Barcelona decidiu interromper o crescimento do turismo e estabilizar o número de visitantes em aproximadamente 16 milhões por ano. O limite foi anunciado como parte de uma estratégia para enfrentar a superlotação, a alta no preço dos imóveis e a pressão sobre os serviços públicos da cidade espanhola.
Em 2025, a capital catalã recebeu cerca de 15,7 milhões de visitantes. Para a administração municipal, o volume já está próximo da capacidade máxima que a cidade consegue suportar de maneira sustentável.
José Antonio Donaire, primeiro comissário de Turismo Sustentável de Barcelona, declarou que a cidade não pretende aumentar o fluxo. A orientação agora é administrar melhor o público que já recebe, diminuindo a concentração em determinados bairros e atrações.
Apesar do anúncio, o teto não significa que turistas serão barrados depois que o número de 16 milhões for alcançado. Até o momento, não foi criado um sistema de cotas, reservas ou autorizações de entrada.
O controle deverá ocorrer de forma indireta, por meio da limitação de hospedagens, da cobrança de impostos mais altos e de restrições a atividades que contribuem para a superlotação.
Cidade quer mudar o perfil dos visitantes
Cerca de dois terços dos turistas chegam atualmente a Barcelona para viagens de lazer. A prefeitura quer dividir esse público de maneira equilibrada: um terço de visitantes culturais, um terço de viajantes a negócios e um terço de turistas de lazer.
A intenção não é acabar com o turismo, atividade que possui importância significativa para a economia local, mas reduzir os efeitos causados pela concentração de milhões de pessoas em poucos pontos da cidade.
A Basílica da Sagrada Família, por exemplo, recebeu quase 5 milhões de visitantes em 2025. La Rambla, Mercado de La Boqueria, Parque Güell, Montjuïc, Museu Picasso e Parc de la Ciutadella também estão entre as áreas mais movimentadas.
Fim de apartamentos turísticos
O teto de visitantes é uma nova etapa de uma política iniciada em 2017, quando Barcelona estabeleceu restrições para a construção de hotéis. Mais recentemente, o município anunciou que não renovará as licenças de aproximadamente 10 mil apartamentos destinados ao aluguel de curta duração.
As autorizações devem perder a validade em 2028. A expectativa é que os imóveis retornem ao mercado residencial, aumentando a oferta para os moradores e ajudando a conter os preços.
O aluguel por temporada é apontado como um dos fatores que pressionam o mercado imobiliário. Ao transformar apartamentos residenciais em hospedagens, a atividade reduz a quantidade de imóveis disponíveis para contratos tradicionais.
Taxas maiores e restrições aos cruzeiros
A administração municipal também estuda ampliar a taxa turística. A proposta é fazer com que os visitantes arquem com os custos adicionais gerados para segurança, transporte, saneamento e outros serviços públicos.
Passageiros de cruzeiros que permanecem apenas algumas horas na cidade poderão enfrentar uma cobrança ainda maior. A prefeitura pretende aplicar a taxa máxima disponível para tornar as escalas de curta duração menos atrativas.
Barcelona também planeja reduzir o número de terminais de cruzeiros de sete para cinco. A mudança deverá diminuir a capacidade diária de passageiros que desembarcam na cidade.
O que muda para o brasileiro?
Não há, por enquanto, uma proibição de entrada nem necessidade de solicitar autorização específica para visitar Barcelona. Brasileiros poderão continuar viajando normalmente, respeitando as regras de entrada na Espanha.
Na prática, porém, turistas poderão encontrar uma oferta menor de apartamentos por temporada, valores mais altos nas hospedagens e aumento das taxas. A recomendação é reservar hotel e entradas para atrações com antecedência, principalmente durante o verão europeu.
A cidade também pretende recuperar espaços tradicionais para os moradores. No Mercado de La Boqueria, a proposta é ampliar as bancas de produtos usados no dia a dia, enquanto La Rambla deverá receber incentivos para diversificar o comércio e reduzir a presença de estabelecimentos destinados exclusivamente aos turistas.
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