Despachos proferidos na última quarta-feira (29) pela desembargadora Sandra Regina Teodoro Reis, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, determinaram o envio de ações movidas pelo prefeito Sandro Mabel (UB) contra o deputado Clécio Alves (PSDB) à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) antes de qualquer avanço. Em 9 de 10 processos analisados, a relatora adotou o mesmo procedimento, com base no chamado “poder geral de cautela”.
A medida transfere ao Ministério Público a análise inicial das acusações, em sua maioria relacionadas a crimes contra a honra no contexto do embate político entre os políticos. Na prática, o andamento das ações fica condicionado à manifestação da PGJ, que deverá opinar sobre o prosseguimento dos casos.
A defesa do prefeito Sandro Mabel tem assumido publicamente a estratégia de judicialização. Em entrevista à Tribuna do Planalto, o advogado Rannieri Lopes afirmou que a “Defesa do prefeito não vai tolerar ato criminoso contra ele”, que novas ações estão em preparação, e que a atuação busca reagir a condutas que, segundo ele, ultrapassam o limite da crítica política.
Afastamento
No campo político, a tensão também se estende à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), onde o deputado utiliza a Tribuna diariamente para fazer ataques pessoais a Mabel e críticas administrativas à gestão da Prefeitura. A defesa do prefeito deve protocolar nesta segunda-feira (4) uma nova representação contra Clécio Alves, com pedido de afastamento cautelar e análise de quebra de decoro parlamentar, com base em falas recentes do deputado na tribuna.
A ofensiva se insere em um cenário de acirramento político envolvendo tanto o deputado quanto o vereador Igor Franco, ex-líder do prefeito na Câmara. Em menos de uma semana, Sandro Mabel protocolou três ações contra Igor, uma delas incluindo a moradora que o abordou em via pública, além de já ter obtido decisão favorável para retirada de conteúdos produzidos com uso de inteligência artificial.