A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Goiás mudou de pergunta. Até a semana passada, os deputados tentavam saber quem teria mais força para suceder Bruno Peixoto (União Brasil). Agora, quem ainda pretende concorrer precisa explicar de onde virão os votos para derrotar Issy Quinan (MDB). A lista que circula nos bastidores reúne 22 apoiadores de 11 partidos. O número, até o fechamento desta edição na última sexta-feira (6), ainda pode aumentar.
O MDB tem a maior bancada da próxima legislatura, com sete deputados, e reelegeu o governador Daniel Vilela. Isso ajuda a explicar por que Issy entrou na disputa em posição favorável. A vantagem que ele abriu, porém, veio de fora do partido. Reuniu os três eleitos do Mobiliza, obteve o apoio dos tucanos Gustavo Sebba e José Machado e atraiu o presidente da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo (Cidadania).
O movimento de maior consequência ocorreu no PL. Coronel Urzêda e Marquinho do Gayer se somaram a Amauri Ribeiro no apoio a Issy. São três dos cinco deputados de uma bancada que tem entre seus integrantes um ex-presidente da Assembleia disposto a voltar ao cargo. Urzêda deu uma razão concreta para a escolha. Disse que Issy ofereceu aos novatos a oportunidade de contar com estrutura de trabalho semelhante à dos reeleitos. É a mesma tese que levou William Panda, recém-eleito pelo Podemos, a declarar seu apoio.
Lissauer Vieira mantém a candidatura. “O PL não fechou com ninguém e, quando fechar, vai fechar em bloco”, afirmou. A questão para o ex-presidente é quem conduzirá esse bloco. Se prevalecer a posição já anunciada por três dos cinco, a unidade que Lissauer reivindica poderá favorecer justamente o adversário.
Entre os governistas, o líder do governo, Talles Barreto (União Brasil), condicionou sua candidatura a uma conversa com Daniel e com o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Virmondes Cruvinel (União Brasil) articula com outros cinco deputados a escolha de um nome comum. Enquanto o grupo discute quem pode representá-lo, Issy negocia com quem vai votar.
Em entrevista à Tribuna do Planalto (leia as páginas 3 e 4), Issy destaca que pretende chegar à eleição de 1º de fevereiro com uma chapa única. Na avaliação do emedebista, levar a disputa ao plenário poderia deixar divisões na Assembleia mesmo depois de definida a presidência. “A disputa seria muito ruim, poderia gerar algumas sequelas insanáveis, no decorrer do mandato”, afirmou. A maioria que reuniu até aqui lhe dá margem para negociar com quem ainda pretende enfrentá-lo.
A esta coluna, o deputado estadual Dr. George Morais (MDB) chamou a candidatura do correligionário de “praticamente irreversível”. Issy foi mais cauteloso. Tem maioria na lista de novembro e até fevereiro para mantê-la. Aos adversários cabe a tarefa mais difícil: convencer deputados que já anunciaram uma escolha a mudar de lado.
O veto que ficou na mesa
Cinco vereadores compareceram à reunião da Comissão de Constituição e Justiça de Goiânia na última quarta-feira (4). O quórum era de oito. Entre as 23 matérias que ficaram pelo caminho estava o veto do prefeito Sandro Mabel ao projeto que revoga a taxa do lixo. Quando a comissão voltar ao assunto, a primeira conta será de presença. Só depois virá a de votos.
R$ 5,4 milhões por vereador
O calendário do Orçamento de Goiânia reservou até sexta-feira (6) para a apresentação das emendas impositivas. Cada vereador pôde indicar cerca de R$ 5,4 milhões. O relator, Ronilson Reis (Solidariedade), tem previsão de entregar o parecer no dia 16.
Três cargos de fora
O presidente da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo (Cidadania), homologou o concurso do Legislativo, mas três cargos ficaram de fora. O Tribunal de Contas dos Municípios mantém a suspensão cautelar dessas vagas enquanto apura possíveis irregularidades e conflitos de interesse. Para os aprovados nessas três funções, a decisão que interessa agora virá do tribunal.
A aposta de Leandro no ITBI
Em Aparecida, o prefeito Leandro Vilela (MDB) pediu à Câmara mais prazo para cobrar 1,5% de ITBI, em vez dos 2,5% habituais. A proposta motivou a convocação de uma sessão extraordinária para sexta-feira (6), dia em que terminava o benefício. A prefeitura sustentou que o desconto estimularia a regularização de imóveis. Encerrado o primeiro mês, já pode mostrar quantas transferências ocorreram e quanto entrou no caixa.
Camila tem a quem cobrar
Única mulher na Câmara de Aparecida e procuradora da Mulher na Casa, a vereadora Camila Rosa (União Brasil) acompanhou a sanção da política municipal de enfrentamento à violência doméstica. No mesmo ato, tomaram posse os integrantes do Conselho Municipal da Mulher. A aprovação foi unânime.
