Skip to content

A arte de descobrir talentos em um futebol de poucos recursos


Herivelto Nunes Por Herivelto Nunes em 31/01/2026 - 09:20

Fazer futebol nos centros periféricos do futebol brasileiro requer inteligência, criatividade e olho clínico para descobrir talentos sem a exigência de fazer grandes investimentos de jogadores já reconhecidos no cenário do futebol nacional. Mesmo porque esses recursos não existem nos clubes considerados pequenos ou medianos. Em agremiações da elite, como Flamengo e Palmeiras, a realidade é outra, para adquirir um grande jogador, basta querer.

Goiás é considerado um Estado periférico, quando o assunto é futebol. Há dois anos, nenhum clube goiano disputa a série A do campeonato brasileiro. A capacidade de investimento é muito pequena, por isso, os dirigentes têm que usar da criatividade, do conhecimento do futebol e da capacidade de visualizar onde estão as oportunidades para, quem sabe, acertar em apostas que podem se transformar em dinheiro para os cofres dos clubes. Em Goiás, alguns dirigentes foram e são especialistas em encontrar “joias” que trouxeram e trazem grande retorno aos cofres das equipes.

Hailé, Raimundo e Adson

No Goiás, Hailé Pinheiro e Raimundo Queiroz sempre descobriram talentos, negociados por quantias importantes, que proporcionaram ao clube construir seu invejável patrimônio e manter o time na divisão de elite do futebol nacional. São os casos de Araújo, Josué e Marquinhos, descobertos por Raimundo Queiroz no interior de Pernambuco, que se transformaram em craques desejados por grandes clubes do Brasil e do exterior. Josué jogou no futebol alemão e vestiu a camisa da seleção brasileira.

Ainda no Goiás, o dirigente maior da agremiação, Hailé Pinheiro dirigia a HP Transportes e ainda encontrava tempo para comandar o Goiás e “garimpar” jogadores para o elenco esmeraldino. Hailé Pinheiro descobriu Bruno Henrique, jogando pelo Itumbiara, na época disputando a segunda divisão do futebol goiano. O atacante foi negociado posteriormente com o futebol da Alemanha e atualmente defende as cores do Flamengo. Hailé Pinheiro ainda descobriu o goleiro Tadeu, na Ferroviária de Araraquara e Michael, quando o craque jogava por um prato de comida no Goianésia. 

Outro expert em descobrir talentos é Adson Batista, presidente do Atlético Goianiense. Por suas mãos, o Atlético descobriu o volante Marlon, hoje no Palmeiras, Baralhas, atualmente no Vitória da Bahia, Wellington Rato, se recuperando de contusão no Goiás, o goleiro Ronaldo, contratado pelo Bahia e por último, o centroavante Léo Jacó, contratado junto ao Vasco da Gama. Esse foi um “achado”. Léo Jacó tem apenas 20 anos, foi artilheiro do sub-20 da equipe cruzmaltina e acabou sendo liberado pelo Vasco. O Atlético viu no artilheiro uma oportunidade de negócio, contratou o jogador que já é o artilheiro do campeonato goiano, com valorização garantida.

Com 22 gols marcados na categoria em 2025, Léo Jacó acabou não sendo adquirido pelo Vasco. O jogador pertencia ao Nova Iguaçu e estava emprestado ao time da Colina, com preferência para contratar o artilheiro em definitivo. A torcida do Vasco protestou, queria a permanência do jogador, mas a diretoria não demonstrou interesse e o artilheiro foi contratado por Adson Batista por apenas R$ 1 milhão. Léo Jacó assinou contrato com o Dragão por quatro anos e, certamente, vai render muito dinheiro para a equipe atleticana.

Atualmente, Vila Nova e Goiás, principalmente, não tem feito descobertas em times considerados pequenos, ou até mesmo na várzea, onde surgem os grandes jogadores. Preferem contratar jogadores prontos, que não estão sendo aproveitados em outros times, às vezes veteranos em fim de carreira, como aconteceu com muitos jogadores contratados no ano que passou. São os chamados “medalhões”, jogadores que brilharam nos grandes times e, no final de suas carreiras, encontram no futebol goiano uma oportunidade de faturar uma grana extra e garantir a aposentadoria tranquila.

A Taça fica na capital

Se na capital goiana é difícil fazer futebol de alta qualidade, no interior a situação é muito pior. Sem calendário e sem apoio, é muito mais complicado fazer boas equipes e sonhar com um título estadual. O campeonato goiano de 2026 apresenta um cenário onde os três clubes de Goiânia não são incomodados pelas equipes interioranas. A superioridade técnica é brutal. No início da sétima rodada, já é possível afirmar que o título do estadual não sai das mãos de Goiás, Vila Nova ou Atlético. 

Equipes tradicionais, que inclusive já conquistaram o título estadual, fazem uma campanha sofrível, como é o caso do Goiatuba, Crac de Catalão, Anápolis, além de Aparecidense e Inhumas.  Até o momento, apenas a Jataiense conseguiu vencer um time da capital. Derrotou o Atlético por 3 a 1 no estádio Arapucão. E foi só. E não se pode fazer críticas severas a essas equipes, elas não recebem ajuda das Federações e muito menos da Confederação Brasileira de Futebol. Dependem do apoio financeiro das prefeituras e do comércio de cada município, que via de regra, não participa. 

Para sobreviver, clubes de estados periféricos não têm outra alternativa, a não ser investir nas categorias de base, formar seus próprios atletas e tentar negociá-los, antes que os empresários os levem de graça.  Esse é o retrato de um futebol em uma região distante geograficamente dos grandes centros. Pobre financeiramente e de nível técnico sofrível.

O Goiás anunciou a contratação do meio campista Lucas Lima, de 35 anos. O jogador já defendeu o Palmeiras e o Santos e, atualmente, estava no Sport Recife. Será que ainda joga em alto nível?

-O mundo do futebol está mais pobre. Morreu esta semana Ary Paghetti, craque que fez história jogando no Atlético e  no Goiás. Praticando um futebol refinado, Paghetti defendeu a seleção goiana na inauguração do estádio Serra Dourada.

-Lucas Rodrigues, volante da base do Goiás, é candidato à revelação do campeonato goiano. O jovem volante é duro na marcação, tem uma saída de bola com qualidade e alimenta o ataque com  categoria. Ainda marca gols.

-No Atlético, a boa surpresa no jogo contra o Inhumas, no meio de semana,  foi o meia GH, da equipe sub-20. O jogador foi o destaque do time, é habilidoso, tem visão de jogo e pisa na área frequentemente. .

-O Clube do Remo, que ganhou a vaga na série A derrotando o Goiás em Belém, começou mal o campeonato brasileiro, sendo derrotado pelo Vitória-BA no Barradão por 2 a 0. 

-O time paraense tem em seu elenco o polêmico atacante Alef Manga, ex-Goiás e Avaí. Nas resenhas do futebol, a aposta é que o Remo volte para a série B no final da temporada.

Herivelto Nunes

Herivelto Nunes é Jornalista, com Pós Graduação em Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching

Pesquisa