Apesar das transformações no mercado de trabalho nos últimos anos, a preferência dos brasileiros ainda está no modelo tradicional: o emprego com carteira assinada. É o que revela uma pesquisa recente divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta que a maioria da população segue priorizando vínculos formais de trabalho.
De acordo com o levantamento, fatores como estabilidade, acesso a benefícios e maior segurança financeira continuam sendo determinantes na escolha por empregos com registro em carteira, mesmo diante do crescimento de modalidades como o trabalho por aplicativo e o empreendedorismo informal.
Entre os principais motivos citados pelos entrevistados está a garantia de direitos trabalhistas, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS e aposentadoria. Esses benefícios ainda são vistos como essenciais, principalmente em um cenário econômico marcado por incertezas.
A pesquisa mostra que, para grande parte dos brasileiros, a previsibilidade da renda e a proteção social oferecida pelo emprego formal seguem sendo mais atrativas do que a flexibilidade de outras formas de trabalho.
Mercado em transformação
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado crescimento da informalidade e do trabalho autônomo, impulsionado principalmente por aplicativos de transporte e entrega, além de novas formas de geração de renda.
Mesmo assim, o modelo com carteira assinada ainda é visto como sinônimo de estabilidade, especialmente entre trabalhadores mais experientes e famílias que dependem de renda fixa.
Principais números da pesquisa
36,3% preferem emprego com carteira assinada (CLT);
18,7% apontam o trabalho autônomo como melhor opção;
12,3% consideram o emprego informal mais atrativo;
10,3% têm interesse em trabalho por plataformas digitais;
9,3% preferem abrir o próprio negócio;
6,6% optam por atuar como pessoa jurídica (PJ);
20% não encontraram oportunidades atrativas.
Preferência entre jovens
Entre os jovens, a escolha pelo emprego formal é ainda mais forte, refletindo a busca por segurança no início da carreira.
41,4% dos trabalhadores de 25 a 34 anos preferem CLT;
38,1% dos jovens de 16 a 24 anos também priorizam o modelo.
Segundo Claudia Perdigão, o emprego formal traz mais segurança para os jovens, que procuram maior estabilidade no início da carreira profissional.
Renda complementar
O trabalho por meio de plataformas digitais, como motorista ou entregador de empresas de aplicativo, é visto majoritariamente como complemento de renda.
Segundo o levantamento, apenas 30% consideram essa atividade como principal fonte de sustento.
Alta satisfação
A pesquisa também aponta elevado nível de satisfação no mercado de trabalho, o que ajuda a explicar a baixa busca por novas oportunidades.
95% estão satisfeitos com o emprego atual;
70% se dizem muito satisfeitos;
4,6% estão insatisfeitos;
1,6% muito insatisfeitos.
A mobilidade no mercado é limitada:
20% buscaram outro emprego recentemente;
35% dos jovens (16 a 24 anos) procuraram nova vaga;
6% dos trabalhadores com mais de 60 anos fizeram o mesmo.
O tempo no emprego também influencia:
36,7% com menos de um ano no trabalho buscaram nova vaga;
9% com mais de cinco anos na mesma função fizeram o mesmo.
Realizado pelo Instituto Nexus, em parceria com a CNI, o levantamento ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A pesquisa foi realizada de 10 a 15 de outubro de 2025, mas só foi divulgada agora.
*Com informações da Agência Brasil
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