Pesquisas no Google indicam um crescimento expressivo de buscas sobre uma fala de Flávio Bolsonaro em novembro de 2014, quando o senador comentou a reação de policiais que mataram Tamir Rice, um menino negro de 12 anos, em Cleveland, nos EUA. Três dias após a morte da criança, Flávio, então deputado estadual afirmou na tribuna da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), que o garoto havia sido baleado “como tem que ser”.
Tamir foi atingido por um policial em 22 de novembro de 2014, enquanto estava na área externa de um centro recreativo. Ele brincava com uma réplica de arma de fogo que disparava projéteis de airsoft. O objeto tinha aparência semelhante à de uma arma real, mas as imagens de segurança não permitiram estabelecer com precisão o que o menino fazia com as mãos nos instantes anteriores aos disparos, segundo a investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Na manifestação na ALERJ, Flávio apresentou uma versão segundo a qual Tamir teria sacado a arma e apontado para os agentes. Em seguida, questionou as críticas à atuação policial e argumentou que a situação poderia ter sido diferente caso o objeto fosse uma arma verdadeira.
O que de fato Flávio Bolsonaro disse sobre Tamir Rice
A declaração ocorreu em 25 de novembro de 2014, quando Flávio exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. Conforme a transcrição das notas taquigráficas da Assembleia recuperada por Carol Pires, o parlamentar descreveu a abordagem da seguinte maneira:
“Os policiais chegaram para abordar esse menor de doze anos, que estava com a arma na cintura, e disseram para ele: ‘Mãos ao alto!’ O menino meteu a mão na arma e a puxou apontando para os policiais. Ele foi alvejado na hora, como tem que ser.”
Na sequência, o então deputado reconheceu que a morte era lamentável, entretanto contestou a interpretação de que a ação policial havia sido um erro grave.
“A imprensa brasileira ou grande parte dela trata isso como um erro grave porque morreu uma criança. O fato é, sim, lamentável. Quem não se incomoda com isso? E se fosse uma arma de verdade?”, afirmou.
![]()
Entenda a investigação
Tamir Rice foi baleado pelo policial Timothy Loehmann, que chegou ao local acompanhado do agente Frank Garmback. Os dois atenderam a uma ligação para o serviço de emergência que relatava a presença de uma pessoa apontando uma arma para outras pessoas em um parque.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a pessoa que telefonou informou que o indivíduo provavelmente era menor de idade e que a arma talvez fosse falsa. Essas ressalvas, porém, não foram transmitidas aos policiais pelo despachante, que informou apenas que um homem negro estava retirando uma arma da cintura e apontando para outras pessoas. Quando a viatura se aproximou de Tamir, Loehmann saiu do veículo ainda em movimento e disparou duas vezes em menos de dois segundos após abrir a porta do passageiro. Um dos tiros atingiu o menino no abdômen.
As imagens de segurança registraram parte da ocorrência, mas apresentavam limitações técnicas: eram granuladas, captadas à distância e sem continuidade suficiente para reconstituir todos os movimentos. Além disso, a viatura bloqueava parte da cena. Por isso, os investigadores não conseguiram determinar o que Tamir fazia com as mãos no momento imediatamente anterior aos disparos.
Em dezembro de 2015, um júri de acusação decidiu não apresentar denúncia criminal contra os policiais. Cinco anos depois, em dezembro de 2020, o Departamento de Justiça encerrou a investigação federal sem apresentar acusações.
A decisão de 2020 se baseou na insuficiência de provas para demonstrar, além de dúvida razoável, que Loehmann havia violado deliberadamente os direitos constitucionais do menino. O órgão ressaltou que as evidências não permitiam estabelecer conclusivamente o que aconteceu nos segundos anteriores aos tiros.

Aliados petistas incitam buscas sobre o tema
Entre os aliados do presidente Lula são feitos pedidos constantes de que eleitores busquem informações sobre o caso. Mesmo após mais de 10 anos do episódio, o comentário duvidoso do senador do PL se junta a polêmica de Flávio ter escolhido representar Bruno Dias Delaroli, ex-policial militar acusado de matar Ana Clara, menina de 5 anos que brincava em frente de casa.
O episódio foi recuperado por Carol Pires em um levantamento publicado em outubro de 2026 no podcast Duas e Tanto, baseado nas notas taquigráficas da Alerj entre 2003 e 2018. O trabalho reúne manifestações de Flávio Bolsonaro em defesa de policiais e de agentes de segurança envolvidos em casos controversos.













