Tramita na Câmara Municipal de Goiânia projeto de lei de autoria dos vereadores Igor Franco (MDB) e Luan Alves, que institui o dia 13 de setembro como feriado municipal em memória das vítimas do acidente radiológico com o Césio-137. Protocolada nesta quarta-feira (8), a proposta prevê que a data passe a integrar o Calendário Oficial de Eventos do município e seja observada anualmente como marco cívico e memorial.
A iniciativa surge em meio à repercussão da série brasileira Emergência Radioativa, lançada pela Netflix em março de 2026, que alcançou o topo do ranking global da plataforma em abril e levou a tragédia de Goiânia a uma audiência internacional. A produção trouxe à tona debates sobre memória e assistência às vítimas, além de provocar reações locais sobre a forma como a cidade foi retratada na produção.
Pelo texto do projeto, o dia 13 de setembro foi escolhido por corresponder ao momento em que, em 1987, “a cápsula contendo cloreto de césio-137 foi retirada do antigo Instituto Goiano de Radioterapia”, marco inicial do processo de contaminação. A proposta determina ainda a suspensão do expediente da administração pública municipal, com manutenção dos serviços essenciais, como saúde, segurança, limpeza urbana e transporte coletivo.
Na justificativa, os autores afirmam que “a história de Goiânia é indissociável de um dos mais graves acidentes radiológicos já registrados no mundo” e sustentam que a criação do feriado representa “um ato de memória, de respeito e de responsabilidade pública”. Segundo o texto, “ao parar a cidade nessa data, o Município afirma, de forma solene e irrevogável, que esta tragédia integra a identidade histórica de Goiânia e não pode ser esquecida”.
Os vereadores destacam ainda que os efeitos do desastre permanecem atuais. “As consequências desse evento permanecem vivas na memória coletiva e no cotidiano de inúmeras vítimas diretas e indiretas”, diz a justificativa, ao apontar que, além dos danos físicos, persistem “efeitos psicossociais profundos, como o estigma, a discriminação e os desafios relacionados à reparação e ao reconhecimento institucional das vítimas e seus descendentes”.
O projeto estabelece como objetivos prestar homenagem às vítimas e aos profissionais que atuaram na contenção do acidente, promover a conscientização sobre segurança radiológica e fomentar ações educativas na rede municipal. Os autores defendem que a proposta cumpre “relevante função pedagógica e cidadã”, ao transformar o episódio em instrumento permanente de aprendizado e prevenção.
A tramitação ocorre em paralelo a outras iniciativas legislativas sobre o tema, como o Projeto de Lei nº 139/2026, da vereadora Kátia Maria, que propõe instituir a data como dia municipal sem caráter de feriado, e a Lei nº 11.039/2023, de autoria da vereadora Aava Santiago, que já incluiu no calendário oficial do município o Dia Maria Gabriela Ferreira, celebrado em 23 de outubro.
O projeto ainda será analisado pelas comissões da Casa antes de seguir para votação em plenário.
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