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Polícia Federal mira esquema que levou casal de Goiânia à prisão na Alemanha em 2023

Operação contra o tráfico internacional cumpriu 21 mandados de prisão e investigou a troca de etiquetas de bagagens no Aeroporto de Guarulhos


Por Carlos Nathan Sampaio em 07/10/2026 - 11:33

Polícia Federal mira esquema que levou casal de Goiânia à prisão na Alemanha em 2023
(Foto: Reprodução)

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (7) uma operação contra uma organização criminosa que utilizava funcionários do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, para enviar cocaína ao exterior. O esquema adotava, entre outros métodos, a troca de etiquetas de bagagens, prática que levou duas mulheres de Goiânia a serem presas injustamente na Alemanha em 2023.

As goianas Kátyna Baía e Jeanne Paolini embarcaram em março daquele ano para uma viagem à Europa e fizeram conexão em Guarulhos. Durante a passagem pelo terminal paulista, as etiquetas das malas delas foram retiradas e colocadas em duas bagagens que continham cerca de 40 quilos de cocaína.

Sem saber da adulteração, as duas foram detidas ao desembarcarem em Frankfurt. O casal permaneceu preso por 38 dias até que a investigação da Polícia Federal e imagens das câmeras de segurança comprovassem que as malas encontradas pelas autoridades alemãs não pertenciam às passageiras.

Os registros mostraram funcionários manipulando as etiquetas em áreas restritas do aeroporto. As malas originalmente despachadas pelas goianas também apresentavam características diferentes daquelas apreendidas na Alemanha. O caso resultou na Operação Iraúna, conduzida pela Polícia Federal em Goiás, e na prisão de seis suspeitos.

Na ação desta quarta, batizada de Operação Elenco e Cross Targets, foram expedidos 21 mandados de prisão temporária e 29 de busca e apreensão. As ordens judiciais foram cumpridas em Guarulhos, Santo André e São Paulo, além de Ibitiúra de Minas, em Minas Gerais.

Segundo a PF, o grupo recrutava empregados de empresas que prestavam serviços no aeroporto. Com acesso às áreas restritas, eles conseguiam inserir malas com drogas nos compartimentos de carga dos aviões e alterar as identificações das bagagens de passageiros comuns.

A investigação avançou depois de apreensões e prisões realizadas em julho de 2025. Na ocasião, um funcionário foi flagrado colocando malas com cocaína em um voo com destino a Joanesburgo, na África do Sul. No mesmo mês, o homem apontado como líder do grupo também foi preso.

A análise dos materiais apreendidos permitiu identificar pelo menos seis remessas de cocaína ao exterior em menos de três meses, além de uma tentativa realizada por meio da troca de etiqueta. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 4,07 milhões em bens e valores dos investigados.

Os suspeitos também foram proibidos de acessar áreas restritas do aeroporto e tiveram os credenciamentos suspensos. Eles poderão responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsificação e uso de documento falso. A PF ainda apura possíveis vínculos do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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