.

A lista de personalidades, no entanto, é mais extensa. Também disputam cargos o apresentador Geraldo Luís, candidato a deputado federal pelo Avante em São Paulo; a ex-paquita Andréa Sorvetão, pelo DC do Rio; o ex-jogador Edmundo, pelo PSDB fluminense; o ator e ex-BBB Lucas Penteado, pelo PT paulista; e o ex-atacante Luís Fabiano, pelo MDB de São Paulo.

Outros nomes são o ex-BBB Matteus Amaral, candidato a deputado federal pelo PP do Rio Grande do Sul; a influenciadora Sarah Poncio, pelo Solidariedade do Rio; o ator Mário Gomes, também pelo Solidariedade; a ex-BBB Gyselle Soares, pelo PP do Piauí; e o guitarrista Ximbinha, candidato do PDT no Pará. Levantamentos publicados durante a campanha identificaram dezenas de candidatos com notoriedade anterior na televisão, no esporte, na música ou na internet.

Voto ajuda candidato e partido

A importância eleitoral desses nomes está na forma como deputados são escolhidos. Diferentemente das eleições para presidente, governador e senador, nas quais vence quem obtém a maior votação, deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional.

Nesse modelo, o voto dado a um candidato também é contabilizado para o partido ou para a federação partidária à qual ele pertence. A quantidade de cadeiras conquistadas depende, inicialmente, do total de votos obtidos pelo conjunto da legenda, e não apenas da colocação individual de cada concorrente.

O primeiro cálculo é o quociente eleitoral, obtido pela divisão do número de votos válidos pela quantidade de vagas disponíveis. Em seguida, os votos de cada partido ou federação são divididos por esse quociente para indicar quantas cadeiras o grupo poderá conquistar. Os candidatos mais votados dentro da própria lista ocupam as vagas, desde que cumpram a votação nominal mínima, equivalente a 10% do quociente eleitoral. As cadeiras restantes são distribuídas pelas regras das sobras eleitorais.

É nesse ponto que uma celebridade pode assumir a função de “puxadora de votos”. Um candidato com grande alcance nas redes sociais ou reconhecimento nacional pode atrair eleitores que não votariam espontaneamente no partido. Os votos recebidos fortalecem o desempenho coletivo da legenda e podem ajudar outros integrantes da mesma lista a conquistar uma cadeira.

Isso não significa, porém, que qualquer candidato com poucos votos será eleito na esteira de uma celebridade. A legislação exige desempenho individual mínimo, e as coligações proporcionais deixaram de existir. Atualmente, os votos são compartilhados apenas dentro do próprio partido ou de uma federação formalizada.

O caso mais conhecido ocorreu em 2010, quando Tiririca recebeu mais de 1,3 milhão de votos para deputado federal por São Paulo. A votação superou quatro vezes o quociente eleitoral daquele pleito e contribuiu para a eleição de outros integrantes da coligação. O próprio Tiririca voltou a disputar uma cadeira em 2026.

A estratégia, contudo, não oferece garantia de sucesso. Popularidade, número de seguidores e exposição na televisão não se transformam automaticamente em votos. Além de atingir a votação mínima, o candidato precisa superar os concorrentes do próprio partido. Ainda assim, ao reunir nomes com públicos diferentes, as legendas tentam alcançar eleitores fora de suas bases tradicionais e elevar o número de votos disponíveis para a divisão das cadeiras.

Uma exceção entre os famosos é Vanderlei Luxemburgo. O ex-técnico concorre ao Senado pelo Tocantins, em uma eleição majoritária. Nesse caso, os votos não são somados aos de outros candidatos: os dois mais votados no estado são eleitos.

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