O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise bancária que provocou forte desgaste político e levou à articulação de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo. A saída foi anunciada em vídeo, no qual Peña pediu desculpas à população afetada e afirmou que tomou a decisão para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.
“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, declarou.
A crise teve início após o banco digital Ueno fechar as portas e deixar milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Peña foi acionista do grupo controlador da instituição, circunstância que passou a ser explorada pela oposição. Parlamentares também acusaram o Banco Central paraguaio de encobrir possíveis irregularidades relacionadas ao caso.
Impeachment ganhou apoio de governistas
A renúncia foi anunciada no mesmo dia em que o Congresso paraguaio iniciou uma sessão extraordinária para discutir o pedido de impeachment. A iniciativa havia conquistado apoio tanto da oposição quanto de integrantes da base governista.
Todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram que votariam a favor da abertura do processo. A pressão aumentou depois que aliados de Peña retiraram o apoio ao presidente e passaram a defender publicamente sua renúncia.
Entre os nomes que romperam com o governo está Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado e considerado o principal mentor político de Peña. O presidente do Congresso, Basilio Núñez, também havia retirado o apoio ao chefe do Executivo.
A sessão extraordinária representaria o primeiro passo formal para a tramitação do impeachment. Com a renúncia, o cenário político paraguaio passa a ser marcado pela transição de poder e pelos desdobramentos da crise bancária.
Vice-presidente assume o governo
Economista de perfil conservador, Santiago Peña assumiu a Presidência do Paraguai em 2023 e tinha mandato previsto até 2028. Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o comando do país.
Alliana, no entanto, também é alvo de questionamentos no contexto da crise política e do processo de impeachment articulado no Congresso.
A crise envolvendo o Ueno colocou sob pressão o governo, o sistema financeiro e as instituições responsáveis pela fiscalização bancária no Paraguai.












