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Alego fecha 2025 com 5,7 mil cargos comissionados e amplia estrutura política

Nos bastidores, a leitura é que o redesenho da estrutura de gabinetes amplia margem para acomodação política


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 24/01/2026 - 08:50

Aumento ocorre em um momento de intensificação do ambiente pré-eleitoral (Foto: Divulgação)

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) fechou 2025 com 5.712 cargos comissionados, novo recorde após uma sequência de aumentos nas nomeações de livre indicação política ao longo do ano. O crescimento foi impulsionado por mudanças internas que elevaram a capacidade de contratação dos gabinetes e ampliaram postos na estrutura administrativa da Casa.

Desde janeiro de 2023, com o início da gestão de Bruno Peixoto (UB) na presidência, o total de comissionados saiu de 3.733 (dezembro de 2022) para 5.712 em dezembro de 2025, alta de 65%. Em 2025, a ampliação ganhou novo ritmo com a elevação do teto de assessores por gabinete, que passou a permitir até 120 contratados.

Os números constam de levantamento baseado no Portal da Transparência da Alego, apurado pelo jornalista Rubens Salomão, do jornal O Popular, e indicam também um descompasso crescente em relação ao quadro efetivo. No mesmo período, o número de concursados recuou de 336 para 323, fazendo com que os comissionados passassem a representar 17 vezes a quantidade de servidores efetivos.

Impacto financeiro

O avanço nas indicações políticas teve reflexo nos gastos da folha: em 12 meses, a despesa mensal subiu R$ 3,7 milhões, saindo de R$ 36,6 milhões em janeiro para R$ 40,3 milhões no fechamento de 2025. A relação entre efetivos e comissionados tem sido acompanhada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO) em relatórios periódicos. O Ministério Público também recebeu denúncia sobre o tema em 2024, sem evolução até aqui.

Além da expansão nos gabinetes, a Alego aprovou, em 2025, a criação de novos cargos na administração. A medida foi incorporada por emenda durante a tramitação de um projeto de resolução. Ainda que a justificativa interna tenha apontado ausência de impacto financeiro direto, o custo agregado pode ser pressionado por benefícios vinculados ao conjunto de nomeações, como auxílio-alimentação.

Em nota, a direção da Alego afirmou que as despesas seguem compatíveis com o orçamento aprovado e com o duodécimo constitucional, e que a folha está dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. A Casa também alegou economia de R$ 200 milhões ao longo de 2025 e sustentou que a política de nomeações se insere na autonomia administrativa dos parlamentares, que podem distribuir a cota entre mais cargos com salários menores ou menos cargos com remunerações maiores.

O aumento ocorre em um momento de intensificação do ambiente pré-eleitoral. Nos bastidores, a leitura é que o redesenho da estrutura de gabinetes amplia margem para acomodação política e reforço de bases regionais, o que tende a se acentuar com a aproximação de 2026.

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