A proibição da abertura dos supermercados neste feriado de 1º de maio em Goiás não surgiu de uma decisão isolada. Ela é o reflexo direto de uma negociação trabalhista que se arrasta há meses entre sindicatos e empresários do setor. A discussão ganhou força ainda em março, quando o Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Secom) apresentou uma proposta ousada: fechar as portas de todos os supermercados aos domingos e reduzir a jornada semanal de 40 para 36 horas.
A ideia começou a ser debatida publicamente no início de abril, período da data-base da categoria. Na ocasião, o procurador jurídico do Secom, José Nilton Carvalho, explicou que a estratégia era usar a negociação sobre os domingos como moeda de troca para liberar os feriados. Como não houve acordo sobre o descanso semanal, o sindicato decidiu barrar também o trabalho no Dia do Trabalhador. “Enquanto não proibirmos a abertura aos domingos, não vamos liberar feriado”, afirmou ele na quarta-feira (29).
O principal argumento do sindicato para fechar os supermercados aos domingos é a dificuldade de atrair mão de obra jovem, especialmente da Geração Z. Segundo José Nilton, há um déficit de 7 mil trabalhadores só na Região Metropolitana de Goiânia porque os jovens evitam a escala 6×1 com jornada de oito horas. Com o fechamento dominical e a redução para seis horas diárias, ele acredita que o setor conseguiria contratar até 12 mil novos funcionários em todo o estado.
Do lado oposto, a Associação Goiana de Supermercados (AGOS) resiste à mudança. A entidade ingressou com mandado de segurança preventivo na Justiça do Trabalho tentando garantir o funcionamento no feriado de 1º de maio, mas admite que a decisão final ainda é incerta. Enquanto isso, o Secom promete fiscalização em Goiânia, Anápolis e outras regiões, com multa de um salário mínimo por funcionário escalado para trabalhar nesta sexta-feira.
O desfecho das negociações sobre o fechamento aos domingos ainda é imprevisível. Se houver consenso entre os sindicatos até o fim do próximo mês, a nova regra pode entrar em vigor já nos primeiros dias de junho. Caso contrário, a categoria terá de recorrer a acordos coletivos por empresa, num processo mais lento e fragmentado. Por ora, o que fica para o consumidor goiano é a certeza de um feriado de portas fechadas nos supermercados.













