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Após testes e interceptações, caça Gripen fará treino inédito com Exército, Marinha e Aeronáutica em Anápolis

Exercício EXCON Escudo-Tínia reúne as três Forças Armadas no Centro-Oeste pela primeira vez e marca estreia do F-39 Gripen em operações conjuntas no país


Por Carlos Nathan Sampaio em 02/05/2026 - 13:25

Após testes e interceptações, caça Gripen fará treino inédito com Exército, Marinha e Aeronáutica em Anápolis
Atualmente, o Gripen E é operado pelo 1º Grupo de Defesa Aérea, na BAAN. (Fotos: Reprodução)

As Forças Armadas brasileiras farão, entre os dias 11 e 29 de maio, um treinamento conjunto inédito em Anápolis, reunindo Exército, Marinha e Aeronáutica em uma operação integrada de alta complexidade. Batizado de EXCON Escudo-Tínia, o exercício será realizado na Base Aérea de Anápolis e marca um momento histórico: a primeira participação do caça F-39 Gripen nesse tipo de treinamento no Brasil.

Tradicionalmente realizado no Sul do país, em bases no Rio Grande do Sul, o exercício ocorre pela primeira vez no Centro-Oeste, ampliando o alcance estratégico das operações conjuntas. A escolha de Anápolis não é por acaso. A base aérea da cidade é considerada uma das mais importantes do país e abriga, atualmente, unidades responsáveis pela defesa aérea nacional, além de ser o principal polo operacional do Gripen no Brasil.

O treinamento tem como objetivo principal preparar as Forças Armadas para atuarem de forma coordenada em cenários que simulam situações reais de conflito ou crise. Durante quase três semanas, serão executadas missões que envolvem apoio aéreo aproximado, ataques estratégicos, defesa antiaérea, evacuação aeromédica, transporte logístico, infiltração de tropas e ações de reconhecimento.

Um dos grandes destaques é justamente o emprego do F-39 Gripen, considerado um dos caças mais modernos em operação na Força Aérea Brasileira. A aeronave já vem sendo utilizada em missões de policiamento do espaço aéreo, interceptações e exercícios operacionais a partir de Anápolis, mas esta será a primeira vez que participa de um exercício conjunto com as três Forças dentro do EXCON.

O Gripen representa um salto tecnológico significativo para a defesa brasileira. Equipado com sistemas avançados de radar, guerra eletrônica e capacidade de compartilhamento de dados em tempo real, o caça permite maior integração com outras unidades militares — característica essencial em operações conjuntas como o Escudo-Tínia. Sua presença no exercício deve contribuir diretamente para a avaliação de desempenho em cenários complexos e para a validação de novas doutrinas operacionais.

Além do Gripen, o treinamento contará com diversas aeronaves da FAB, incluindo modelos como A-1M, A-29 Super Tucano, F-5M, E-99, KC-390 Millennium e C-105 Amazonas. A diversidade de meios aéreos amplia o nível de complexidade das simulações e permite testar diferentes tipos de missões e respostas operacionais.

Outro foco central do exercício é a chamada interoperabilidade — a capacidade de Exército, Marinha e Aeronáutica atuarem de forma coordenada e eficiente. Isso envolve não apenas ações de combate, mas também integração em áreas como defesa cibernética, comunicação, saúde militar e sistemas de comando e controle.

A Base Aérea de Anápolis (BAAN) tem papel estratégico nesse contexto. Além de sediar unidades de defesa aérea, a instalação já recebeu caças Gripen desde as primeiras fases de incorporação da aeronave ao Brasil. O local passou por adaptações estruturais para operar o novo vetor, incluindo hangares modernos, sistemas de manutenção e infraestrutura compatível com as exigências tecnológicas do caça.

Nos últimos anos, o Gripen também participou de diversas missões de interceptação no espaço aéreo brasileiro, reforçando a vigilância e a soberania nacional. Essas operações, somadas a exercícios anteriores, contribuíram para preparar pilotos e equipes técnicas para o uso pleno da aeronave — experiência que agora será levada ao ambiente conjunto do EXCON.

Com o Escudo-Tínia, as Forças Armadas buscam não apenas aprimorar sua capacidade operacional, mas também consolidar o uso de tecnologias avançadas e fortalecer a integração entre diferentes áreas militares. A realização do exercício em Anápolis e a participação do Gripen marcam um novo capítulo na evolução da defesa aérea e na coordenação estratégica das forças brasileiras.

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