O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (11) que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recebeu vídeos de pessoas ingerindo detergente da marca Ypê em meio à repercussão da suspensão de lotes de produtos da empresa. Segundo o ministro, os conteúdos estão sendo analisados e poderão gerar medidas judiciais.
“A Anvisa recebeu esses vídeos e está analisando cada um deles e analisando o que pode ser feito por meios jurídicos”, declarou Padilha durante evento no Palácio do Planalto para a sanção do projeto de lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19.
A polêmica começou após a Anvisa determinar, na última quinta-feira (7), a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da Ypê com numeração final “1”. De acordo com a agência, uma avaliação técnica identificou irregularidades em etapas consideradas críticas do processo produtivo, incluindo risco de contaminação microbiológica.
Mesmo após a empresa conseguir reverter temporariamente a decisão por meio de recurso administrativo, a recomendação para que consumidores evitem utilizar os produtos afetados segue mantida até a conclusão definitiva da análise técnica.
Padilha criticou a tentativa de transformar a medida sanitária em disputa política. Segundo ele, a Anvisa atua de forma técnica e sem alinhamento partidário. O ministro também comentou que os vídeos começaram a ganhar força após a repercussão de doações feitas por integrantes da família controladora da Ypê para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.
O anúncio do Ministério da Saúde ocorreu no mesmo dia em que vieram à tona novos episódios envolvendo apoiadores da direita incentivando o consumo dos produtos investigados. Um dos casos mais comentados foi o de um suposto pré-candidato ligado ao PL de Catalão, divulgado pelo Tribuna do Planalto, e que viralizou ao aparecer fingindo beber detergente da marca em um vídeo publicado nas redes sociais.
Especialistas em comunicação digital apontam que a disseminação desse tipo de conteúdo contribui para desacreditar órgãos técnicos e transformar alertas sanitários em disputas ideológicas nas redes sociais, ampliando o alcance de desinformação e incentivando comportamentos potencialmente perigosos.














