Um vídeo em que um suposto pré-candidato ligado ao PL de Catalão, sudeste goiano, de nome não identificado, aparece fingindo beber detergente da marca Ypê viralizou nas redes sociais e se tornou mais um capítulo da disputa política envolvendo a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender lotes de produtos da empresa.
A gravação começou a circular após a Anvisa determinar o recolhimento preventivo de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca com lotes terminados em “1”, produzidos pela Química Amparo. Segundo a agência, inspeções identificaram falhas nas boas práticas de fabricação e risco de contaminação microbiológica.
Mesmo com o caráter técnico da medida, a decisão rapidamente ganhou contornos políticos nas redes sociais. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a afirmar, sem apresentar provas, que a ação da Anvisa teria motivação ideológica por causa de doações feitas por integrantes da família controladora da Ypê à campanha presidencial de Bolsonaro em 2022.
A mobilização incluiu políticos, influenciadores e personalidades públicas. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou imagens de produtos da marca nas redes sociais, enquanto outros aliados divulgaram vídeos incentivando o consumo dos itens investigados.
O vídeo do homem bebendo detergente acabou chamando atenção por transformar um alerta sanitário em performance política. Em meio à tentativa de descredibilizar órgãos técnicos, conteúdos extremos passaram a funcionar como peças de engajamento nas redes, impulsionados por algoritmos que favorecem conteúdos polêmicos e emocionalmente carregados.
Nas imagens, ele diz: “Aqui em casa quando nõ tem shampoo agente usa isso aqui ó, detergente Ypê neutro, faz mal não. Eu só pré-candidato a vereador pelo PL em Catalão.”
Especialistas em desinformação e comunicação digital apontam que esse tipo de comportamento reforça um ambiente de desconfiança contra instituições científicas e sanitárias. O episódio também reacendeu debates sobre como disputas políticas têm transformado temas técnicos de saúde pública em guerras culturais nas redes sociais.
Apesar de a empresa ter conseguido suspender temporariamente os efeitos da decisão da Anvisa por meio de recurso administrativo, a agência manteve a recomendação para que consumidores evitem utilizar os produtos dos lotes afetados até a conclusão definitiva da análise técnica.












