Faltando pouco mais de uma semana para as urnas, há partidos preocupados em conquistar espaço. O PSDB precisa, antes, impedir que o próprio espaço desabe. Em poucas semanas, a chapa tucana para a Câmara perdeu Flávia Teles, Henrique Arantes e Jeferson Rodrigues. Os três desistiram e terminaram reunidos em torno de Felipe Cecílio. A projeção interna, antes de duas cadeiras, foi reduzida para pelo menos uma. Como se não bastasse perder votos da nominata, começou a guerra entre quem ficou.
Felipe abriu fogo contra o deputado federal Professor Alcides, justamente uma das principais apostas do PSDB para sobreviver na Câmara. Recuperou acusações envolvendo suposto abuso sexual, negadas por Alcides, e pediu publicamente que o eleitor não votasse no correligionário. Alcides respondeu chamando as informações de “maliciosas e fabricadas”. Dentro do PSDB, há quem fale reservadamente em movimento coordenado de implosão. Os envolvidos negam.
A suspeita encontra combustível nas biografias partidárias. Henrique Arantes e Felipe Cecílio já passaram pelo MDB. Jeferson estava até este ano no Republicanos, legenda integrante da base governista. Isoladamente, nada disso comprova articulação. Na política, contudo, três desistências convergindo para um mesmo candidato e uma guerra aberta contra outro nome competitivo da própria chapa alimentam perguntas.
A matemática explica a preocupação, visto que a eleição para deputado federal é proporcional. Felipe e Alcides podem disputar o mesmo eleitor, mas os votos dos dois alimentam a mesma conta partidária. Atacar um companheiro de chapa na última semana significa tentar crescer individualmente enquanto se coloca em risco o resultado coletivo.
O contraste aparece nas chapas que chegam mais inteiras à reta final. A União Progressista desembarcou na campanha com Silvye Alves, José Nelto e Adriano do Baldy buscando a reeleição, além de Bruno Peixoto e Delegado Waldir. É também a estrutura que mais recebeu recursos partidários para a disputa federal em Goiás: R$ 23,3 milhões até o levantamento publicado em 19 de setembro.
MDB, PSD e Republicanos orbitam a ampla base de Daniel Vilela, mas disputam entre si cada cadeira. O PSD começou com uma chapa menor e ainda sofreu a desistência de Pedro Sales. Republicanos e MDB, por sua vez, chegaram à campanha com cerca de R$ 8 milhões cada em recursos dos fundos destinados às candidaturas federais.
O PL chega à última semana com nominata completa e tenta aproveitar o voto ideológico que também sustenta suas candidaturas majoritárias. A Federação Brasil da Esperança, liderada pelo PT, igualmente registrou chapa completa e colocou R$ 8,1 milhões na disputa federal.
São estratégias diferentes diante da mesma matemática cruel: Goiás tem 17 cadeiras na Câmara e uma eleição proporcional que pune chapa sem voto. A uma semana da urna, quase todos tentam somar. No PSDB, a questão passou a ser outra: quanto ainda será possível salvar depois de tanta subtração?
Minimiza
Um aliado de Marconi Perillo minimiza qualquer tipo de implosão na chapa tucana. “[A chapa] Vai chegar bem. Isso é uma coisa atípica de uma pessoa que não tem compromisso com o grupo. Tem compromisso apenas com ele próprio. Ele não tirou votos do Alcides. Prejudicou apenas a ele.”
O segundo voto
A disputa pelo Senado tem uma diferença que os números gerais nem sempre deixam evidente. Na Quaest divulgada na quinta-feira (24), a indecisão chega a 30% na segunda indicação de voto, contra 13% na primeira. Além disso, 36% dos entrevistados admitem mudar de escolha até a eleição. A indefinição, portanto, não envolve apenas trocar de candidato. Parte dos eleitores ainda não completou a dupla que pretende levar à urna.
Mabel por Mendanha
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, organiza uma rodada de encontros com diferentes segmentos da capital ao lado do ex-prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha (PRD), candidato ao Senado. Os dois já participaram de reunião com servidores da Secretaria Municipal de Saúde. A movimentação concentra parte da agenda de Mendanha fora de sua principal base eleitoral. O apoio, porém, não é exclusivo: Mabel também acompanha a candidatura da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil).
“Danilu”
Circula nos bastidores o “DaniLu”, combinação de votos na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Daniel Vilela (MDB). A dobradinha já aparece em apoios públicos de integrantes do PSB. A tese de seus defensores é que encerrar a disputa goiana no primeiro turno retiraria de Flávio Bolsonaro (PL) um instrumento de mobilização: a continuidade da campanha para governador. O cálculo não é deixar o presidenciável sem aliados em Goiás, mas evitar que uma disputa estadual em segundo turno lhe sirva de palanque.
Lula lá, Daniel cá
Um dos adesistas do movimento é o vereador de Aparecida e candidato a deputado federal Tales de Castro (PSB) que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas escolheu o governador Daniel Vilela (MDB) na disputa estadual. Ele atribui a combinação à demora petista em definir a candidatura de Luis Cesar Bueno e às relações com o prefeito Leandro Vilela e o deputado estadual Karlos Cabral, que também é do PSB. Tales também afirma que outros candidatos do PSB seguem a mesma composição. O ex-presidente do partido, Elias Vaz também entrou na onda.
Palanque de fronteira
O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) prepara uma ação conjunta com Leandro Grass, candidato petista ao Governo do Distrito Federal. O coordenador da campanha goiana, Miguel Tiago, prevê a apresentação de um compromisso de cooperação entre as duas administrações, especialmente na saúde. A campanha também reservou os dias 26 e 27 para atividades no Entorno.
Reforço para Wilder
O senador Wilder Morais (PL) passou a integrar a lista de recomendações eleitorais do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), depois de ficar fora da primeira publicação sobre Goiás. Para domingo (27), está anunciada uma carreata em Goiânia com o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Wilder tem associado publicamente as duas candidaturas, com o número do partido como ponto comum entre a disputa estadual e a presidencial.
Campanha em casa
O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) recebeu de aliados a sugestão de dedicar mais tempo às agendas em Goiás, com atenção às candidaturas de Daniel Vilela e Gracinha Caiado. A orientação antecedeu a divulgação da nova Quaest, que registrou uma redução de 32% para 23% em suas intenções de voto para presidente entre os goianos, na comparação com agosto. No mesmo levantamento, Flávio Bolsonaro marcou 33% e o presidente Lula, 27%. São números estaduais, não nacionais.
Aliança sem fotografia
O ex-prefeito de Catalão Adib Elias (MDB) anunciou que não participaria da carreata de Daniel Vilela prevista para a última sexta-feira (25), mas reafirmou apoio ao governador. Candidato a deputado estadual, Adib disputa espaço com o deputado Jamil Calife (PP), apoiado pelo prefeito Velomar Rios (MDB). A candidatura ao governo é compartilhada, mas a disputa pela Assembleia separa os grupos. Adib sustenta que a ausência em uma agenda não altera a aliança com Daniel.
A eleição seguinte
A sucessão na presidência da Câmara de Goiânia já movimenta os vereadores antes mesmo do encerramento da campanha estadual. Thialu Guiotti aparece como o nome de preferência do prefeito Sandro Mabel para suceder Romário Policarpo, enquanto Henrique Alves e Ronilson Reis também articulam suas candidaturas. A votação poderá ocorrer depois de 4 de outubro, mas ainda depende de convocação. Não há maioria confirmada em torno de nenhum dos três nomes.









