A filiação da vereadora Aava Santiago ao PSB construiu cenários novos para a eleição de 2026. Um deles incluiu o governador Marconi Perillo (PSDB). Em entrevista à Tribuna, a vereadora disse que a ida dela para o PSB amplia os horizontes de Marconi para a disputa do governo de Goiás. “Ele tem em mim uma aliada de primeira hora e sempre leal em outra sigla, o que dá mais possibilidade de agregar que na sigla que já estamos e que já está consolidada com ele.” Ela disse que avisou a João Campos, presidente do PSB, que não mudaria de partido se não pudesse estar com o Marconi na campanha dele.
Aava também abre um divergência interna na legenda. O ex-presidente do PSB, Elias Vaz, disse à Tribuna que não há nenhuma conversa com José Eliton em andamento para que ele possa vir para a legenda disputar o governo com o apoio do PT. Todavia, o primeiro ato de Aava como presidente do PSB foi se reunir com o ex-governador e convidá-lo a retornar ao partido. A movimentação de Aava, no mínimo, cria uma nova perspectiva para o campo da oposição em Goiás, e a vereadora ganha um protagonismo enorme nessa construção, que passa pelo presidente Lula.
O primeiro convite para Aava Santiago se filiar ao PSB partiu da deputada federal Tabata Amaral. “Tabata foi fundamental, porque participamos juntas do podcast da Manuela D’Ávila – eu nunca tinha conversado com a Tabata e foi lindo – nós fomos com a cara uma da outra, a Tabata pegou meu contato, mandou mensagem e marcamos de conversar.”
Sobre o PSDB
A filiação ao PSB é fruto do entendimento de que Aava já havia cumprido um ciclo virtuoso no PSDB. “Sou do PSDB, fui do PSDB desde os meus 16 anos, construí políticas públicas que transformaram a vida de milhares de pessoas a partir do PSDB, como por exemplo o Passe Livre Estudantil, um programa criado pelo governador Marconi Perillo, do qual eu fui uma das coordenadoras e aprendi muito sobre ferramentas práticas de redução das desigualdades me inspirando no trabalho especialmente no trabalho do Marconi como governador aqui em Goiás”.
Em Brasília
Caso seja eleita, Aava acredita que irá lidar com outro PSDB, o nacional, “que é muito diferente do PSDB de Goiás sob a liderança de Marconi Perillo”. Para atuar no cenário nacional, a vereadora entende que o PSB faz mais sentido por causa da proximidade que ela tem com o presidente Lula e das defesas das teses do Brasil nesse momento. “Conversei com muita tranquilidade com o presidente Marconi e também com o presidente João Campos. E nessa troca com eles, conversando com um, conversando com o outro, a gente chegou a esse resultado exitoso, sem ruídos, de filiação ao PSB.”
No PT, nunca
Aava Santiago afirma que nunca cogitou se filiar ao PT, mas que conversou com interlocutores do presidente Lula sobre sua filiação no PSB. “O presidente tem um pensamento mais global das coisas. Ele nunca falou comigo sobre partido nenhuma vez em que estivemos juntos. Agora, interlocutores diretos dele, do Palácio do Planalto, sim, a gente vinha falando sobre isso.”
A presidência do partido
Não era uma condição imperativa de Aava Santiago assumir a presidência para se filiar ao PSB. Foi mais o entendimento do partido do que necessariamente da vereadora. “A minha condição era de que eu tivesse total autonomia sobre o processo de montagem de chapas, algo que eu, como candidata, não tenho como abrir mão, até porque a gente tem experiências muito traumáticas de perda de mandato por problemas na montagem de chapa.” A presidência veio em razão da sintonia que surgiu entre Aava, João Campos e Tabata Amaral. “Considerando o que eles pensam para o partido nos próximos anos em nível nacional, eles entenderam que o meu nome era uma peça chave, uma peça estratégica para Goiás, para o cenário nacional. Por isso que a construção aconteceu dessa forma.”
100% definitiva
A vereadora Aava Santiago não volta atrás em disputar uma cadeira na Câmara Federal, apesar de considerar uma coisa gigantesca e extraordinária a forma como a minha candidatura dela tem sido recebida de maneira positiva. “É muito grande, mas um grande possível. É nesse lugar do possível, sabendo da minha grandeza e também da minha pequeneza, que eu vou fazer essa disputa.” A candidatura também faz parte do compromisso que fez de entregar uma bancada de deputados do PSB. “Isso necessariamente passa pela minha candidatura, não tem outro caminho. E depois que eu faço o compromisso, não volto atrás.”
Fé em disputa
O avanço do bolsonarismo sobre setores das igrejas evangélicas deixou de ser apenas um fenômeno eleitoral para se tornar uma crise eclesiástica, avalia Aava Santiago. Ao transformar preferências políticas em critério de fé, o movimento criou uma espécie de “religião paralela”, na qual a fidelidade a um líder político passou a ser confundida com conversão religiosa. O resultado foi a substituição do púlpito pelo palanque e da teologia pela militância. “Quando a gente escancara que o bolsonarismo, que eu chamo de bolsolatria, se instalou dentro das nossas igrejas como uma religião paralela, é uma discussão teológica, é uma discussão eclesiástica, que acaba tendo eco político.”
O pastor ou o mito
Segundo a vereadora, as eleições recentes escancararam uma inversão de autoridade dentro de parte das igrejas evangélicas: em muitos casos, a palavra de Jair Bolsonaro falou mais alto que a orientação pastoral. “Eu vou citar Goiânia como exemplo. O candidato apoiado pelas Assembleias de Deus em Goiânia era Vanderlan Cardoso. O candidato apoiado pelo bolsonarismo era Fred Rodrigues. Os crentes migraram uma parte considerável deles para o Fred, em vez de apoiar o candidato da igreja. ”
Os dois senhores
O incômodo de bispos e pastores diante de ataques vindos do bolsonarismo — inclusive quando lideranças religiosas oram por autoridades eleitas — mostra que o debate chegou ao coração das igrejas, aposta a vereadora goiana. “Michele Bolsonaro postou que ‘ninguém pode servir a dois senhores’. O vice-presidente nacional das Assembleias de Deus no Brasil, o Bispo Abner Ferreira, ficou indignado com a fala; ‘Quem é o senhor? Eles querem que o Bolsonaro seja o senhor? Quando ela diz servir a dois senhores, ela está, então, admitindo que o que o bolsonarismo espera é que a igreja os trate como senhores”.
1 – Atualmente, existem 30 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e outras 23 em formação.
2 – Só legendas que tenham registrado o estatuto no TSE seis meses antes do pleito podem lançar candidatas e candidatos nas Eleições de 2026.
3 – Só é admitido o registro de partido que comprove, em dois anos, o apoio de eleitores não filiados equivalente a 0,5% dos votos da última eleição para a Câmara.













