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A eleição de verdade está no Senado


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 13/09/2026 - 09:00

Gracinha e Mendanha protagonizam disputa interna na base caiadista (Foto: Divulgação)

A base governista entrou na campanha sabendo que a disputa ao Senado seria o ponto mais sensível da eleição em Goiás. Gracinha Caiado, Zacharias Calil, Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha cabem no mesmo palanque, mas disputam duas vagas. A conta nunca foi simples. Nas últimas semanas, ficou mais exposta.

O movimento de eleitores em torno de dobradinhas alternativas, especialmente com Gustavo Gayer, colocou pressão sobre a engenharia da base. Surgiram combinações como Gayer e Mendanha, Gayer e Gracinha. Algumas orgânicas, outras estimuladas por grupos locais. Todas com potencial de embaralhar a estratégia governista.

Daniel Vilela reconheceu, em entrevista a este colunista, que a eleição ao Senado tem lógica própria. Segundo o governador, o voto para a Casa Alta costuma ser decidido por último. “O Senado muda de quinta para domingo, na última semana”, afirmou. Para Daniel, Gracinha tem hoje o voto mais consolidado da disputa, pelo trabalho como primeira-dama, pela rede de proteção social e pela força política de Ronaldo Caiado.

A fala mais reveladora veio quando o governador comentou as tentativas de colar voto em outros candidatos. “Se eu fosse um desses candidatos, para mim seria muito óbvia a minha estratégia. É colar no voto daquela que tem o voto mais cristalizado e consolidado hoje, que é a dona Gracinha”, disse Daniel.

A Paraná Pesquisas divulgada nesta sexta-feira (11) colocou número nesse ambiente. Gracinha lidera com 42,7%. Gustavo Gayer aparece em segundo, com 27,6%. Depois vêm Zacharias Calil, com 22%, Vanderlan Cardoso, com 21,6%, e Gustavo Mendanha, com 16,8%. O levantamento não inaugura a guerra. Apenas confirma que ela está viva.

Gracinha aparece à frente, mas a segunda cadeira segue aberta. Esse é o dado político mais relevante. A base tem estrutura, governo, partidos e candidatos competitivos. Mas também tem excesso de nomes. Cada um tenta se apresentar como o segundo voto natural da ex-primeira-dama. O problema é que o eleitor pode resolver diferente.

Em entrevista a esta coluna, Gustavo Gayer tentou se afastar da leitura de dobradinha informal com Gracinha ou Mendanha. Disse que seu candidato ao Senado é Oséias Varão, do PL, mas reconheceu que eleitores têm feito combinações próprias. “Tem muitas pessoas que escolhem eu e o Mendanha”, afirmou. Em outro trecho, disse ouvir eleitores dizendo que votarão “na Gracinha e no Gayer”.

A fala de Gayer é conveniente, mas também reveladora. Ao dizer que não controla os movimentos “Gugu” e “GuGra”, ele transfere a responsabilidade ao eleitor. Ao mesmo tempo, admite que as combinações existem. Em eleição com duas vagas, isso basta para criar fato político.

O risco para a base está justamente aí. A dobradinha oficial nem sempre é a dobradinha real. Deputado estadual, federal, prefeito, vereador e liderança local tendem a fazer a conta que protege sua própria eleição. Partido pesa. Governo pesa. Mas território, igreja, categoria e amizade política também pesam.

Daniel tenta baixar a temperatura. Disse que a divergência entre Gracinha e Mendanha é “página virada” e que cada candidato busca sua estratégia. Também afirmou que, dentro da base, é preciso manter respeito e limites: uma coisa é apresentar caminho próprio; outra é atacar adversário do mesmo campo.

O governador tem razão em tentar apaziguar. A eleição ao governo caminha sob controle. A do Senado, não. Ali estão o futuro do caiadismo, a força real do PL, o espaço do MDB, a sobrevivência do PSD e a capacidade da base de vencer sem se atropelar. No papel, todos cabem no palanque. Na urna, só dois passam.

Pesquisa em jogo
A Paraná Pesquisas divulgada na sexta-feira deu novo combustível à campanha de Daniel Vilela. O governador apareceu com 45,1% na disputa pelo governo, contra 23,2% de Marconi Perillo. O número reforça a estratégia governista de vender a eleição como caminho de continuidade.

