A última semana do ano legislativo na Câmara de Goiânia será marcada por um ambiente de negociação e disputa aberta entre vereadores e o Paço Municipal, com avanços simultâneos em duas frentes sensíveis para a gestão do prefeito Sandro Mabel (UB). De um lado, o Legislativo destravou a tramitação do orçamento e, de outro, manteve viva a proposta de revogação da Taxa do Lixo, deixando em aberto uma decisão que pode chegar ao plenário já na próxima segunda-feira (22).
O movimento conjunto revela um padrão de disputa política, em que o governo precisou ceder para assegurar o andamento do orçamento enquanto via sua base ser derrotada em uma pauta tributária impopular.
No caso da Lei de Diretrizes Orçamentárias, aprovada na Comissão Mista na última sexta-feira (19), o Paço chegou à reta final da tramitação pressionado pelo calendário e por críticas de vereadores. Eles classificaram a proposta inicial como subestimada, especialmente no que diz respeito à arrecadação, às emendas parlamentares e à previsão orçamentária da Câmara.
A reação do Legislativo foi segurar a matéria até o limite do ano, condicionando o avanço a ajustes no texto. O relatório do vereador Lucas Vergílio (MDB), apresentado com uma proposta mais restritiva ao Executivo, refletia esse ambiente ao prever limites menores de remanejamento e mecanismos adicionais de controle sobre a execução do orçamento.
A versão inicial, no entanto, não resistiu à negociação de última hora do parlamentar com o líder do prefeito Sandro Mabel (UB), Welligton Bessa (DC), e a interferência da secretária de Governo, Sabrina Garcez. Para destravar a votação, o governo aceitou reduzir sua pretensão original de pelo menos 30% de remanejamento e fechou acordo para fixar o índice em 23% sem travas.
A concessão foi lida como composição, ainda que insuficiente para parte de parlamentares, e evidenciou a necessidade do Executivo de acomodar a base para garantir previsibilidade administrativa em 2026.
Ao mesmo tempo, o Paço teve de aceitar emendas da Mesa Diretora que asseguram o limite constitucional de despesas do Legislativo e ampliar o espaço para emendas parlamentares, estimadas em pelo menos R$ 5 milhões por parlamentar, ponto que havia segurado o avanço da matéria.
Tumulto
A sessão que consolidou o acordo foi marcada por questionamentos sobre o texto em votação, pedidos de suspensão e troca de acusações entre Lucas Vergílio e Welligton Bessa sobre quebra de entendimentos, expondo um ambiente de desconfiança mútua.
A insatisfação de Lucas Vergílio teria ocorrido diante de atropelo do Paço e descumprimento de acordo para a retirada de emendas individuais e manutenção de mecanismos de controle pela Câmara.
À Tribuna, Vergílio fez duras críticas a Bessa e disse que “ele sequer leu o relatório” e não sabia o que estava sendo votado. “A palavra dele e um risco na água é a mesma coisa”. Segundo ele, o líder do prefeito descumpriu o acordo duas vezes em contexto de que “os vereadores da base estão de cócoras para o prefeito”.
Com o embate, o desfecho veio com a aprovação de um voto em separado alinhado ao Paço Municipal, que preservou o percentual de 23% e incorporou emendas negociadas em plenário, enquanto os demais destaques foram rejeitados.
Na mesma manhã, a Comissão de Finanças aprovou o projeto que revoga a Taxa do Lixo, garantindo que a decisão final fique a cargo do plenário.
A reportagem tentou sucessivos contatos com Welligton Bessa, sem sucesso. A reportagem também procurou Sabrina Garcez, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.
Mabel terá 23% de remanejamento em 2026, conforme LDO aprovada na Comissão Mista














