O Brasil tem mais de 32 mil pessoas habilitadas para adotar, enquanto mais de 6 mil crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção. Apesar da diferença entre os números, milhares de jovens continuam à espera de uma família. O principal desafio está no desencontro entre o perfil procurado pelos pretendentes e a realidade de quem aguarda a adoção, além de barreiras sociais e preconceitos relacionados à configuração familiar.
O tema será discutido nesta quinta-feira (22), às 9h, durante a palestra “Adoção e o direito à não discriminação”, promovida pela Escola de Direito da UNIALFA, em Goiânia. O encontro gratuito será realizado no Auditório Maria Dilda e marcará o lançamento da cartilha Família, no plural, voltada à informação sobre adoção e diversidade familiar.
Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ajudam a compreender por que a quantidade de pretendentes não garante que todas as crianças encontrem uma família rapidamente. A adoção depende da compatibilidade entre as características das crianças e adolescentes disponíveis e os critérios estabelecidos pelos candidatos.
Idade e grupos de irmãos dificultam a adoção
Historicamente, a idade é um dos principais fatores de desencontro entre pretendentes e crianças disponíveis. Levantamento do CNJ apontou que 70,4% das crianças e adolescentes disponíveis para adoção tinham entre 8 e 18 anos, enquanto a maioria dos pretendentes demonstrava preferência por crianças mais novas.
A busca por bebês e crianças pequenas reduz as possibilidades de adoção para adolescentes e para grupos de irmãos que precisam permanecer juntos. Crianças com deficiência ou necessidades específicas de saúde também podem enfrentar mais dificuldades para encontrar uma família.
Esse cenário mostra que o número de pessoas habilitadas, isoladamente, não representa a disponibilidade efetiva de famílias para todas as crianças. A compatibilidade de perfis e o respeito ao direito à convivência familiar são elementos centrais para compreender a espera.
Diversidade familiar também entra no debate
Além das preferências relacionadas à idade e às condições de saúde, preconceitos sobre os diferentes formatos de família também fazem parte da discussão. Famílias monoparentais, formadas por uma mãe ou um pai solo, casais heterossexuais e casais homoafetivos podem participar do processo de adoção, desde que cumpram os requisitos legais.
Em Goiás, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) e a UNIALFA estabeleceram uma cooperação para produzir material informativo destinado a pessoas e casais LGBTQIAPN+ interessados em adotar. A proposta é ampliar o acesso à informação, esclarecer direitos e combater a discriminação no processo adotivo.
A palestra pretende discutir a adoção para além dos procedimentos burocráticos, com foco na igualdade de direitos, na diversidade familiar e no papel das instituições públicas na garantia da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes.
Palestra reúne representantes do Judiciário
O convidado principal será Fábio Francisco Esteves, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP).
Também estão confirmadas as participações do presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim; da juíza Célia Regina Lara, coordenadora-geral da Infância e da Juventude; da juíza auxiliar da Presidência do TJGO Lidia de Assis e Souza; dos juízes Vitor Barros Mouro e Luana Cavalcante de Freitas, integrantes do Comitê de Equidade e Diversidade de Gênero; e do procurador do Trabalho Tiago Ranieri de Oliveira, do Ministério Público do Trabalho.
Como funciona a adoção no Brasil
O processo de adoção é gratuito e começa na Vara da Infância e da Juventude da região onde mora o interessado. Pessoas com mais de 18 anos podem solicitar habilitação, independentemente do estado civil, desde que atendam aos requisitos previstos em lei. Entre eles, está a diferença mínima de 16 anos entre o adotante e a criança ou adolescente.
A habilitação envolve avaliação e preparação dos pretendentes, além da análise das condições para oferecer um ambiente seguro e adequado. O objetivo é garantir que a adoção atenda ao melhor interesse da criança ou do adolescente.
A palestra da UNIALFA busca ampliar o debate público sobre esses direitos e oferecer informações para quem deseja compreender melhor o processo de adoção e as diferentes configurações familiares.
Serviço
Palestra “Adoção e o direito à não discriminação”
Data: 22 de outubro de 2026
Horário: 9h
Local: Auditório Maria Dilda, UNIALFA, em Goiânia
Realização: Escola de Direito da UNIALFA
Programação: palestra e lançamento da cartilha Família, no plural
Entrada: gratuita e aberta à comunidade
Certificado: 5 horas
Inscrições: perfil oficial da instituição no Instagram, @unialfa













