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Antes do julgamento no STF, Daniel Vilela tenta destravar bilhões em royalties

O governador se reuniu nesta terça-feira (28) com o ministro Cristiano Zanin para articular uma saída negociada sobre o tema


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 29/04/2026 - 10:57

Antes do julgamento no STF, Daniel Vilela tenta destravar bilhões em royalties
Antes do julgamento no STF, Daniel Vilela tenta destravar bilhões em royalties

Às vésperas do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode redefinir a divisão dos royalties do petróleo no país, o governador Daniel Vilela se reuniu nesta terça-feira (28) com o ministro Cristiano Zanin para articular uma saída negociada sobre o tema.

A movimentação faz parte de uma ofensiva de 19 estados não produtores, com apoio da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que buscam influenciar a Corte antes da análise marcada para o próximo dia 6 de maio.

Durante o encontro, Vilela apresentou uma proposta de acordo construída em conjunto pelos estados, com o objetivo de evitar um embate direto no STF. O texto prevê a aplicação das novas regras a partir de maio de 2026, um período de transição de sete anos para os estados produtores, além da renúncia a valores retroativos.

“O STF terá papel central nessa decisão, que vai muito além de números. Trata-se de desenvolvimento regional e justiça na distribuição de recursos públicos”, afirmou o governador.

Goiás está entre os estados mais afetados pela atual regra de distribuição, mantida após decisão liminar de 2013 da ministra Cármen Lúcia, que suspendeu a aplicação da Lei nº 12.734/2012. Segundo dados da Secretaria da Economia, o estado deixou de arrecadar cerca de R$ 6,09 bilhões entre 2013 e 2025. Para 2026, a estimativa de perdas chega a R$ 913 milhões.

A diferença é significativa: apenas em 2025, Goiás recebeu cerca de R$ 25 milhões em royalties, valor que poderia chegar a aproximadamente R$ 667 milhões caso a nova lei estivesse em vigor.

A proposta apresentada ao STF conta com o apoio de estados como Minas Gerais, Bahia, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul, entre outros. Já os principais estados produtores, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, que concentram cerca de 95% dos royalties, não participam da articulação.

A agenda em Brasília continua nesta quarta-feira (29), quando o procurador-geral do Estado, Rafael Arruda, se reúne com os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli para reforçar a defesa de uma redistribuição mais ampla dos recursos.

O impasse tem origem na lei aprovada pelo Congresso em 2012, que previa uma divisão mais equilibrada dos royalties entre os entes federativos. No entanto, a norma foi suspensa no ano seguinte pelo STF, mantendo a concentração das receitas em poucos estados até hoje.

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