Goiás está traçando um caminho ambicioso para reposicionar sua indústria no cenário nacional: tornar-se um polo estratégico de inovação e inteligência artificial. A diretriz integra o Mapa Estratégico da Indústria de Goiás 2025-2032, documento elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e que prioriza a digitalização, o aumento da produtividade e a adoção de novas tecnologias como motores de desenvolvimento.
No mês em que se comemora o Dia da Indústria (25 de maio), a Fieg abre hoje série de reportagens, com publicações às segundas-feiras, sobre os avanços e desafios do setor, movimento que dialoga diretamente com essa agenda de transformação.
A estratégia, articulada pela federação, o Sesi, Senai e IEL, vai além do planejamento e aposta na aplicação prática da inovação. Esse avanço já vem sendo construído com a atuação de vanguarda do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), responsável por aproximar tecnologia, indústria e formação profissional.
Segundo o presidente da Fieg, André Rocha, a indústria goiana atravessa um momento decisivo de transformação, no qual inovação e inteligência artificial deixam de ser tendência para se consolidarem como estratégia de competitividade. Para ele, o Mapa Estratégico da Indústria de Goiás orienta esse avanço ao integrar tecnologia, produtividade e qualificação profissional como pilares do desenvolvimento sustentável. “Nosso compromisso é ampliar o acesso à inovação e preparar as empresas para competir em um ambiente cada vez mais dinâmico, digital e conectado.”
É nesse cenário que a inteligência artificial tem protagonismo como uma das principais ferramentas dessa transformação. Apontada como uma das principais alavancas da nova indústria, a inteligência artificial (IA) vem sendo incorporada por empresas goianas em diferentes níveis, desde rotinas administrativas até etapas mais complexas da produção.
Segundo Weysller Matuzinhos, diretor da Faculdade Senai Fatesg – unidade de Goiânia referência em tecnologia, a IA ocupa hoje papel semelhante ao de outras tecnologias que marcaram revoluções anteriores. “Entre todas as tecnologias habilitadoras, temos a inteligência artificial como protagonista. As indústrias estão aplicando desde seus processos administrativos até as etapas centrais da produção”, diz.
Na prática, isso se traduz em automatização de tarefas, análise de dados e ganho de eficiência. Em alguns casos, as atividades administrativas podem registrar ganhos superiores a 60%, liberando profissionais para funções mais estratégicas. Para ampliar esse alcance, entram em cena os editais de incentivo à inovação. “Outro avanço importante é o uso de editais para fomentar a transformação digital. O Senai, por meio do Núcleo de IA Aplicada da Fatesg, está movimentando cerca de R$ 8 milhões em projetos de inovação com inteligência artificial, direcionados a micro e pequenas empresas industriais. São soluções desenvolvidas integralmente pela instituição, o que mostra que a indústria goiana está atenta a esse processo.”
Para que a inteligência artificial funcione, no entanto, é necessário um pré-requisito essencial: dados. E isso passa diretamente por infraestrutura tecnológica. “Sem dados, não temos como ensinar os sistemas de IA. Sem conectividade, não temos como alimentar esses sistemas”, explica Matuzinhos.
Nesse contexto, tecnologias como o 5G e a Internet das Coisas (IoT) são fundamentais, pois permitem a coleta e o processamento de informações em tempo real. Esse ambiente possibilita que máquinas “conversem” entre si e que sistemas inteligentes realizem análises e tomem decisões com base em dados.
A qualificação de mão de obra é outro eixo central dessa transformação. O Senai tem ampliado sua atuação com cursos técnicos, graduação e pós-graduação em inteligência artificial e áreas correlatas. “Hoje oferecemos formação desde a aprendizagem profissional até a graduação em IA, formando profissionais para atuar diretamente nas demandas da indústria”, destaca Weysller.
A integração entre ensino, pesquisa e aplicação prática tem sido apontada como um diferencial no preparo de profissionais para esse novo cenário.
Do laboratório ao mercado
Se, por um lado, a infraestrutura tecnológica avança e amplia as possibilidades de aplicação da inteligência artificial, por outro ainda persistem desafios relacionados à democratização do acesso à inovação, especialmente entre pequenas e médias empresas.
De acordo com o gerente de Tecnologia e Inovação do Senai, Rolando Vargas, muitas empresas ainda não utilizam instrumentos disponíveis, como linhas de financiamento e incentivos à inovação. “As indústrias não conhecem e não sentem o apoio necessário para acessar esses recursos. O Senai está se posicionando justamente para ajudar na captação e execução desses projetos”, diz. A instituição tem atuado como articuladora, conectando empresas a universidades, startups e fontes de financiamento, além de estruturar editais e programas voltados para inovação industrial.
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