A Coluna de Marco Aurélio, monumento de mármore com cerca de 1.840 anos localizado no centro de Roma, passa por uma restauração a laser avaliada em US$ 2,3 milhões, aproximadamente R$ 12,7 milhões. O processo vem revelando com mais nitidez cenas de batalhas, execuções e prisioneiros, antes ocultas por séculos de sujeira e desgaste.
Desde a primavera europeia de 2025, uma equipe formada por 18 restauradores especializados atua diretamente no monumento. Para isso, utiliza lasers portáteis de pulso curto combinados com envoltórios químicos. A técnica remove camadas de resíduos acumulados ao longo do tempo na coluna, que tem cerca de 30 metros de altura. A construção ocorreu entre os anos 180 e 193 d.C., logo após a morte do imperador romano Marco Aurélio.
Segundo a restauradora-chefe do projeto, Marta Baumgartner, esta intervenção representa a aplicação mais extensa já feita da tecnologia a laser em um monumento da Antiguidade. Embora o custo supere o de métodos tradicionais, a especialista afirma que a escolha garante maior precisão e eficiência na conservação.
Preservação do mármore e das marcas do tempo
De acordo com Baumgartner, o uso do laser preserva o material original da coluna, especialmente o mármore de Carrara. Além disso, a técnica respeita as pátinas naturais que indicam o envelhecimento da pedra. Por isso, evita desgastes excessivos e reduz riscos de danos estruturais.
Enquanto realizam a limpeza, os restauradores também preenchem fissuras, corrigem quebras e tratam áreas afetadas pela erosão. Décadas de exposição à poluição, à chuva e ao vento agravaram esses danos. Durante o processo, a equipe identificou materiais inadequados usados em intervenções do século 19 e em uma restauração feita nos anos 1980. Esses elementos comprometeram o mármore e agora passam por remoção cuidadosa.
Em 1589, a estátua original de Marco Aurélio no topo da coluna deu lugar a uma escultura de bronze de São Paulo. Essa alteração permanece até hoje.

Um monumento único da Roma Antiga
A Coluna de Marco Aurélio figura entre os raros monumentos militares romanos que ainda permanecem em seu local original. Ela fica em frente ao Palazzo Chigi, sede oficial do primeiro-ministro da Itália. Assim, estabelece uma ligação visual direta entre a Roma Antiga e o Estado italiano contemporâneo.
Os frisos em espiral envolvem a coluna 23 vezes e criam uma narrativa contínua das campanhas militares conduzidas durante o reinado de Marco Aurélio. Réplicas em gesso desses relevos, produzidas em 1955, estão expostas no Museu da Civilização Romana. Até hoje, pesquisadores utilizam esse material como referência.
A estrutura reúne 18 tambores de mármore decorados com mais de 2.000 figuras. Entre elas aparecem soldados, prisioneiros, divindades e animais. Algumas cenas mostram até uma intervenção divina, simbolizada por uma chuva torrencial. Embora muitos detalhes não sejam visíveis a partir do solo, eles impressionam quando observados de perto.
Área reaberta e conclusão prevista
A praça ao redor da coluna ficou fechada por dez anos após uma tentativa de assassinato contra agentes de segurança do Palazzo Chigi, em 2013. Somente em 2023, o local voltou a receber o público.
Por fim, a previsão indica que a restauração será concluída no início de 2026. O trabalho deve devolver ao monumento parte de sua legibilidade artística e histórica original.