Rejeição tucana
O dado mais duro para Marconi não foi apenas a distância para Daniel. Foi a rejeição. A Paraná mostrou o tucano com 40,9%, a maior entre os candidatos ao governo. Para quem precisa crescer, teto virou problema tão grande quanto piso.

Wilder estacionado
Wilder Morais tenta provar que é o rosto principal da oposição, mas a Paraná recolocou Marconi no segundo lugar na corrida ao governo. O PL tem barulho, bolsonarismo e Gustavo Gayer. Ainda falta transformar isso em tração clara para o candidato ao Palácio.

Gracinha segura
No Senado, Gracinha Caiado manteve a dianteira. O dado importa menos pela liderança em si e mais pelo efeito sobre os demais: todo candidato competitivo tenta se apresentar como o segundo voto natural da ex-primeira-dama.

Wandir fora
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), exonerou Wandir Allan do cargo de procurador-geral do Município. O decreto saiu no Diário Oficial de 10 de setembro. A saída mexe numa área sensível da Prefeitura: a PGM é onde passam disputas judiciais, contratos e parte pesada da governabilidade.

Troca na PGM
No mesmo Diário, Mabel nomeou Souza Santos para exercer o cargo de procurador-geral do Município, em substituição a Natasha Palma Garcia. A mudança ocorre no momento em que a gestão tenta imprimir ritmo administrativo e reduzir ruídos internos.

Temporário
A exoneração de Wandir Allan da Procuradoria-Geral do Município é temporária e já era esperada. Em entrevista a este colunista, o advogado havia dito que precisaria deixar o cargo no período eleitoral para se dedicar ao escritório eleitoralista.

COLUNA DA DIREITA

 

Wilder declara R$ 11 milhões

Wilder Morais declarou R$ 11,05 milhões em recursos para a campanha ao Governo de Goiás. No recorte consultado, não havia gasto lançado na prestação. A campanha do PL aparece, portanto, com caixa registrado e pouca despesa formalizada.

Daniel com R$ 7 milhões

Daniel Vilela aparece com R$ 7,075 milhões arrecadados, R$ 263 mil em gastos contratados e R$ 20 mil pagos. O dado chama atenção porque a campanha governista já tinha estrutura política, tempo de TV e agora também passou a exibir caixa formal.

Marconi acima de R$ 6 milhões

Marconi Perillo declarou R$ 6,5 milhões em recursos. A prestação também mostra R$ 6,9 milhões em gastos declarados. A maior fatia da receita veio da Direção Nacional do PSDB, responsável por R$ 6,5 milhões.

PT abastecido

Luís César Bueno declarou R$ 3.470.817,20 em dinheiro recebido. Quase tudo veio da Direção Nacional do PT, responsável por R$ 3.468.817,20. O candidato informou ainda R$ 2 mil em recursos próprios.

Sem gasto petista

Na prestação de Luís César, os gastos pagos e contratados apareciam zerados no recorte consultado. A entrada de dinheiro já foi registrada. A execução formal das despesas ainda não apareceu no mesmo ritmo.

Gracinha com R$ 3,8 milhões
Na disputa ao Senado, Gracinha Caiado aparece com R$ 3,8 milhões arrecadados. No recorte consultado, não havia gasto pago ou contratado lançado. A prestação mostra caixa, mas ainda não mostra execução de campanha.

Mendanha contrata
Gustavo Mendanha aparece com R$ 3 milhões arrecadados, R$ 596 mil pagos e R$ 2,1 milhões contratados. É um dos casos em que a prestação já mostra não apenas entrada de recursos, mas também contratação relevante.

Zacharias registra R$ 1,9 milhão
Zacharias Calil aparece com R$ 1,9 milhão arrecadado na disputa ao Senado. No recorte consultado, não havia gasto pago ou contratado registrado. A candidatura já tem receita declarada, mas a despesa ainda não aparece.

Gayer movimenta
Gustavo Gayer aparece com R$ 1 milhão arrecadado. A prestação mostra R$ 222 mil pagos e R$ 284 mil contratados em um recorte, e atualização posterior aponta R$ 579,1 mil em despesas contratadas e pagas. O caso mostra como a base muda conforme novas entregas entram no sistema.

Vanderlan com R$ 1,8 milhão
Vanderlan Cardoso aparece com R$ 1,8 milhão arrecadado, R$ 194 mil pagos e R$ 194 mil contratados. A prestação já mostra movimentação financeira, mas em volume menor que outros nomes da disputa ao Senado.

 

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