Manifestantes foram agredidos por seguranças e apoiadores do Major Rafael Rozenszajn durante ato pacífico organizado pela Frente Palestina São Paulo. Advogado denunciou agressões físicas e racismo: “me chamaram de macaco”. Cerimônia ocorreu na véspera do 7 de outubro, data que marca três anos da intensificação do genocídio que atinge o povo palestino desde 1948.
Ativistas solidários à causa palestina foram agredidos na noite de terça-feira (6) quando realizavam um ato pacífico na Câmara Municipal de São Paulo. A manifestação, organizada pela Frente Palestina São Paulo, repudiava a homenagem ao Major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) para países de língua portuguesa.
A cerimônia foi realizada por iniciativa da vereadora Cris Monteiro (Novo) e do internacionalista Gerson Pires, filiado ao mesmo partido. Rozenszajn é oficial da reserva, nasceu no Rio de Janeiro e atua como o primeiro porta-voz oficial das IDF em língua portuguesa.
Relato de brutalidade e racismo
O advogado Tiago Guilherme, uma das vítimas identificadas nas imagens que circulam nas redes sociais, descreveu a agressão. “Fomos completamente brutalizados, espancados por estarmos acompanhando uma homenagem para alguém que é porta-voz de um Exército genocida, para alguém que já confessou ter autorizado ataques militares contra a população civil, tanto em Gaza quanto no Líbano”, contou ao Opera Mundi.
Segundo seu relato, quando os manifestantes começaram a levantar para apresentar cartazes, foram segurados por agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e por apoiadores do major. “Começaram a ser espancados pelos sionistas, fãs do Rafael Rozenszajn lá presentes”, afirmou.
Tiago também denunciou ter sido vítima de racismo. “Dois sionistas, fãs do Rozenszajn, puxaram meu cabelo. Eu ouvi insultos. Inclusive, me chamaram de macaco”, relatou. Outra manifestante, Daniela Fajer, do movimento Vozes Judaicas por Libertação, teve a boca tapada e foi segurada. O médico Cássio Pelegrini teve a camisa rasgada e saiu machucado.
O simbolismo da data: três anos de genocídio
A agressão ocorreu na véspera do 7 de outubro, data que marca três anos desde a intensificação do genocídio em Gaza. A ofensiva israelense que se seguiu deixou mais de 74 mil palestinos mortos e 175 mil feridos em três anos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
Organizações internacionais de direitos humanos e o Conselho de Direitos Humanos da ONU concluíram que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. A relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, afirmou que o genocídio não terminou. “Descrever os palestinos como sobreviventes do genocídio arrisca sugerir que o perigo passou”, alertou.
O genocídio em si não começa em 2023. A Nakba de 1948, quando mais de 530 aldeias palestinas foram destruídas e 70% da população foi deslocada à força, inaugurou um processo de limpeza étnica que se estende por 78 anos. A data de 7 de outubro, portanto, não marca um início, mas a intensificação de uma violência estrutural que atravessa gerações.
LEIA MAIS:
Flávio admite encontro com Vorcaro após prisão e diz que foi encerrar aporte a filme de Bolsonaro









