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Araras-canindé ocupam paisagem urbana de Goiânia e revelam alerta ambiental

Presença crescente das aves nos céus da capital está ligada à degradação do Cerrado e à oferta de áreas verdes; especialistas apontam riscos urbanos e necessidade de educação ambiental


Fábio Prado Por Fábio Prado em 28/10/2026 - 14:59

Araras-canindé ocupam paisagem urbana de Goiânia e revelam alerta ambiental - Foto: Carlos Bianchi
Araras-canindé ocupam paisagem urbana de Goiânia e revelam alerta ambiental - Foto: Carlos Bianchi

Presença crescente das aves nos céus da capital está ligada à degradação do Cerrado e à oferta de áreas verdes; especialistas apontam riscos urbanos e necessidade de educação ambiental

As araras-canindé se tornaram presença frequente na paisagem de Goiânia. A ave de cerca de 80 centímetros, com plumagem azul e amarela, tem sido vista em parques, bosques e até no centro da cidade. O movimento é acompanhado por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) desde 2020.

O projeto Araras de Goiânia, coordenado pelo professor Carlos Bianchi, do Laboratório de Etnobiologia e Biodiversidade, já reuniu mais de 480 registros da espécie circulando pela capital entre junho e agosto de 2021.

Adaptação à cidade

A arara-canindé é natural do Cerrado e costuma ser associada à floresta amazônica. Em Goiânia, encontrou árvores frutíferas, palmeiras e espaços para construir ninhos.

Segundo Bianchi, as aves se alimentam de flores de flamboyant, frutos de jatobá, frutos de sete-copas e coquinhos. Grupos maiores se concentram em setores como o Jaó e o Parque Macambira.

“Há cerca de dez anos não se via tantas araras em Goiânia quanto se vê agora. O que provavelmente favoreceu esse aumento foi a degradação de áreas naturais, que empurrou as araras para a cidade”, explica o professor.

Degradação como pano de fundo

A presença das araras na cidade não significa que a espécie está em situação confortável. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica a arara-canindé como pouco preocupante, mas alerta que a população está em declínio.

O órgão estima que o habitat adequado da espécie pode perder cerca de 25% ao longo de três gerações, o equivalente a 38 anos. Por isso, a expansão urbana e o desmatamento no Cerrado pressionam as populações naturais.

Riscos do ambiente urbano

A cidade oferece recursos, mas também impõe ameaças. O barulho, a poluição, o tráfego e as construções afetam o bem-estar das aves. Estudos já sugerem impactos desses fatores na genética de populações urbanas.

Casos de atropelamento, acidentes com linha de cerol e quedas de palmeiras com ninhos chegam com frequência ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Goiânia.

Em julho de 2025, uma arara morreu após ser atingida por linha com cerol na capital. Em agosto de 2026, outra arara-canindé ficou presa em cerol no Setor Rio Formoso. A prática é ilegal e também ameaça motociclistas e ciclistas.

Conflito com moradores

Parte da população não está preparada para conviver com as aves. O professor relata casos de pessoas que podam cachos de frutos para evitar que as araras pousem nas árvores, incomodadas com o barulho. Outras soltam fogos de artifício para espantá-las.

Bianchi lembra que existe legislação ambiental específica que prevê sanções para esse tipo de ação. A recomendação é investir em campanhas de educação ambiental para mostrar o que a população pode fazer para ajudar.

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