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Endometriose atinge 7 milhões de brasileiras e pode levar à infertilidade

Março Amarelo alerta para diagnóstico precoce; dor incapacitante exige investigação especializada


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 12/03/2026 - 15:30

Doença inflamatória afeta 10% das mulheres em idade reprodutiva. Foto: Reprodução

endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Estima-se que afete entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, o que representa cerca de 190 milhões de pessoas no mundo, sendo 7 milhões no Brasil. As causas ainda não são completamente conhecidas, mas a literatura aponta hipóteses que envolvem fatores genéticos, hormonais e imunológicos, além da possibilidade de menstruação retrógrada, quando o sangue menstrual reflui pelas tubas em direção à cavidade abdominal. Segundo o Ministério da Saúde, os atendimentos pelo SUS relacionados à endometriose cresceram 76,2% nos últimos três anos.

Os sintomas mais comuns incluem dismenorreia, que é a cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dispareunia, caracterizada por dor durante a relação sexual com penetração, queixas intestinais e urinárias com padrão cíclico e infertilidade. A ginecologista Gabriela Freitas, da Clínica Vittá, explica que a demora no diagnóstico, que pode chegar a dez anos, ocorre pela normalização da dor. “Muitas mulheres escutam por anos que cólica é normal, o que faz com que demorem a procurar ajuda”, alerta. O diagnóstico pode ser desafiador, com média de sete anos entre o início dos sintomas e a confirmação. O processo inclui avaliação clínica e exames de imagem como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética de pelve com contraste, que identificam a localização e extensão das lesões.

O tratamento da endometriose pode ser medicamentoso, cirúrgico ou a combinação de ambos, dependendo de fatores como gravidade dos sintomas, extensão da doença, desejo de gravidez e idade da paciente. Para quem não deseja engravidar, o foco é o controle da dor e da progressão da doença com terapia hormonal, como anticoncepcionais combinados, progestágenos ou DIU hormonal.

Para quem deseja engravidar, a abordagem pode ser diferente, envolvendo estratégias para preservar a fertilidade, como acompanhamento especializado, indução da ovulação ou, em alguns casos, cirurgia para remoção dos focos da doença. Gabriela Freitas ressalta que “a cirurgia não é necessária para todas as pacientes. Costuma ser indicada em casos de dor refratária ao tratamento clínico, presença de endometriomas ovarianos, comprometimento de órgãos como intestino ou quando há infertilidade associada e indicação específica”. O acompanhamento psicológico é parte essencial do cuidado, diante do caráter crônico da doença e dos desafios enfrentados até o diagnóstico.

A campanha Março Amarelo, que tem o Dia Nacional de Luta contra a endometriose em 13 de março, busca conscientizar sobre a doença e a necessidade de diagnóstico precoce. A endometriose interfere em diversos aspectos da vida da mulher, incluindo saúde mental, vida sexual, relações pessoais, trabalho e renda. Reconhecer esses impactos é fundamental para o manejo integral da doença. “Sentir dor incapacitante não faz parte da natureza feminina”, reforça Gabriela Freitas. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado, aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e preservar a fertilidade, evitando complicações futuras e garantindo mais saúde e bem-estar às mulheres.

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