O recado de Trindade
“Para mim, o próximo prefeito de Trindade já tem nome e número: é 15 e o nome é Jânio Darrot”, disse o deputado estadual Dr. George Morais (MDB) a este colunista. A declaração põe o prefeito Marden Júnior (União Brasil) diante de uma escolha incômoda. Foi com apoio de Jânio que Marden chegou à prefeitura. Agora, George, adversário de Marden em 2024, quer que ele devolva o gesto em 2028.
Planaltina entra na conta
O empresário Gustavo da Popular (Republicanos) saiu de sua primeira eleição para deputado estadual disposto a disputar a Prefeitura de Planaltina de Goiás em 2028. Em entrevista a este colunista, avaliou que a votação superou o que esperava de uma campanha com pouca estrutura. O próximo passo depende também do Republicanos. Uma coisa é o partido abrir vaga na chapa proporcional. Outra é entregar a um estreante sua candidatura a prefeito. Por isso, não descarta conversar com outros partidos.
A estrada até a escola
Em Anápolis, chegou à Câmara nesta semana uma cobrança ao prefeito Márcio Corrêa (PL) sobre o transporte escolar na zona rural. O requerimento aponta as condições das estradas sem pavimentação e pede providências para que os alunos consigam chegar às aulas.
Rio Verde ganha prazo e cobrança
Rio Verde prorrogou até 18 de novembro a chamada escolar para novos alunos da rede municipal. A prefeitura também abriu edital específico para o primeiro ano da escola de tempo integral Professora Marly Moraes Martins. O levantamento dará ao prefeito Wellington Carrijo uma medida da procura por bairro. É esse mapa que permitirá aos vereadores cobrar vagas onde as famílias de fato precisam delas.
A segunda-feira das emendas
Começa na segunda-feira (9) o prazo para os deputados apresentarem emendas ao Orçamento de Goiás. São R$ 54,3 bilhões previstos para 2027, primeiro exercício planejado integralmente fora do Regime de Recuperação Fiscal e sob as regras do Propag. Os parlamentares têm até o dia 27. Para os prefeitos do interior, a semana interessa por uma razão prática: é quando demandas levadas aos deputados podem ganhar endereço e valor na proposta estadual.
Meio bilhão por mês
Uma cifra apresentada pela secretária da Economia, Renata Lacerda Noleto, ajuda a entender a resistência do Estado a mudanças na arrecadação previdenciária. Segundo ela, o Tesouro goiano aporta mais de R$ 500 milhões por mês para cobrir o déficit do sistema. A secretária aceitou fazer estudos e levar a discussão ao governador Daniel Vilela (MDB). É desse compromisso que os interessados poderão cobrar andamento.
O sétimo mandato de Zé Mário
Os sindicatos rurais reconduziram José Mário Schreiner à presidência da Faeg. Candidato único, o ex-deputado federal recebeu 105 votos entre 115 representantes aptos a votar e chega ao sétimo mandato. Sistema Faeg Senar. O resultado tem leitura política. Depois de coordenar a campanha de Daniel Vilela, Schreiner continua à frente da entidade que leva as demandas dos produtores rurais ao governo estadual.
A lista de José Eliton
O ex-governador José Eliton já colocou três nomes na conversa sobre a reorganização da oposição em Goiás: Adriana Accorsi, Aava Santiago e Edward Madureira. A este colunista, defendeu que o campo de centro-esquerda comece a se organizar antes das municipais de 2028. Os três foram citados por Eliton. O que dará outra dimensão à proposta será ouvir deles se há disposição para sentar à mesma mesa.
Sebba delimita a posição do PSDB
Felipe Cecílio, que disputou uma vaga de deputado federal pelo PSDB em Goiás, ofereceu R$ 2 milhões a quem comprovasse uma suposta fraude nas urnas eletrônicas. A oferta levou Matheus Ribeiro, ex-presidente da sigla em Goiânia, a criticar o partido por dar espaço a Cecílio. Em nota a esta coluna, o deputado estadual Gustavo Sebba, presidente do PSDB goiano, reafirmou que Cecílio falava por conta própria. “O partido reconheceu o resultado das urnas. Essa é a posição oficial do partido.”
A Esplanada espera a COP
Os partidos que esperam conhecer seu espaço no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terão de acompanhar também o calendário da diplomacia. Segundo o ministro Wellington Dias, Lula deve decidir a composição do governo depois da viagem à Turquia para a COP31. A reunião de chefes de Estado está prevista para os dias 11 e 12. Para a próxima semana, a perspectiva é de conversas sobre ministérios. Os anúncios, pelo calendário de Dias, ficam para a volta.














