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PF nega depoimento de Vorcaro sobre suposto pagamento para filme de Lula

Revista Veja publicou áudio atribuído ao ex-banqueiro e afirmou que ele teria relatado repasses de R$ 30 milhões ao Instituto Lula em negociação envolvendo fundos de pensão; Polícia Federal diz que não recebeu depoimento nem documentos com esse conteúdo


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 09/10/2026 - 15:37

PF nega depoimento de Vorcaro sobre suposto pagamento para filme de Lula - Reprodução
PF nega depoimento de Vorcaro sobre suposto pagamento para filme de Lula - Reprodução

A Polícia Federal (PF) negou nesta sexta-feira (9) que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenha prestado depoimento ou apresentado documentos com o conteúdo de uma reportagem publicada pela revista Veja sobre supostos pagamentos para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A publicação afirma que o banqueiro teria relatado repasses de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula em uma negociação relacionada ao acesso a fundos de pensão de servidores públicos federais.

Em nota, a PF informou que Vorcaro não prestou depoimento com o teor descrito pela revista e tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações sobre os fatos narrados. A corporação também esclareceu que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do investigado não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais.

A manifestação ocorreu após a publicação da reportagem intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, assinada pelo jornalista Robson Bonin. A PF informou ainda que recebeu uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar fatos relacionados à publicação. O expediente foi encaminhado à área técnica para análise e adoção das medidas de polícia judiciária cabíveis.

O que a Veja publicou

A reportagem da Veja afirma que Vorcaro teria relatado, em áudio e documentos aos quais a revista diz ter tido acesso, uma negociação com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Segundo a publicação, o banqueiro teria sido cobrado a pagar cerca de R$ 30 milhões em espécie para financiar um documentário sobre Lula e fazer outros repasses ao Instituto Lula, dirigido por Paulo Okamotto.

O filme citado é o documentário Lula, lançado em 2024 e dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone.

De acordo com a revista, os pagamentos estariam relacionados a uma tentativa de ampliar a atuação do Banco Master junto a fundos de previdência de servidores vinculados a instituições públicas, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras e Correios.

A publicação afirma ainda que Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre os recursos que o banco conseguisse captar junto aos fundos. Na operação descrita pela revista, o volume potencial de negócios seria de bilhões de reais.

A Veja também divulgou um áudio atribuído a Vorcaro no qual uma voz masculina menciona pagamentos para produções cinematográficas relacionadas a Lula e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na gravação, a voz afirma que o dinheiro destinado ao filme sobre Lula teria sido repassado “por fora” e que a operação teria sido irregular. A autenticidade, o contexto e as circunstâncias da gravação não foram esclarecidos nas informações públicas citadas pela revista.

Propostas de delação foram rejeitadas

A PF confirmou que recebeu propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro, mas informou que elas não foram acolhidas por não atenderem aos requisitos legais. A corporação não detalhou quais exigências deixaram de ser cumpridas.

A distinção é importante porque a reportagem atribui as informações a relatos e materiais que teriam sido apresentados no contexto das tentativas de colaboração. A nota da PF, porém, afirma expressamente que o investigado não prestou depoimento com o conteúdo descrito nem entregou à instituição documentos ou anexos com essas informações.

A corporação não declarou, na nota, que todos os fatos mencionados pela revista são falsos. Informou que recebeu uma notícia-crime relacionada à publicação e que o material foi encaminhado para análise técnica.

Instituto Lula nega recebimento de recursos

Paulo Okamotto, dirigente do Instituto Lula, negou ter recebido dinheiro de Vorcaro e afirmou que não conhece o ex-banqueiro. Em manifestação divulgada pelo Poder360, Okamotto declarou que o documentário dirigido por Oliver Stone foi uma iniciativa do próprio cineasta, sem participação do instituto na produção ou na captação de recursos.

A defesa de Augusto Lima, apontado na reportagem como participante das negociações, também rejeitou as acusações. Os advogados classificaram os relatos como falsos e afirmaram que uma proposta de colaboração recusada pelas autoridades não tem, por si só, valor probatório para comprovar as acusações contra terceiros.

A campanha de Lula, por sua vez, criticou a publicação e afirmou que tomará medidas judiciais. A manifestação classificou as acusações como não comprovadas e questionou a divulgação do material em período eleitoral.

Até o momento, as alegações sobre os supostos pagamentos para o documentário e a relação deles com negócios envolvendo fundos de pensão não foram comprovadas publicamente pelas informações apresentadas na reportagem. A notícia-crime recebida pela PF poderá levar à análise dos fatos relacionados à publicação, mas a corporação ainda não detalhou quais diligências serão adotadas.

 

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