Durante entrevista ao vivo concedida à CNN nesta quinta-feira (24), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, criticou a falta de ação do governo federal diante da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos. A medida norte-americana impõe uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Caiado cobrou uma postura mais ativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sugeriu que ele converse diretamente com o presidente Donald Trump para defender os interesses do país. O governador destacou que outros países já renegociaram suas condições comerciais, enquanto o Brasil segue sem avanços diplomáticos, a poucos dias da entrada em vigor da nova taxação.
Contrário ao tarifaço, Caiado afirmou que a situação o levou a antecipar sua volta de missão oficial no Japão. Ele também alertou que a retaliação, como defendida por setores do governo federal, pode agravar ainda mais a crise, especialmente se o setor de saúde estiver envolvido nas sanções. “Solicitei que a saúde fosse excluída, até por uma questão humanitária”, disse, lembrando que insumos hospitalares vêm, em grande parte, dos Estados Unidos.
Ações em Goiás
Goiás foi o primeiro estado brasileiro a anunciar medidas emergenciais para mitigar os impactos do tarifaço. Desde quarta-feira (23/7), o governo estadual promove reuniões com o setor produtivo e solicitou ao Fórum Nacional de Governadores uma reunião do colegiado. Entre as medidas, estão os subsídios do Fundo de Equalização do Empreendedor (Fundeq) e a criação de uma nova linha de crédito via Fundo Creditório, com expectativa de R$ 628 milhões em recursos.
Na quinta reunião com representantes da cadeia sucroenergética, Caiado ouviu relatos do impacto direto no setor. O empresário Henrique Pena, da Jales Machado, alertou que a tarifa de 50% somada aos tributos já existentes elevará a carga para 98% no açúcar orgânico, tornando o produto brasileiro menos competitivo frente a concorrentes como a Colômbia. A estimativa é de perda de até 40% da demanda anual para os EUA.
Setores como carne, couro, minérios, citricultura, açúcar orgânico e tilápia devem ser os mais afetados. “A arroba, que chegou a R$ 320, caiu para R$ 270. Isso afeta confinadores, produtores de ração e toda a cadeia de comercialização”, afirmou o governador. Segundo ele, a crise ameaça mais de 380 milhões de dólares da economia goiana.















