O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de conciliar a acomodação de aliados derrotados nas eleições com a busca de apoio no Congresso ao reorganizar o ministério para o quarto mandato. A vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) preservou o comando do Executivo, mas deixou lideranças próximas sem cargo eletivo e ampliou a pressão sobre os espaços disponíveis no governo.
Entre os derrotados estão o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), o presidente nacional do PSB, João Campos, e a ex-ministra Simone Tebet (PSB). Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, a avaliação de petistas é que dificilmente haverá lugar de destaque para todos.
Haddad, derrotado na disputa pelo governo paulista, perdeu espaço nas especulações sobre a Casa Civil. O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, passou a ser o principal cotado. João Campos, que perdeu a eleição para governador de Pernambuco, também aparece entre os nomes com possibilidade de integrar a equipe. Nenhuma dessas nomeações está definida.
Campanha muda correlação de forças
A atuação no segundo turno pesa nas conversas sobre o novo governo. Camilo assumiu a coordenação política da campanha e se aproximou de Lula durante a reação eleitoral. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), participou da comunicação e da preparação do presidente para os debates.
O fortalecimento desses nomes amplia a influência de lideranças nordestinas sobre a composição da equipe. Os bastidores apontam que a participação na virada colocou Camilo entre as possibilidades para a Casa Civil ou para um retorno à Educação. A definição dependerá das negociações conduzidas pelo presidente.
Fazenda concentra expectativas
Fonteles é citado para comandar o Ministério da Fazenda. Conforme apuração da Folha, Lula sinalizou a aliados interesse em levá-lo para a equipe. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também aparece nas conversas, sem decisão sobre o futuro titular.
Publicamente, o governador do Piauí negou ter negociado uma função ministerial. “Eu nunca tratei com o presidente Lula sobre qualquer cargo num eventual mandato dele, nem antes da eleição nem depois”, afirmou à GloboNews na segunda-feira (26).
Uma eventual indicação exigiria que Fonteles deixasse o governo estadual para o qual acaba de ser reeleito. A escolha para a Fazenda também será um sinal sobre como Lula pretende conciliar as promessas de campanha com a condução das contas públicas.
Negociação ultrapassa os aliados da campanha
A composição não ficará restrita a quem trabalhou pela reeleição. Partidos do Centrão já discutem participação no próximo governo, inclusive legendas com setores que apoiaram Flávio. A expectativa relatada por dirigentes é de acordos com grupos regionais, sem garantia de adesão integral das bancadas.
Essa divisão impõe um limite à distribuição de cargos: entregar um ministério pode aproximar uma ala partidária sem assegurar os votos necessários no plenário. Setores do MDB, PSD, PP e Republicanos que apoiaram Lula esperam ampliar sua presença na Esplanada.
A negociação passa também pelas eleições para o comando do Congresso. As articulações pela permanência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado e Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara oferecem um ponto de aproximação entre o Planalto e partidos que estiveram em campos diferentes na campanha. A montagem do ministério será discutida junto com essa disputa por sustentação parlamentar.










