Em um país onde mais de 40 milhões de estudantes dependem da alimentação escolar, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) segue como uma das políticas públicas mais importantes e eficazes do mundo. Criado há 70 anos e reformulado em 2009, o programa transformou a chamada “merenda” em refeição completa, equilibrada e culturalmente adequada.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é referência internacional em alimentação escolar. O PNAE é reconhecido por integrar a agricultura familiar e por garantir que cada refeição sirva não apenas para saciar a fome, mas também para promover saúde, aprendizado e desenvolvimento social.
Em Goiás, o modelo é reforçado com o Programa Merenda Nota 10, que alia gestão nutricional e valorização das merendeiras. O estado foi o primeiro a garantir, desde 2006, alimentação escolar para o Ensino Médio — incluindo as escolas de tempo integral, que ofertam até três refeições por dia. A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) coordena nutricionistas, merendeiras e gestores escolares na elaboração e acompanhamento dos cardápios, garantindo alimentos frescos e respeitando os hábitos regionais.
No cenário nacional, a nova Resolução nº 3/2025 do FNDE reduziu o limite de alimentos ultraprocessados de 20% para 15%, meta que cai para 10% em 2026. A regra também elevou de 30% para 45% a exigência mínima de compra de produtos da agricultura familiar, consolidando o vínculo entre o campo e o prato do estudante. O impacto econômico é visível: para cada R$ 1 investido no PNAE, o PIB da agricultura cresce R$ 1,52, segundo o Observatório da Alimentação Escolar (OAE).
Apesar dos avanços, os desafios persistem. Metade dos nutricionistas entrevistados pelo OAE afirma que os recursos ainda são insuficientes para cumprir todas as metas nutricionais. A defasagem no orçamento, a inflação dos alimentos e a falta de estrutura em algumas escolas dificultam a execução plena do programa. Mesmo assim, especialistas defendem que o PNAE é “pedagógico, não assistencialista”, e essencial para o aprendizado.
“Ninguém aprende de barriga vazia”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao anunciar a nova fase do programa. O investimento federal para 2025 é de R$ 5,5 bilhões, somado à contrapartida dos estados e municípios. Goiás segue como exemplo de boa gestão, com cardápios balanceados e cardápios regionais que incluem alimentos como arroz com pequi, frango ensopado, legumes cozidos e frutas da estação.
Curiosidades e dados
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Maior programa do mundo: O PNAE serve 10 bilhões de refeições por ano em quase 150 mil escolas públicas.
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Agricultura familiar: Até 2026, 45% dos recursos do programa devem ser investidos em alimentos produzidos por pequenos agricultores.
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Reconhecimento internacional: O Brasil foi destaque na 2ª Cúpula Global pela Alimentação Escolar, sediada em Brasília, com representantes de mais de 90 países.
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Impacto direto: Para muitos alunos, a refeição na escola é a principal do dia, essencial para o rendimento e a permanência escolar.

Merenda escolar de qualidade une boas práticas em Anápolis e Goiânia
A merenda escolar tem se tornado uma das principais aliadas no aprendizado e no desenvolvimento infantil em Goiás. Tanto Anápolis quanto Goiânia vêm fortalecendo programas próprios de alimentação escolar que seguem as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e priorizam refeições equilibradas e nutritivas.
Em Anápolis, o Programa Merenda Escolar Nota 10 ampliou a variedade e o valor nutricional das refeições servidas aos alunos da rede municipal. Crianças a partir de três anos de idade, matriculadas nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e nas escolas de ensino fundamental, recebem até quatro refeições completas por dia, conforme o turno escolar.
O cardápio, elaborado por nutricionistas, inclui café da manhã, almoço, lanche e jantar, com alimentos frescos e de origem local. A Secretaria Municipal de Educação destaca que o programa busca equilibrar proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais. “A boa alimentação melhora a atenção e o desempenho escolar dos alunos”, informa a pasta.
Goiânia aposta em educação alimentar e recebe reconhecimento nacional
Na capital, o investimento na alimentação escolar também gera resultados positivos. Duas unidades da rede municipal — Escolas Juscelino Kubitschek de Oliveira e Professora Lousinha — foram premiadas na 4ª edição do Prêmio Crianças Mais Saudáveis, que reconhece projetos de incentivo à alimentação equilibrada e sustentável.
As escolas desenvolveram ações educativas que envolveram alunos e famílias, mesmo durante o período de aulas remotas na pandemia. Em Goiânia, as atividades incluíram hortas escolares, gincanas, receitas caseiras e oficinas lúdicas, incentivando as crianças a adotarem hábitos saudáveis. Mais de 150 alunos participaram diretamente das ações premiadas.
A premiação de R$ 35 mil para cada unidade será usada na melhoria dos refeitórios, implantação de canteiros de hortas e compra de equipamentos para estimular o consumo consciente. As práticas servem de exemplo para outras redes municipais que desejam integrar alimentação, sustentabilidade e educação no dia a dia escolar.















