A bancada federal de Goiás apresentou R$ 5,56 bilhões em emendas ao Orçamento de 2026, combinando emendas de bancada, de comissão e 201 emendas individuais, que somam R$ 906,3 milhões. O desenho final mostra que os parlamentares elegeram para o ano eleitoral um conjunto fixo de eixos de investimento, sobretudo em infraestrutura, saúde e segurança pública.
Mesmo organizadas por áreas, boa parte das emendas que forem contempladas no orçamento podem ser executadas como emendas PIX a municípios, sem convênio e com liberdade de uso, sobretudo, no caso das individuais. Em ano eleitoral, essas verbas ganham mais peso político.
Neste contexto, o Governo Federal precisou selar um acordo com o Congresso, em que terá de liberar 65% das emendas individuais antes do período eleitoral, a partir de julho. A negociação possibilitou o avanço da tramitação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Com isso, prefeitos goianos receberão a maior parte dos recursos no primeiro semestre, o que poderá ser usado politicamente em 2026.
Grandes projetos
As 11 emendas de bancada elegeram grandes obras rodoviárias e logísticas, projetos estruturantes na área de saúde, ampliação da rede socioassistencial e investimentos federais em segurança pública.
Para Goiânia, foi incluído o Anel Viário da Região Metropolitana da capital, que aparece como Contorno Rodoviário de Goiânia, na BR-153, com orçamento de R$ 306 milhões e é tratada como uma das obras estruturantes mais relevantes para a mobilidade e o escoamento da produção no eixo Goiânia–Anápolis–Brasília.
No final de novembro, um grupo de prefeitos, incluindo o da capital, Sandro Mabel (UB), se reuniu com a bancada para tratar da aprovação do novo traçado da obra, que deverá ter mais de 40 quilômetros e vai abarcar os municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Hidrolândia.
Saúde
A saúde concentra a maior fatia do pacote, com um conjunto de emendas para o custeio e a estruturação da rede hospitalar e ambulatorial que soma R$ 1,47 bilhão.
Os recursos objetivam reforçar serviços que vão desde a manutenção de contratos até a compra de equipamentos para unidades regionais.
Além disso, a Atenção Primária à Saúde, base do atendimento municipal, recebeu indicação de R$ 403,8 milhões, que poderão ser destinados pelos parlamentares aos municípios goianos.
Infraestrutura e mobilidade
Na área de infraestrutura, deputados e senadores reservaram R$ 300,4 milhões para a construção da ponte sobre o Rio Paranaíba, entre Itumbiara e Minas Gerais, obra considerada essencial para melhorar a ligação interestadual e reduzir gargalos logísticos na divisa entre os dois estados.
No campo da mobilidade, o funcionamento dos sistemas de transporte ferroviário urbano também entrou no pacote, com R$ 302,5 milhões voltados ao eixo Luziânia–Brasília, um dos trechos mais aguardados pela população do Entorno e considerado essencial para aliviar o trânsito rodoviário diário rumo ao Distrito Federal.
Segurança pública
Na área de segurança pública, a bancada destinou R$ 306,6 milhões para a construção e ampliação de unidades operacionais e administrativas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Goiás. O reforço busca modernizar estruturas no estado e ampliar a capacidade de atendimento em trechos estratégicos.
Embora a PRF tenha se mudado em 2021 para o prédio atual no Setor Marista, um imóvel alugado, a corporação possui uma área própria nas imediações da Goinfra e do CORA, onde pretende instalar sua sede definitiva. O espaço já recebeu obras iniciais de cercamento, mas a construção do novo complexo ainda depende dos recursos previstos nas emendas.
Agenda social
No campo social, a bancada separou R$ 331,3 milhões para o fortalecimento do SUAS, sobretudo para a compra de equipamentos e a estruturação física de unidades socioassistenciais.
Também foram destinados R$ 325 milhões para a subvenção econômica destinada à ampliação do acesso ao financiamento habitacional, medida que deve apoiar famílias de baixa renda e impulsionar o setor da construção civil.
Disputa política
A destinação de recursos, no entanto, ainda depende do avanço do Orçamento de 2026, em tramitação no Congresso. Após meses de atraso, Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (4) o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 e destravou a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), num ambiente de forte tensão entre governo e parlamentares.
Enquanto o governo busca preservar o arcabouço fiscal, bancadas pressionam para manter recursos direcionados às bases e consolidar o fundo eleitoral, o que faz com que todas as destinações previstas ainda estejam sujeitas a ajustes nas negociações das próximas semanas.














