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Prefeito quer curso de medicina como reparação histórica à Cidade de Goiás

Aderson Gouvêa afirma que perda da capital esvaziou estrutura pública da antiga Vila Boa e inclui ensino superior, centro histórico e abastecimento na pauta dos 300 anos


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 27/05/2026 - 12:34

O prefeito da Cidade de Goiás, Aderson Gouvêa, quer incluir a implantação de um curso de medicina no pacote de compensações históricas que o município pretende cobrar do Governo de Goiás nas comemorações dos 300 anos da antiga capital, em 2027. Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto, Aderson afirmou que a cidade perdeu estrutura administrativa, empregos públicos e universidades após a transferência da capital para Goiânia, em 1937, e que o tricentenário será usado para recolocar a pauta na mesa do Estado.

De acordo com o prefeito, a gestão municipal faz um levantamento sobre um projeto de lei apresentado em 1936, que previa compensações à cidade pela mudança da capital. A ideia agora é atualizar essa cobrança a partir das necessidades atuais do município. “Nós precisamos do apoio do Estado para a implantação de um curso de medicina na Cidade de Goiás”, afirmou Aderson.

O pedido pela graduação na área da saúde entra em uma lista mais ampla. A Prefeitura também quer apoio para requalificar o calçamento do centro histórico, melhorar galerias pluviais, revitalizar a região do mercado e avançar em intervenções no entorno do Rio Vermelho.

Aderson estima que só a revitalização do calçamento histórico, com melhorias nas galerias e na área do rio, fique na casa de R$ 40 milhões. Outro projeto citado por ele é a captação de água no Rio Uru, obra estimada em R$ 30 milhões, considerada essencial para garantir abastecimento em uma cidade que voltou a crescer.

A cobrança tem peso político. O prefeito tenta tirar a reparação histórica do campo simbólico e transformar a pauta em obra, orçamento e projeto de lei. Para ele, a perda da capital deixou marcas que ainda não foram enfrentadas na proporção devida pelo Estado.

“Com a saída da transferência da capital, havia inclusive um acordo jurídico e político de fazer a compensação pela perda da capital. Isso em estrutura, em infraestrutura, mas também na parte financeira. Pena que isso não aconteceu de fato”, disse.

Aderson afirma que o Estado adotou algumas medidas ao longo das décadas, mas longe do que a cidade teria perdido com a mudança do centro político para Goiânia. A antiga capital, segundo ele, encontrou sustentação na própria cultura depois do esvaziamento administrativo.

“Quando perde a capital, ela muda a sua estrutura. Estrutura governamental, os empregos públicos, perdeu as universidades que estavam na cidade. Então, a cidade ficou numa situação de muita fragilidade, onde ela encontrou apoio na sua gente, na sua cultura”, afirmou.

A articulação deve passar pelo Palácio das Esmeraldas e pela Assembleia Legislativa. Aderson disse que solicitou agenda com o governador para apresentar oficialmente a pauta. Também afirmou que buscaria diálogo com o presidente da Alego, Bruno Peixoto, e uma frente de parlamentares.

O prefeito reconhece que a autoria de um eventual projeto de lei de compensação cabe ao Executivo estadual, mas defende que os deputados abracem a proposta. “Os parlamentares precisam também entender e abraçar essa ideia”, afirmou.

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