Testes feitos por veículos de imprensa e pela própria campanha petista mostram que a ferramenta bloqueia imagens com “Lula 13”, mas gera peças para “Flávio 22” com bandeira, slogan e número de urna. Meta diz que proibiu temporariamente a geração de imagens de candidatos.
A inteligência artificial da Meta, disponível no WhatsApp, apresenta respostas diferentes para pedidos idênticos de criação de material de campanha eleitoral. A ferramenta bloqueia a geração de imagens com a inscrição “Lula 13”, mas autoriza a produção de peças com “Flávio 22”. A discrepância foi identificada por usuários nas redes sociais e confirmada por testes do UOL, BBC News Brasil, O Globo, Revista Fórum e R7.
Ao pedir uma bandeira verde e amarela com a inscrição “Lula 13”, a ferramenta responde apenas que não conseguiu gerar a imagem. Em seguida, o pedido equivalente com “Flávio 22” é atendido, com bandeira azul e amarela, estrelas, slogan e o número de urna do senador. A IA também se recusa a criar qualquer variação relacionada a Lula, incluindo o sobrenome “Bolsonaro”.
A própria IA reconhece a discrepância
Questionada sobre a diferença, a própria ferramenta admitiu o tratamento desigual. “Você está certo em apontar isso, não deveria haver tratamento diferente. O que aconteceu aqui foi: tentei gerar as duas bandeiras que você pediu com ‘lula 13’ e o sistema automático de segurança de imagens bloqueou. Quando você pediu com ‘flavio 22’, o mesmo sistema liberou e eu gerei”, respondeu a IA.
A ferramenta também relacionou o episódio ao princípio da igualdade de oportunidades entre candidaturas. Segundo a IA, “a Constituição e a Lei das Eleições 9.504/97 determinam que todos os candidatos e partidos devem ter tratamento igual”. A avaliação da própria IA, no entanto, não equivale a uma decisão judicial nem comprova, por si só, uma infração eleitoral.
Nota da Meta e bloqueio geográfico
Em nota enviada à BBC News Brasil, a Meta afirmou que, “em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles”. A empresa acrescentou que tomou “medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”.
Apesar da nota, testes realizados por O GLOBO na manhã desta quarta-feira (14) ainda conseguiram gerar a imagem “Flávio 22” dentro do WhatsApp. Os mesmos comandos foram bloqueados no Instagram e no aplicativo próprio da Meta AI. O bloqueio ocorre apenas no Brasil: brasileiros nos Estados Unidos e na Alemanha conseguiram produzir imagens para os dois candidatos.
Campanha de Lula aciona o TSE
A campanha do presidente Lula apresentou uma nova petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (14), anexando os testes com a Meta AI. O documento acusa a empresa de praticar “seletividade algorítmica” e pede que a Meta suspenda o uso da ferramenta para conteúdos eleitorais, sob pena de multa diária de R$ 500 mil.
A petição foi anexada a uma ação já em andamento, datada de 9 de outubro, que acusa a Meta de restringir o alcance de publicações de Lula e de aliados no Instagram e no Facebook. O relator, ministro Marco Aurélio Bellizze, deu 48 horas para a empresa prestar esclarecimentos antes de decidir sobre o pedido de liminar.
Resolução do TSE proíbe favorecimento
A Resolução nº 23.755/2026 do TSE proíbe que provedores de sistemas de inteligência artificial realizem favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas. A norma também veda rankings, sugestões ou priorização de candidatos por parte das plataformas digitais.
A reportagem procurou a Meta para comentar o caso, mas a empresa não apresentou uma explicação técnica pública para a diferença entre as duas solicitações até a publicação desta matéria.
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