A decisão de Augusto Cury (Avante) de apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial dividiu seguidores e eleitores do escritor nas redes sociais. Enquanto parte do público elogiou a escolha, outros usuários afirmaram estar decepcionados e questionaram a compatibilidade do posicionamento com as ideias defendidas por Cury em seus livros e durante a campanha.
Terceiro colocado no primeiro turno, com 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos, Cury anunciou o apoio depois de conversar por videochamada com Flávio e apresentar uma lista de compromissos ao candidato. O documento foi assinado pelo presidenciável do PL.
“Tive com Flávio uma longa conversa, olho no olho, sem filtros e sem rodeios”, afirmou Cury em vídeo publicado no Instagram. O escritor disse ter avisado que não participará de um eventual governo e que preservará sua liberdade para cobrar o candidato.
“Minha independência de pensamento seria inegociável. Meu apoio não é um cheque em branco. Apoio não é submissão. Se concordar, direi que concordo. Se discordar, direi que discordo”, declarou.
Entre os compromissos apresentados estão o fim da reeleição presidencial, a ampliação da telemedicina, a valorização dos professores, o financiamento de microempresas, o fortalecimento do cooperativismo, medidas de proteção às mulheres, o aumento sustentável da produção de alimentos e a chamada pacificação nacional. Cury também defendeu que um eventual governo respeite as instituições, os direitos humanos, as minorias, a liberdade de pensamento e o papel da oposição.
Reações nas redes sociais
Na publicação feita por Cury, os comentários mostraram uma divisão imediata. Entre os favoráveis, uma seguidora escreveu: “Eu já era fã, agora sou mais ainda. Deus abençoe!”. Outro perfil publicou “Orgulho”, acompanhado do número 22 e de símbolos da bandeira brasileira.
Também houve quem defendesse o direito de escolha do escritor. “Se ele escolhesse a esquerda, estaria geral de direita aqui reclamando. Como escolheu a direita, agora estão aqui os esquerdistas revoltados”, afirmou uma usuária, antes de declarar voto em Flávio.
As críticas, porém, também apareceram em grande número. “Nossa, te admirava tanto”, escreveu uma seguidora. Em outro comentário, uma usuária afirmou que as obras de Cury serviram durante anos como referência sobre empatia e relações humanas, mas considerou que o apoio anunciado contradiz esses princípios. “Você acaba de perder minha admiração”, declarou.
Outro perfil questionou a ausência de compromissos específicos com as pessoas com deficiência: “Por que não abraçou a pauta PCD?”. Houve ainda manifestações por meio de emojis de reprovação.
Os comentários mostram a repercussão polarizada da decisão, mas não representam uma pesquisa nem permitem concluir como votarão os mais de 3,4 milhões de brasileiros que escolheram Cury no primeiro turno. O apoio ocorre na disputa entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para ser decidida em 25 de outubro.










