A Diretora-Geral da Unesco, Audrey Azoulay, lamentou profundamente a decisão do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, de retirar novamente o país da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A saída, anunciada oficialmente nesta terça-feira (22), deverá entrar em vigor no final de dezembro de 2026.
A decisão marca a segunda retirada do país sob a liderança de Trump — a primeira ocorreu em 2017, durante seu mandato anterior. Para Azoulay, a medida “contradiz os princípios fundamentais do multilateralismo” e impactará diretamente diversas comunidades norte-americanas que colaboram com a Unesco, como cidades que pleiteiam o título de Patrimônio Mundial, universidades e polos criativos.
Apesar de lamentar a decisão, a Diretora-Geral afirmou que o anúncio já era esperado e que a organização se preparou para esse cenário com uma série de reformas desde 2018. “A tendência decrescente da contribuição financeira dos EUA foi compensada. Atualmente, representam apenas 8% do orçamento da UNESCO, frente aos 40% de algumas agências da ONU”, disse.
A Unesco reforçou que não considera cortes de pessoal e seguirá com suas atividades. Azoulay destacou que, mesmo após a saída anterior dos EUA, a entidade continuou a cumprir seu mandato com êxito, como demonstram projetos como a reconstrução da cidade iraquiana de Mosul, o desenvolvimento de diretrizes éticas para a inteligência artificial e a atuação em zonas de conflito, como Ucrânia, Líbano e Iêmen.
A Diretora-Geral rebateu as justificativas apresentadas pelo governo dos EUA, afirmando que elas não condizem com a realidade atual da organização. “A Unesco hoje é um fórum raro de consenso internacional orientado para a ação concreta. As tensões políticas diminuíram significativamente desde 2017”, declarou.
Azoulay também defendeu o papel da Unesco na educação sobre o Holocausto e no combate ao antissemitismo — uma das críticas feitas anteriormente pelos EUA. Ela lembrou que o trabalho da organização nessa área é amplamente reconhecido por instituições como o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, o Congresso Judaico Mundial e o Comitê Judaico Americano.
Mesmo diante da redução de recursos, a Unesco afirma que continuará sua missão global. “A UNESCO é uma organização que acolhe todas as nações. Os Estados Unidos são e sempre serão bem-vindos”, concluiu Azoulay, que também ressaltou a intenção de manter a colaboração com instituições norte-americanas, tanto do setor público quanto privado.















