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Estudantes de Goiás querem mais aulas práticas, conectadas à vida real e com foco em bem-estar

Levantamento ouviu mais de 80 mil participantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental no estado e revela desejo por tecnologias, atividades “mão na massa” e que promovam convivência saudável


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 16/03/2026 - 13:08

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Na percepção dos mais de 80 mil estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental ouvidos em Goiás, a escola é, acima de tudo, um espaço de relações - Reprodução

Estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental em Goiás colocam as aulas práticas, com projetos e atividades “mão na massa”, entre as principais características da escola que desejam. O item foi apontado por 41% dos respondentes de 6º e 7º anos e por 42% dos de 8º e 9º anos, em um universo de mais de 80 mil participantes das redes estadual e municipais. Os dados são parte da pesquisa realizada pelo MEC (Ministério da Educação), em parceria com Itaú Social, Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação).

“As vozes dos adolescentes de Goiás são um chamado para construirmos escolas que respondam às suas necessidades e aspirações. Esses resultados nos mostram que, ao ouvirmos, podemos criar políticas educacionais mais conectadas a essa fase do desenvolvimento humano e à realidade local”, diz Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social.

O que a escola representa

Na percepção dos mais de 80 mil estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental ouvidos em Goiás, a escola é, acima de tudo, um espaço de relações. Entre os de 6º e 7º anos, 84% afirmam ter amigos ou amigas com quem gostam de estar – o item mais citado. Em seguida aparecem a confiança em pelo menos um adulto da escola (76%) e o aumento dos conhecimentos nas disciplinas (72%).

Já entre os de 8º e 9º anos, a ordem dos dois principais indicadores se inverte: 82% destacam a presença de amigos ou amigas com quem gostam de estar e 68% valorizam o aumento dos conhecimentos sobre as disciplinas. A confiança em um adulto diminui para 65%, registrando a maior diferença entre as faixas etárias (11 pontos percentuais a menos).

Conteúdos considerados mais úteis para a vida

As disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, aparecem em primeiro lugar nas duas faixas, mas com redução de 48% (6º e 7º anos) para 36% (8º e 9º anos). Esportes e bem-estar mantêm índices próximos: 39% e 36%. Entre os mais velhos ainda são evidenciados os conteúdos sobre educação financeira (30%) e autoconhecimento, autocuidado e saúde mental (28%).

Atividades indispensáveis na escola do futuro

As aulas práticas, com projetos e atividades “mão na massa”, são a prioridade mais consistente entre os estudantes goianos: 41% dos respondentes de 6º e 7º anos e 42% dos de 8º e 9º anos as consideram indispensáveis. Logo atrás, na faixa dos mais novos (6º e 7º anos), aparecem as práticas esportivas (41%) e as atividades com tecnologia e mídias digitais (40%), formando um trio equilibrado de preferências.

Já entre os estudantes de 8º e 9º anos, as aulas práticas seguem na liderança (42%), mas práticas esportivas (38%) e atividades com tecnologia e mídias digitais (38%) perdem força, mantendo-se, porém, como as três principais demandas para a escola do futuro.

Formas de aprender que mais ajudam

Quando perguntados sobre as formas de aprender que mais contribuem para seu desenvolvimento, os estudantes goianos dos Anos Finais do Ensino Fundamental mostram uma evolução de preferências entre as faixas etárias. Fazer visitas, passeios e trabalhos fora da escola é a opção que registra o maior crescimento: sobe de 39% entre os estudantes de 6º e 7º anos para 45% entre os de 8º e 9º anos, tornando-se a forma de aprendizagem mais citada pelos adolescentes mais velhos e revelando uma busca maior por experiências conectadas ao mundo real além dos muros escolares.

Já os trabalhos em grupo perdem força conforme a idade avança, caindo de 35% na faixa inicial para 27% na faixa final. Feiras e exposições na escola mantêm praticamente o mesmo patamar nas duas faixas, com 23% entre os mais novos e 24% entre os mais velhos, aparecendo como a terceira opção em ambos os grupos.

Convivência

Jogos, competições e olimpíadas são, de longe, a principal sugestão para melhorar a convivência escolar em Goiás. O item lidera nas duas faixas etárias, com 49% entre os estudantes de 6º e 7º anos e 50% entre os de 8º e 9º anos. As diferenças entre os grupos etários ficam claras nas demais posições. Os estudantes mais novos (6º e 7º anos) dão prioridade a atividades que falem sobre bullying, racismo e prevenção de violências (32%), além de destacar igualmente a garantia de segurança nos espaços da escola e entorno (30%) e a melhoria dos espaços físicos para convivência (30%).

Já os adolescentes de 8º e 9º anos colocam a melhoria dos espaços de convivência como segunda principal demanda (32%), seguidos por atividades que ajudem a lidar com emoções (30%) e pela presença de uma pessoa conselheira à qual possam recorrer quando precisarem (28%).

Sobre o relatório

A pesquisa com dados do estado de Goiás faz parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências, que traz as percepções dos estudantes sobre suas identidades, diversidades e obstáculos à participação, estimulando gestores, professores e comunidades a promoverem escolas mais inclusivas e transformadoras.

No contexto nacional, a iniciativa ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes das redes estaduais e municipais, marcando um passo importante na elaboração de uma política pública voltada especialmente para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Os dados reforçam a necessidade de escolas que dialoguem com as experiências e expectativas dos alunos, promovendo uma educação mais prática, participativa e conectada à vida cotidiana.

Mais informações e os detalhes completos do relatório podem ser acessados em: https://semanadaescuta.org.br/resultados/estados

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