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Goiás registra aumento de barbeiros encontrados e de diagnósticos de doença de Chagas

Em Goiânia, foram recolhidos 29 insetos entre janeiro e setembro de 2026, ante 20 durante todo o ano passado; infectologista explica transmissão, diagnóstico e prevenção


Por Carlos Nathan Sampaio em 24/10/2026 - 08:17

Goiás registra aumento de barbeiros encontrados e de diagnósticos de doença de Chagas
(Foto: Divulgação)

O número de barbeiros recolhidos em Goiânia mais que dobrou em 2026, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Entre janeiro e setembro, foram encontrados 29 insetos, acima dos 20 registros contabilizados durante todo o ano de 2025. Em abril, o Laboratório Estadual de Saúde Pública (Lacen-GO) confirmou a presença do protozoário Trypanosoma cruzi em um dos espécimes analisados.

Também houve aumento nos diagnósticos da forma crônica da doença de Chagas na capital: foram 362 em 2026, ante 255 em 2025. A presença do parasita em um inseto, por si só, não significa que moradores próximos tenham sido infectados. Ainda assim, o achado reforça a importância de identificar o vetor e encaminhá-lo para análise.

A expansão de áreas urbanas, o desmatamento e as alterações ambientais podem aproximar os barbeiros das residências. Para explicar as formas de transmissão, o diagnóstico e os cuidados recomendados, a infectologista do Ânima Centro Hospitalar, Dra. Déborah Mota, orienta moradores de Anápolis e região.

Como ocorre a infecção pelo Trypanosoma cruzi

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a transmissão não ocorre diretamente pela picada do barbeiro. O risco acontece quando as fezes do inseto contaminado entram em contato com a pele lesionada ou com mucosas, como as dos olhos e da boca.

“A principal via de contágio ainda é o contato das fezes contaminadas do barbeiro com a pele lesionada pelo ato de coçar a picada ou com mucosas expostas, como olhos e boca”, explica a Dra. Déborah Mota. “No entanto, existem outras vias de transmissão de grande relevância clínica: a transmissão vertical — da mãe para o filho durante a gestação ou no parto —, transfusões de sangue, transplante de órgãos e, de forma mais rara, a contaminação oral pela ingestão de alimentos triturados acidentalmente com o vetor infectado, como açaí e caldo de cana in natura.”

A infecção pode permanecer sem sintomas por anos ou décadas. Na fase aguda, podem ocorrer febre prolongada, mal-estar, dor de cabeça e inchaço localizado. Um dos sinais possíveis é o de Romaña, caracterizado por inchaço próximo ao olho quando a porta de entrada do parasita é a região ocular.

Em parte dos casos, a doença evolui para a fase crônica e pode comprometer o coração ou o sistema digestivo. Entre as complicações estão alterações cardíacas e dilatações do esôfago ou do intestino grosso, conhecidas como megaesôfago e megacólon.

Diagnóstico varia conforme a fase da doença

Os exames utilizados dependem do estágio da infecção. Na fase aguda, quando há maior quantidade de parasitas circulando no sangue, é possível identificá-los por meio de análise microscópica ou de técnicas de biologia molecular, como o teste de PCR.

“Na fase aguda, em que há grande quantidade de parasitas circulantes na corrente sanguínea, o diagnóstico é feito pela visualização direta do Trypanosoma cruzi em exames de sangue ao microscópio ou por meio de técnicas de biologia molecular, como testes de PCR”, afirma a médica.

Na fase crônica, a quantidade de parasitas no sangue costuma ser baixa. Por isso, a confirmação é feita por exames sorológicos. O protocolo prevê dois testes de metodologias diferentes com resultados positivos.

Medidas de prevenção em casa

O controle do vetor envolve ações de vigilância, melhorias nas habitações e cuidados para reduzir a entrada de insetos nas casas. Telas em janelas, mosquiteiros e a vedação de frestas em portas e paredes podem ajudar. A triagem de sangue para transfusões e de órgãos para transplantes também integra as medidas de prevenção.

Em quintais e terrenos, recomenda-se evitar o acúmulo de entulho, telhas e madeira e manter galinheiros, canis e currais afastados das áreas de descanso da casa. Janelas podem ser mantidas fechadas à noite ou protegidas por telas finas.

O que fazer ao encontrar um barbeiro

A orientação é não tocar diretamente no inseto nem esmagá-lo. O morador pode proteger as mãos com luvas ou uma sacola plástica e recolher o barbeiro com cuidado, colocando-o em um recipiente transparente com tampa. Se possível, deve mantê-lo vivo e encaminhá-lo a um posto de coleta da Vigilância em Zoonoses do município para identificação.

Quem suspeitar que foi picado ou teve contato com secreções do inseto deve procurar um serviço de saúde para avaliação. Em Anápolis, o Ânima Centro Hospitalar informa que oferece atendimento ambulatorial em Infectologia e pronto atendimento adulto 24 horas.

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